
Ou como dizem os autores:
O trabalho de Luís Pereira Santiago e Maria do Perpétuo Socorro Martins Silva é digno ds altos elogios e de leitura para todos nós cidadãos. Segue o link da monografia.
O impacto da conquista européia sobre as populações nativas das Américas foi imenso. Não existem números precisos, mas há estimativas indicando que a população nativa do continente chegava à época da conquista, a mais de 53.000.000 de pessoas, sendo que só a bacia Amazônica teria mais de 5.600.000 habitantes. No entanto, existem duas fontes documentais principais utilizadas nos estudos da história indígena do Brasil: de um lado os diferentes tipos de documentos escritos pelos colonizadores europeus e seus descendentes, do outro, as tradições orais e a mitologia das populações indígenas. Ambos os grupos de documentos apresentam um expressivo potencial informativo.
O território brasileiro indígena foi sendo conquistado aos poucos e sua configuração atual é relativamente recente. Por outro lado, os europeus que aqui chegaram não tiveram a preocupação de fazer um censo da população encontrada. O fato é que, com o resultado do contato com os povos que para cá imigraram nos últimos cinco séculos, a população indígena decresceu muito desde então. “Hoje o número de etnias indígenas existente no Brasil é de 218 e 180 línguas, com uma população de 350.000 a 500.000 índios” (GRUPIONE,2002,p.10).
Além das etnias mencionadas acima, ainda existem etnias isoladas, isto é, que não mantém contato com a sociedade brasileira, vivendo em regiões de difícil acesso e procurando se manter afastadas, como forma de autodefesa.
Das etnias existentes na época do descobrimento, foram extintas em menos de 500 anos: na região Sul 33 etnias, na região Sudeste 143 etnias, na região Nordeste 344 etnias, na região Centro-Oeste 137 etnias e na região norte 820 etnias.
A visão que os europeus tinham a respeito dos índios era eurocêntrica, achavam-se superiores e, portanto, deveriam dominá-los e colocá-los a seu serviço. A cultura indígena era considerada como sendo inferior e rústica, dentro dessa visão acreditava-se que sua função era convertê-los ao cristianismo fazendo com que seguissem a cultura européia. Foi assim que aos poucos os índios foram perdendo sua cultura e também sua identidade.
Tratar das questões problemáticas indígenas e de sua abordagem sócio-cultural e política, significa falar de uma das principais discussões que marcaram quinhentos anos de dizimação, discriminação, marginalização e opressão dos vários segmentos da sociedade nacional.
Relacionamentos têm marcados conflitos entre a sociedade envolvente e os índios pela disputa de terras, causadas principalmente pelos fazendeiros que tem apoio de grande parte da população de Grajaú e Barra do Corda. Mas as lembranças do conflito do Alto Alegre são mantidas vivas pela igreja que elevou os quatros frades, as sete freiras e os dois irmãos mortos à condição de mártires do cristianismo, desde os anos 50, exibindo na fachada da igreja matriz de Barra do Corda, em mármore de carrara, as esfinges dos capuchinhos mortos no conflito de Alto Alegre.
A destruição da colônia agrícola de São José da Providência foi uma defesa que os indígenas encontraram para combater uma ofensa direta contra o seu modo de vida e costumes, e esse caráter de massacre atribuído à revolta indígena é fruto do preconceito de uma população alienada, atingida no confronto em que considera o índio como pessoa de características físicas, psíquicas e cultural indesejável. Já os capuchinhos, ostentam uma posição privilegiada dentro da sociedade, misturando humanidade e santidade, sendo inadmissível tal crime contra eles. Mas como condenar a intolerância indígena aos moradores de Alto Alegre se a Igreja estava sendo intolerante com o modo de vida e os costumes dos indígenas?
A revolta foi gerada por todo um somatório de desavenças, intrigas, mentiras e medo, levando a um choque cultural entre indígenas e não indígenas que veio a desenvolver um conflito sócio-político, fruto da conjuntura da época, em que na verdade os mártires foram os indígenas que lutaram contra os invasores de suas terras e, principalmente a preservação de sua cultura e identidade de ser Tenetehara.
(as partes usadas para esta edição foram: 2. Contextualização histórica dos indígenas brasileiros e 10. Conclusão)

