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terça-feira, 2 de setembro de 2008

Federico García Lorca

A MAIS IMPORTANTE VOZ POÉTICA DA ESPANHA MODERNA


“Poesia é amargura,
mel celeste que emana
de um favo invisível
que as almas fabricam.

Poesia é o impossível
feito possível. Harpa
que tem em vez de cordas
corações e chamas.”


Federico García Lorca, músico, dramaturgo, pintor, compositor e poeta, fez parte da Geração de 27, jovens escritores que queriam renovar a literatura espanhola. Homossexual, antifascista e antifranquista, Lorca desenvolveu sua poesia no âmbito da literatura moderna, mas resgatou formas e tradições da literatura regional espanhola, como a flamenca, o que pode ser visto nos versos de Poema do “cante jondo”: “Terra seca, /terra quieta/ de noites imensas./ (Vento no olivial,/ vento na serra.)/ Terra/ velha/ do candil/ e da pena./ Terra/ das fundas cisternas./ Terra/ da morte sem olhos/ e das flechas./ (Vento pelos caminhos./ Brisa nas alamedas.)” Poema da soleá e de Seis poemas galegos: “Ergue-te, minha amiga/ que já cantam os galos do dia!/ Ergue-te, minha amada,/ porque o vento muge como uma vaca!” Canção de ninar para Rosalía Castro, morta . A associação com os elementos da natureza está presente em praticamente toda a sua obra. Pelo caráter musical e telúrico de seus versos e uma doce melancolia, Lorca ombreia com Pablo Neruda o título de maior poeta da língua espanhola no século XX.

DA FUGA

A meu amigo Miguel Pérez Ferrero

Perdi-me muitas vezes pelo mar,
o ouvido cheio de flores recém cortadas,
a língua cheia de amor e de agonia.
Muitas vezes perdi-me pelo mar,
como me perco no coração de alguns meninos.
Não há noite em que, ao dar um beijo,
não sinta o sorriso das pessoas sem rosto,
nem há ninguém que, ao tocar um recém-nascido,
se esqueça das imóveis caveiras de cavalo.
Porque as rosas buscam na frente
uma dura paisagem de osso
e as mãos do homem não têm mais sentido
senão imitar as raízes sob a terra.
Como me perco no coração de alguns meninos,
perdi-me muitas vezes pelo mar.
Ignorante da água vou buscando uma morte de luz que me consuma.

FEDERICO GARCÍA LORCA nasceu em Fuente Vaqueros (Granada, Espanha) em 5 de junho de 1898, em uma família culta e de classe alta. Em 1920, pela primeira vez foi encenada uma peça sua, El malefício de la mariposa, e no ano seguinte publicou em livro seus primeiros textos líricos, Libro de poemas. Travou relações com algumas das figuras vanguardistas de seu tempo, como Salvador Dalí. Foi fuzilado pela guarda franquista no início da Guerra Civil espanhola, entre os dias 18 e 19 de agosto de 1936.

(texto extraído da obra ANTOLOGIA POÉTICA – EDITORA L&M POCKET http://www.ipm.com.br/, tradução, seleção e apresentação de William Agel de Mello e editada pelo blog Versos Rascunhos).
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