terça-feira, 30 de novembro de 2010

Os índios Tembé e eu na tradicional Festa do Mingau da Moça


Nos dias 27 e 28 de novembro de 2010 à convite de um amigo indígena desembarcamos mais outros amigos à aldeia Frasqueira e de lá caminhamos por cerca de 1 Km até à aldeia Itaputyr, dos índios Tembé, localizada no município de Santa Luzia do Pará.
"A festa, que dura uma semana, é um ritual de passagem que comemora a entrada das índias na adolescência. Um barracão construído num canto da aldeia era o local onde cantavam e dançavam o Caê Caê - dança tradicional daquele povo. As músicas falam dos animais da floresta, e apenas maracas são usadas para acompanhar as vozes. A dança é uma roda, que se faz aos pares em volta do centro do barracão. Algumas vezes se dançava do lado de fora, avançando de mãos dadas, formando uma longa barreira".

Uma das experiências mais marcantes da minha vida, sem dúvida. Disponibilizei dois vídeos feitos de uma câmera de celular, perdoe-me pela baixa qualidade de imagem e enquadramento. Um dia eu compro uma câmera digital.
Abraços...

Walter Rodrigues.




VÍDEOS DA FESTA DO MINGAU DA MOÇA, ALDEIA ITA PUTIR, TRIBO TEMBÉ, RESERVA INDÍGENA DO ALTO RIO GUAMÁ, SANTA LUZIA DO PARÁ







quinta-feira, 18 de novembro de 2010

OS VADIOS DO VADIÃO


 Este texto faz parte das Notas de um calouro – parte 9, postadas na comunidade do Orkut Geografia-ufpa e CAGE-UFPA.



O texto de Quaini não era para brincadeira. Impossibilidade de entendimento numa única leitura. Aquele monstro de conceitos ainda ia desgastar muito a minha já fodida visão (miopia).
Por sorte tínhamos o vadião* todas às quintas e sextas. Podíamos até não ter aula, mas o forró era garantido. Coisas de UFPA. E assim como no 1º semestre, o 2° semestre tornou-se repletos de forrós, que a bem da verdade forró é o que pouco se ouve ali. Mandamo-nos pra lá, meu “amigo” indígena e eu. Aniversário de não sei quem, amigo do meu “amigo”. Bebida farta. Som alto, melody escroto, um monte de gente se remexendo feitas cobra na areia quente e cachaça misturada com o sangue de satanás. Era preciso beber bastante para aguentar aquela farsa toda. Eu não gostava daquele amontoado de gente, no entanto, gostava das biritas, gostava do rio vizinho e do vento que vinha dele. Era bom para clarear as ideias, e de alguma forma se sentir parte de um todo que não fosse aquele todo de gente insuportavelmente pseudo-felizes, pseudo-intelectuais, mas de um todo que de alguma forma nos afastamos para torná-lo recursos naturais às necessidades do capital. Meia hora depois eu estava mais bêbedo do que todos os vadios do vadião, juntos. É claro que minha noite só poderia acabar em merda, ou melhor, eu na merda.
Resultado: meu “amigo” indígena, que só bebe cerveja, se mandou para uma festinha particular na casa do aniversariante. Enquanto a este calouro? Bom, ficou completamente doido, sem noção de espaço e tempo. Vagando pela UFPA sem saber quem era, enquanto os guardas davam um jeito de não deixá-lo se jogar dentro do rio. Eu havia bebido alguma coisa a mais que batida: eu havia bebido o meu juízo. Moral da história? Sugiro uma: nunca beba da batida de estranhos, você nunca sabe a mistura que pode haver ali. Mas você pode sugerir outras.

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* O Complexo do Vadião é o ambiente dentro da UFPA (Universidade Federal do Pará) destinado a realizações culturais e de recreação. Trata-se de um local aberto, onde os centros acadêmicos e/ou as comissões de formatura promovem os "forrós" visando angariar fundos. (Fonte: Universitários em Apuros!)


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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Diante de um grande amor


por Deividy Edson
d.edson_21@hotmail.com



tranquilo até o momento de encontrá-la


era chegado o momento


estava a dois passos


sabia que não do paraíso


queria dizer tudo a ela


mas não pude dizer nada


o meu silêncio talvez tenha dito a ela


o que eu sentia


já o silêncio dela mostrou que já


não me amava mais


saí de onde eu a encontrei


querendo chorar não só


por um dia


mas pelo ano inteiro

Belém, julho de 2008


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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

TORPEDOS


Editorial da kamikASES revista literária - ano I 2010. Edição n° 1. ISSN 2178-1559. Págs. 3 e 4.



Para cantar é preciso primeiro abrir a boca. É preciso ter um par de pulmões e um pouco de conhecimento de música. Não é necessário ter harmonia ou violão. O essencial é querer cantar. Isto é, portanto, uma canção. Eu estou cantando.

Henry Miller, Trópico de Câncer.


