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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

GEPPAM E LABENGEO: 8 dias entre rios e florestas (Expedição no Médio Amazonas)




Inspirando-nos no espírito ousado e aventureiro dos primeiros geógrafos como, por exemplo, Alexandrer von Humboldt e sua memorável expedição científica entre os anos de 1799 a 1804 pela região equinocial do Novo Mundo, iniciamos esta postagem a respeito das descrições dos resultados dessa experiência de campo realizada pelo projeto “O Imaginário nas Formas Narrativas Orais Populares da Amazônia” coordenado pela Profª. Drª. Maria do Perpétuo Socorro Galvão Simões no XV Encontro Internacional IFNOPAP/ V Campus Flutuante 2011.
A presente postagem não se pretende - nesse momento - estritamente científica, e sim, descritiva dos principais acontecimentos ocorridos nessa pioneira participação de alunos do curso de Geografia e Cartografia da UFPA através do Grupo de Estudos Paisagem e Planejamento Ambiental – GEPPAM e do Laboratório de Ensino de Geografia – LABENGEO, neste grande evento que abarca diversos cursos da Universidade Federal do Pará – UFPA, somando forças na busca e na consolidação da interdisciplinaridade no meio acadêmico assim como na valorização do trabalho de campo.


SAÍDA DE BELÉM (13/10/11)


No dia 13 de outubro de 2011, uma equipe composta por Amanda Gonçalves, Walter Rodrigues, Wellingtton Fernandes e coordenada pela professora Carmena França da Faculdade de Geografia da UFPA embarcou no N/C Rondônia rumo ao médio Amazonas, mas precisamente a Monte Alegre, Santarém, Óbidos, Alenquer e Oriximiná, no XV Encontro Internacional IFNOPAP/ V Campus Flutuante. Com um grande número de atividades que ocuparam 5 dias de profícua difusão de informações, com foco particular em “Cultura e Biodiversidade, com o título “Revisitando Cultura e Biodiversidade: entre o Rio e a Floresta”, pretende-se reunir representantes da comunidade científica sintonizada com esses temas, tanto com vistas à reflexão de caráter científico e conceitual, quanto de questões mais empíricas de interesse das comunidades, sem desmerecimento à informação e à discussão acerca dos processos biofísicos e biogeoquímicos de ecossistemas do Médio Amazonas; biologia de recursos da biodiversidade e interações entre o homem e o ambiente.
Às 9 horas houve a abertura oficial com vice-reitor da UFPA, reitores da UEPA e UFOPA.  Depois houve a conferência de abertura: O histórico das expedições IFNOPAP e o Programa Universidades Flutuantes com a professora Maria do Socorro Simões, procedidas de palestras e mesa-redonda.

RECEBIDOS COM FOGOS E MÚSICA AO VIVO EM MONTE ALEGRE (15/10/11)

A chegada em Monte Alegre deu-se por volta das 6h do dia 15/10, após quase dois dias navegando por uma complexa e deslumbrante rede fluvial de baías, deltas e furos, incluindo o próprio gigante Amazonas, que passa em frente à cidade. O desembarque do Catamarã Rondônia aconteceu em frente ao terminal hidroviário, com direito a fogos de artifício e música regional ao vivo tocada por um grupo local.
O objetivo de uma parte do grupo era chegar até a Serra do Ererê, para onde seguimos de ônibus. A serra localiza-se no Parque Estadual da Serra do Ererê, o qual é cercado pela APA Paituna. A palavra Ererê corresponde a uma saudação indígena, um adeus. A palavra Paituna tem o seguinte significado: PAI (água), TUNA (escuro); este nome, portanto, retrata um lago de água escura existente na localidade.




Aproximar-se destes espaços montanhosos requer passar por um caminho de aproximadamente 40 quilômetros adentrando a área rural, a qual corresponde a 60% do município de Monte Alegre. No caminho, observando a paisagem e com as informações dadas pelo guia, descobrem-se algumas especificidades geológicas da área, como a presença de fendas de água sulfurosa, um solo rico em calcário e ferro, além de uma mina de urânio já pesquisada no local, mas com pouca capacidade radioativa. A vegetação mostra-se com algumas áreas de campos, com árvores secas, e capoeiras; a mata fechada dista da margem das estradas. Observaram-se também áreas com solo preto decorrente da queimada feita pelos moradores como parte do processo de plantio. A temperatura deveria estar entre 35° a 38°C, até a volta do percurso, aproximadamente às 12:30 horas.
A Vila do Ererê é uma pequena localidade próxima ao Parque Estadual. A população é predominantemente agrícola e pesca em menor escala. Na Serra do Ererê, alcançamos uma parte de sua altura, 250 m de subida bastante íngreme com solo pedregoso. 



Ainda observou-se figuras rupestres pintadas nos paredões de rochas por antigos povos que habitaram o continente americano a milhões de anos atrás. 
 

