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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A CONTRADIÇÃO DA SBPC EM SÃO LUÍS - MA: SABERES TRADICIONAIS E CIÊNCIA OU CIÊNCIA COMO SALVADORA/ BENFEITORA DOS SABERES TRADICIONAIS?


 
 
A 64ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) que aconteceu entre os dias 22 a 27 de julho de 2012 na Universidade Federal do Maranhão (UFMA) em São Luís foi surpreendente. Uma ampla programação marcada por muitas conferências, palestras, minicursos, mesas redondas, apresentações de pôsteres e etc. Com o tema “Ciência, Cultura e Saberes Tradicionais para Enfrentar a Pobreza”. A Reunião Anual da SBPC é considerada um dos maiores eventos científicos da América Latina e neste ano tentou em sua vasta programação trabalhar os conhecimentos tradicionais e cultura junto aos conhecimentos científicos. O que estava mais do que na hora de ser feito, já que a maior parte dos conhecimentos científicos parte dos conhecimentos tradicionais. E isso não vem de hoje.


O que sempre houve na história desse país foi o ato criminoso de apropriação dos saberes tradicionais para o “bem” da ciência acadêmica. Pesquisadores que baseiam e desenvolvem seus projetos encima de saberes tradicionais estabelecidos por gerações. E o que esses mestres dos saberes tradicionais ganham com isso? Esquecimento, mero reconhecimento como informante, em suma, um pé bem dado na bunda.
Não é de se estranhar a desconfiança e até mesmo a repulsa que muitas comunidades tradicionais, atualmente, têm a respeito de nós acadêmicos. Ladrões de saberes alheios, aproveitadores e sem vergonhas das Instituições de Ensinos que chegam com a fala mansa e com toda educação, se sentam e tomam o tempo e o café dessas pessoas, prometendo retorno e reconhecimento. O que de fato acontece?
Apenas Artigos, Pôsteres, Relatórios, TCCs, Dissertações, Teses enfim textos científicos fechados numa linguagem entendida e acessada apenas por outros acadêmicos no máximo para servir de referência a outros trabalhos acadêmicos... E o que sobra para as comunidades que junto com esses ditos “pesquisadores” trabalharam para que os resultados apresentados fossem no mínimo regulares?


Por que insistimos em minimizar a importância dessas pessoas para os resultados do conhecimento científico?  Por que continuamos a perpetuar a herança maldita do colonizador dentro de nossas Instituições de Ensinos?    O que mais me indignou e, com certeza, outros estudantes e até mesmo um certo doutor em uma das conferências foi esta ilustração de capa do “JORNAL da CIÊNCIA” (Publicação da SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência . Rio de Janeiro, 20 de julho de 2012 . Ano XXV Nº 716 . ISSN 1414-655X)
Acreditamos que não precisamos aqui explicar muita coisa a respeito do que a comunidade acadêmica ainda pensa sobre a população e seus saberes tradicionais. A ilustração do “JORNAL da CIÊNCIA” deixa tudo muito bem claro. Parabéns a SBPC que nos mostrou o que de fato a CIÊNCIA pensa sobre o povo e seus saberes.

Atenciosamente,
Walter Rodrigues.
(Participante e Expositor de Pôster na 64º Reunião Anual da SBPC em São Luís do Maranhão). 



Fonte consultada:
“JORNAL da CIÊNCIA” (Publicação da SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência . Rio de Janeiro, 20 de julho de 2012 . Ano XXV Nº 716 . ISSN 1414-655X)

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