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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A força e qualidade da poesia obscena de Pietro Aretino


"Sonetos Luxuriosos", do poeta italiano renascentista Pietro Aretino (1492-1556), é um daqueles livros que devem ser deixados em um canto escondido da prateleira. Longe do olhar das crianças.

A edição bilíngue, do recém-nascido selo Má Companhia, da Companhia das Letras, traz textos bem-humorados e explícitos, que narram o ato sexual com toda a sua crueza e colocam o leitor no papel de voyeur das orgias contadas e cantadas pelo autor.

A obra foi inspirada nos quadros eróticos pintados durante o renascentismo por Giulio Romano, um discípulo de Rafael. As imagens desapareceram, mas relatos contemporâneos descreveram seus conteúdos como "todos os diversos modos, atitudes e posições com que homens despudorados deitam-se com as mulheres".
Além de poeta, Aretino também atuou como um difamador profissional. Por meio de cartas bem elaboradas, chantageava as pessoas pedindo dinheiro e vantagens para não estragar a reputação delas em seus escritos.
A tradução tupiniquim dos versos foi feita pelo especialista em poesia erótica José Paulo Paes, que selecionou o que há de mais chulo e explícito em nossa língua para alcançar o naipe de palavões e as matizes pornográficas usados no original italiano.
Mas quando o assunto é sexo, melhor do que descrever é ir logo ao finalmente. Confira abaixo um dos poemas que integram esta coletânea de safadezas.
Atenção: Trecho com linguagem explícita e termos de baixo calão. Prossiga apenas se não se sentir ofendido com este tipo de material. Reprodução literal da obra original
14
Ai, minha cona, ai! Cruel, que fazes
Com caralho tão grosso, tão horrendo?
Caluda, coração, que assim gemendo
Teu senhor não recreias nem aprazes

E se no meu foder não te comprazes,
Abre espaço bastante que te atendo,
O pau até os colhões em ti metendo
Para dar-te prazer dos mais verazes.

Eis-me aqui pronta, oh, fido servo caro,
Faz como queiras e em afadigar-te
Por bem servir não te mostres avaro.

Não duvida, meu bem, que quero dar-te
Fodida tão gostosa, em modo raro,
Que inveja sentirão Vênus e Marte.

Podia a cona entrar-te,
Diz por favor, o mais soberbo nabo?
A cona sim, mas Deus me guarde o rabo.


ONDE COMPRA?
"Sonetos Luxuriosos"
Autor: Pietro Aretino
Editora: Má Companhia
Páginas: 112
Quanto: R$ 16,15 (preço especial, por tempo limitado)
Onde comprar: Pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha
Texto adaptado do site: Folha.com


Um pouco mais de Pietro Aretino

Pietro Aretino

(Nascido em: Arezzo, Itália, 20 de abril de 1492. Falecido em: Veneza, Itália, 21 de outubro de 1556)

Escritor, poeta e dramaturgo italiano. Autor de "Diálogo das Prostitutas". Conhecido no seu tempo pelo nome de "secretário do mundo". Libelista terrível e sem escrúpulos, vendia a pena a quem melhor pagasse. Era amigo de Ticiano, que lhe pintou mais de um retrato.
Filho de sapateiro com uma prostituta, em Perugia iniciou a aprendizagem dos mestres de pintor e de encadernador de livros. Este último ofício, ao colocá-lo em contato com produtores literários, estimulou a sua própria produção de versos, que gradualmente se foram notabilizando pelo estilo incisivo, cínico e pouco moral.
Protegido e respeitado pelos nobres, que temiam a sua grande influência pessoal e a mordacidade dos seus escritos, desenvolveu em Roma, depois em Veneza uma carreira de panfletário licencioso, deixando principalmente em Cartas (1537-1557), o registro da vida cultural e política de sua época; em Juízos (1534), analisa a instituição cortesã como um fenômeno prostituição física e moral e como efeito típico de uma sociedade em crise.
Era admirado por personalidades, como o Papa Leão X, o que lhe garantia uma vida de rei, como ele mesmo gostava de dizer: "Figlio di cortigiana con anima di re"
Viveu num estado de liberdade jamais conferido a outro homem de sua época. De forma ousada e pouco convencional para os padrões literários desse período, atacou nobres e clérigos, de tal maneira, que ficou conhecido na história pela alcunha "Flagelo dos Príncipes".
Chegou ao fim da vida, em 1556, com um tesouro acumulado que se estima ter ultrapassado o milhão de florins.


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Fontes consultadas: 

2 comentários:

  1. oi.
    fiz um link para esta postagem do bar do escritor.
    www.bardoescritor.net

    bom site. valeu.

    ResponderExcluir
  2. Olá Giovani.

    Grato pela sua visita. Conheci o seu site e achei muito bom. Parabéns! Valeu pelo link!

    ResponderExcluir

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