Próximo a Serra, uns 10 minutos, existe uma caverna chamada Itatupaoca, que significa “casa de deus de pedra”. Havia ali uma tradição de o padre rezar a missa de natal nesta caverna, mas com afluxo de muitos fiéis, a caverna passou a receber muito lixo; além disso, muitos acreditavam que a caverna era sagrada e levavam um pedaço dela. Estes fatos fizeram com que a tradição religiosa fosse extinta.
No município de Monte Alegre, em sua parte rural, localiza-se a primeira colônia agrícola nacional, implantada na década de 1950, no governo de Getúlio Vargas.
Deixamos a cidade de Monte Alegre por volta das 20:00 horas sob um céu limpo de ventos calmos e mornos, enquanto mais uma palestra era iniciada no auditório do Catamarã Rondônia. Nosso destino agora seria Santarém.


APORTANDO EM SANTARÉM (16/10/11)


Santarém - PA

A primeira paisagem que observamos ao acordarmos na manhã do dia 16 de outubro de 2011 foi a extensa orla da cidade de Santarém. A manhã estava nublada como ainda não havia estado desde nossa saída de Belém. Logo em seguida a rádio Muiraquitã (rádio interna do evento dentro do navio) nos alertou para descermos para o café da manhã, já que às 8:00 horas deveríamos estar nos dirigindo para uma palestrar com o reitor da Universidade Federal do Oeste do Pará – UFOPA seguido de mesa redonda.
Por volta das 14:00 horas a professora Carmena França sugeriu a coordenação do evento um passeio sobre o encontro das águas dos rios Tapajós e Amazonas convocando pela rádio Muiraquitã os participantes do evento que se dirigiram para o andar superior da embarcação. O catamarã Rondônia navegou sob o confronto das águas barrentas e pesadas dos rios Amazonas e das águas claras e leves do rio Tapajós. A professora Carmena explicava o processo para os participantes enquanto os mesmo tiravam fotos.
E assim, o navio prosseguiu tornando cada vez menos visível à luta dos rios e a orla de Santarém no rumo da Ponta do Cururú, onde tomamos banho no rio Tapajós e escutamos e perguntamos para professora Carmena o processo de formação dos morros que vigiavam a praia de areias branquíssimas.


ESCOLA DA FLORESTA EM ALTER DO CHÃO E VISITA À PRAIA DO JUÁ (17/10/11)

Escola da Floresta
Na manhã do dia 17/10/11 partimos em dois grupos para a Vila de Alter do Chão em Santarém para conhecermos a Escola da Floresta. Ali presenciamos, com o acompanhamento de guias, o trabalho desenvolvido pela Escola da Floresta.
Com uma área de 33 hectares de floresta, a Escola da Floresta atende às demais escolas da rede municipal de ensino, oferecendo atividades diversificadas para os alunos que terão contato com casa de farinha, casa de seringueiro, viveiro de peixe, marcenaria, canteiros, mudas de plantas, trilhas na área da escola, além de uma visão privilegiada do Lago da Recordação. A proposta da Escola da Floresta é estimular mudanças de práticas e valores quanto à preservação e conservação do meio ambiente, através de um espaço de troca de experiências e ações de educação ambiental junto à comunidade escolar do município e sociedade civil organizada. Tem a finalidade de promover atividades que suscitem indagações, desafios e informações para uma nova consciência e postura, assim como uma visão ampla e participativa do lugar onde vivemos.
A Escola da Floresta é um projeto da Prefeitura de Santarém desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação e Desporto (SEMED).
Depois fizemos uma rápida parada na famosa praia de Alter do Chão, onde podemos tirar algumas fotos e molhar os pés. Logo em seguida, seguimos para nossa embarcação.
À tarde, a professora Carmena e os discentes Amanda Gonçalves, Walter Rodrigues e Wellingtton Fernandes fizeram um passeio em um barco particular para conhecer a praia do Juá, onde presenciamos uma quantidade enorme de resíduos sólidos e dejetos de animais e humanos, tornando a bela paisagem do local suja e minimizadora de atratividade turística.

Muitos resíduos sólidos na Praia do Juá
ENFRENTANDO A CHUVA FORTE, PRÓXIMO DESTINO: ÓBIDOS (17/10 e 18/10/11)