Por que escrever, editar, imprimir e divulgar uma revista? Porque nos consideramos artistas, criadores, agitadores de um novo movimento, mesmo que em espaço reduzido e delimitado? Até gostaríamos de estar fundando um movimento estético, mas para isso, precisaríamos de uma geração dispostas a romper com uma vigência, mas… quem tem consciência para ter coragem, quem vai romper com os padrões que se ruminam tempo após tempo, o mais sempre do mesmo?!, ainda mais em tempos de poéticas tão isoladas, dispersas, e, muitas vezes, carentes de um projeto consistente… em tempos onde os aparelhos ideológicos do estado e a falsa democratização massificada das mídias diluem e escondem os discursos autoritários… Quem?!

Essa situação é nossa angústia: não saber ao certo quem é o inimigo, não saber a quem atacar, não saber de onde vem o tiro.

Contudo, essa angústia não elimina uma necessidade básica e raramente suprimida de todo ser-humano: a expressão e a comunicação Libertárias, Anárquicas: A Contra-comunicação.

Na ânsia ociosa dessa necessidade, busca-se o melhor meio de supri-la, e este é sem dúvida a Arte. A linguagem poética é a mais libertária forma de expressão, a crítica pode até tentar cerceá-la, cercando de teorias, regras e classificações, padrões, hierarquias e cânones. Mas, é justamente quebrando as regras que a ela impõe que a arte sobrevive, se renova e (se) reinventa. Por meio da arte, pode-se [re] criar o universo, montar uma realidade paralela toda feita de signo. A ‘artinventiva’ é o verdadeiro espaço de democratização da linguagem, onde pode-se criar a sua própria negando todas as regras técnicas, gramaticais, morais, ideológicas. Negando a própria arte, deslendo e desconstruindo a tradição.

a arte transcende. a arte se [sub] verte e se [re] cria numa seqüência histórica [auto] remissiva de signos interpretantes… a arte é perigosa

Ela é perigosa, pois, produzindo-a, encontramos, enfim, o inimigo contra o qual lutar: o tão “admirável mundo novo” que é o padrão, a robotização, a maquinização, a tarefa ideológica da homogeneização. Tudo aquilo que nos cala e nos nega alteridade , que nos situa no mundo como meros fantoches ouvintes/receptores e nunca como falantes/produtores. Nós ouvimos (a televisão, a música no rádio, o jornal, a autoridade e até a Voz do Brasil!) e nunca somos ouvidos, como se não tivéssemos nada a dizer, assim, nos relegam à pior forma de isolamento: aquele, entre um mar de vozes, onde a sua se dilui, se perde e não é ouvida.

A expressão artística consciente, que se inscreve historicamente, que traduz para sua linguagem os signos de seu tempo e de um passado que pretende ler e iluminar em face de um projeto do presente que se projete para o futuro, como roteiro de uma nova história, põe em cheque toda forma de autoritarismo ideológico e estético dos meios de comunicação da suposta era das mídias democráticas. A representação do discursos e padrões por meio da metalinguagem, do signo icônico, que interpreta, crítica e evidencia sua vacilação, põe em colapso todos os padrões, toda a certeza, criando linguagem e estéticas próprias.

a produção artística é contra-poder, contra comunicação, libertação

Na aldeia de pedra que semeia ferro, somos sós, somos todos inelutavelmente sós, o sujeito [pós-(?)] moderno é terrivelmente só (ou você nunca sentiu a “punhalada” de que fala Baudelaire? Ou nunca esteve fora da roda, “como a dama da noite”?). O romance, como gênero literário da modernidade, é uma prova disso, basta lembramos as palavras de Walter Benjamin: “A origem do romance é o individuo isolado, que não pode mais falar exemplarmente sobre suas preocupações mais importantes e que não recebe conselhos nem sabe dá-los”.

a escrita é uma experiência solitária. devemos, por tanto, guardar o que escrevemos em um baú ou queimar tudo?

Acreditamos que não, acreditamos que necessitamos da expressão e comunicação Libertária, sem nos preocuparmos com juízos de valor, sem nos preocuparmos se agradamos ou desagradamos, sem nos preocuparmos se ferimos morais ou convicções quaisquer que sejam, sem nos preocuparmos com a crítica, até porque, para haver crítica, é preciso que alguém ouça nosso grito. Melhor gritar e ser ouvido, ainda que desagradando, incomodando, do que permanecer eunucamente mudo e servil.

Nós não temos grandes pretensões, só queremos cantar, pouco importa se saímos do tom ( os essencial é querer cantar), pois é exatamente como disse Oscar Wilde: “Todos estamos na sarjeta, mas alguns de nós preferem olhar as estrelas”.

Assim, te convidamos ( tu que estás se dispondo a ler isto neste momento) a fazer o mesmo. Somos todos cantores, basta ter pulmões e querer cantar.

Canta, Berra, Escarra, Vomita, Esporra, Regurgita tuas neuroses…


Francisco Ewerton dos Santos

reinaldo guaxe


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KamikASES é o nome da mais nova revista literária do Brasil