Na noite do dia 17 de outubro de 2011 vários grupos se formaram para deixar a cidade de Santarém em direção aos municípios de Alenquer, Óbidos e Oriximiná. Saímos do Navio Catamarã Rondônia debaixo de chuva forte às 19 horas e nos acomodamos em um micro-ônibus que distribuiu as equipes de palestrantes e oficineiros nos barcos aportados em frente da cidade. A equipe de discentes da Faculdade de Geografia composta por Amanda Gonçalves, Walter Rodrigues e Wellingtton Fernandes embarcaram no navio “Príncipe de Óbidos” acompanhados por outras equipes que realizariam oficinas, palestras, mesas redondas entre outras atividades no município em questão. O navio saiu em direção ao município de Óbidos às 20 horas tendo sua chegada às 2h35min do dia 18 de outubro. A viagem foi tranquila, embora realizada em uma embarcação da linha Santarém-Óbidos, que transporta semanalmente muitas pessoas e bastantes cargas no porão.
Nesse dia fizemos city tur pelos principais pontos históricos e culturais do município de Óbidos. Nesse passeio tivemos a oportunidade de visitar o Forte Pauxis, que fica defronte com a “garganta do Amazonas”, o Mercado Municipal, o Museu de Óbidos e a Praça Frei Rogério. Pela parte da tarde ocorreu a solenidade de abertura das atividades que ocorreriam no dia seguinte no município, também contou com uma mesa redonda com representantes da UFOPA, da Prefeitura Municipal de Óbidos e da representante do Evento XV IFNOPAP e V CAMPUS FLUTUANTE em Óbidos.

GEPPAM E LABENGEO PROMEVEM A OFICINA “ECO BRINQUEDOS: UMA ALTERNATIVA DE REAPROVEITAMENTO DE GARRAFAS PET” PARA ALUNOS DA REDE PÚBLICA DE ÓBIDOS (19/10/2011)



A oficina “Eco Brinquedos: uma alternativa de reaproveitamento de garrafas PET” ocorreu conforme a programação do evento no dia 19 de outubro de 20111 na Escola Municipal de Ensino Fundamental “São Francisco” no município paraense de Óbidos, tendo início a partir das 14:00 horas, a oficina foi ministrada e organizada pelos bolsistas do GEPPAM Wellingtton Fernandes e Walter Rodrigues ambos da graduação do Curso de Geografia e Cartografia da UFPA e pela mestranda Amanda Gonçalves PPGEO/UFPA.




A oficina foi ofertada para vinte crianças do 6° ano (antiga 5° série), entretanto, devido a ausência de oficineiros e palestrantes responsáveis pelas demais oficinas que aconteceriam na citada escola, ocorreu por parte dos responsáveis pela escola unir os participantes das demais atividades que viriam acontecer junto com as oficinas e palestras que estavam ocorrendo naquele momento como, por exemplo, a oficina “Eco Brinquedos: uma alternativa de reaproveitamento de garrafas PET”. E assim sendo, acabamos por estimar um público de aproximadamente sessenta crianças e jovens de várias faixas etárias além de professores interessados em aprender a confecção de brinquedos a partir do reaproveitamento de resíduos sólidos. Em virtude do grande público presente a oficina, tivemos que adaptá-la com dinâmicas de grupo, onde a turma foi dividida em seis equipes logo após as explicações sobre educação ambiental e reaproveitamento de matérias sólidos, amostra de vídeos e finalmente a prática.


A oficina teve como objetivo despertar o interesse nos alunos a respeito das questões ambientais, principalmente a assuntos ligados a educação e conscientização ambiental, onde foi sugerido a criação de  brinquedos, reaproveitando garrafas PET (coletadas na Praça Frei Rogério e às proximidades) e tendo consciência da contribuição que se faz ao meio ambiente retirando garrafas das ruas, rios, praças, praias e transformando-as em diversos brinquedos como puxa-puxa, porta trecos, lixeirinha, tampa no copinho, carrinhos, entre outras muitas possibilidades de criação a partir do reaproveitamento.



OFICINAS EM SANTARÉM SEM PÚBLICO (18/10 a 19/10/11)


Enquanto nos demais municípios como Óbidos faltou profissionais para atender a grande demanda de participantes, em Santarém, se deu o contrário. Desse modo, as oficinas "Elaboração de projetos didáticos interdisciplinares" e "Conteúdos de Geografia Física no ENEM" a serem realizadas pela professora Carmena França neste município, não contou com o público esperado, sendo obrigado a organização do evento a cancelar diversas oficinas destinadas aos professores e alunos de Santarém.

DEIXANDO ÓBIDOS E SANTARÉM (19/10 a 20/10/11)



Após a oficina em Óbidos atravessamos de lancha para Santarém num intervalo de duas a três horas. Encontramos com a professora Carmena no navio e arrumamos nossas malas seguindo direto para o aeroporto de Santarém para voarmos em direção a Belém às 2:40 horas da madrugada. E assim foi feito. Chegamos em Belém às 4:00 horas da manhã. A equipe se desfez. Cada um para suas casas com suas malas. Wellingtton Fernandes e eu (Walter Rodrigues) ainda enfrentaríamos às 6:30 horas daquele mesmo dia mais uma longa viagem promovida pelo GEPPAM para Floresta Nacional de Carajás.


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Texto e imagens: Walter Rodrigues, Wellingtton Fernandes e Amanda Gonçalves.




Fonte complementar consultada

Instituto de Desenvolvimento Florestal do Pará

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