segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Circuito bregueiro conquista a cidade

Os irmãos Edilson e Edielson comandam a parelhagem Mega Príncipe
 
por Dilermando Gadelha
foto Tarso Sarraf
 
A palavra "brega" geralmente está ligada ao mau gosto, àquilo que é esteticamente feio ou de valor inferior. Em algumas regiões do Brasil, como o centro-sul, brega também é uma música romântica, "piegas", representada por grandes nomes da música popular brasileira, como Reginaldo Rossi e seu clássico "Garçom, aqui nessa mesa de bar..."
No Estado do Pará, o termo ganhou novos significados. O brega está associado a um ritmo caracterizado pela fusão entre o romântico e o dançante, com influências do bolero, merengue, twist, Iê-iê-iê e sons caribenhos muito escutados nas rádios da capital paraense na década de 50, como explica Antônio Maurício Costa, professor da Faculdade de História da UFPA e autor do livro Festa na Cidade: O Circuito Bregueiro de Belém do Pará.
"O brega é um herdeiro do bolero, muito apreciado nas festas da periferia de Belém, na segunda metade do século XX. As várias influências musicais vindas dos Estados Unidos, Caribe e América Latina acabaram colaborando para que se produzisse uma originalidade criativa na música de compositores da terra, dando origem ao brega paraense, sem ligação direta com o brega feito no Centro-Sul do País", Maurício Costa.
O estilo surgiu em meados dos anos 60 e passou a ocupar um espaço maior nos veículos de comunicação a partir da década seguinte, graças a duas gravadoras de som. A Rauland e a Grava Som foram as responsáveis por produzir os primeiros discos no estilo, rotulando-os de música brega e levando ao estrelato nomes como Ted Max e Mauro Cota. Nessa época, o ritmo era caracterizado pela batida dançante e pelo romantismo da letra.
A partir da década de 80, o ritmo passa por uma reformulação: as guitarras se tornam importantes para o Brega Pop, principalmente com o chacundum, uma batida especial criada por Chimbinha, guitarrista da banda Calypso. Os anos 2000 trazem a terceira fase do estilo, que, com mais autonomia do rótulo "brega", passa a ter três vertentes: o technobrega, caracterizado pela adição de batidas eletrônicas; o calypso, criado pela banda do Chimbinha e Joelma; e o bregamelody, mais próximo das raízes românticas.

Música retrata cotidiano da população urbana

O brega é um estilo que nasceu nas periferias de Belém, entretanto as festas são frequentadas não só pela população de menor poder aquisitivo, como também por pessoas das classes média e alta. Para o professor Maurício Costa, isso acontece devido a alguns fatores, como a distribuição espacial entre o que é periferia e o que é centro. "Em geral, as pessoas associam a diferença entre centro e periferia não como uma diferença espacial, mas, basicamente, como regiões com mais presença de estrutura urbana ou menor. Muitas vezes, no mesmo bairro, existem as duas coisas. Esse arranjo também torna complexa a espacialização das festas do circuito bregueiro, porque elas estão muito acessíveis e frequentá-las não significa assumir o estereótipo de bregueiro."
A diversidade de músicas e ritmos tocados nas festas de brega também ajuda na democratização do estilo. Segundo o professor, as festas de aparelhagem, ou mesmo as de cantores, apresentam repertórios para todos os gostos, até versões de músicas internacionalmente famosas. "O brega comporta todas as diferenças. Ir às festas de brega significa não só fazer parte dessa cultura, mas também participar de uma possibilidade de lazer na cidade, a qual pode ser feita por quem mora no centro ou na periferia", acrescenta Maurício Costa.
Segundo  pesquisador, as festas de brega foram decisivas para a popularização do estilo, "hoje, as festas são as opções de lazer mais visíveis em Belém". Seja em bairros da periferia ou do centro da cidade, as casas de show abrem quase todos os dias da semana, abrigando as aparelhagens, estrelas da música, e a população que vai assistir aos shows.
O conjunto de práticas culturais e também empresariais que acontecem nos espaços das diversas casas de show, distribuídas por toda Belém, constituem o que o professor chama de "Circuito Bregueiro". Ele envolve não apenas os apreciadores do brega e as aparelhagens ou artistas, mas também os donos de casas de show e as pessoas que vão trabalhar, formal ou informalmente, nos eventos.
Esse circuito é um "modelo festivo" recorrente e, juntamente com a música, retrata o cotidiano da população urbana de Belém, cria termos para depois serem inseridos no vocabulário comum, além de modos de dançar e de vestir que reforçam  a identidade regional. "O circuito bregueiro, na verdade, é um conjunto, cuja marca principal é a presença do brega paraense", explica o professor.

Festas fortalecem laços

Além de um momento de lazer, as festas de brega são um ambiente de sociabilidade, nas quais os frequentadores criam vínculos sociais e padrões de comportamento entre si. Em sua tese, o professor Maurício Costa identifica três categorias de pessoas que vão a shows de brega: o frequentador esporádico, o que vai com pouca frequência e não tem ligação com aparelhagens; o assíduo, aquele que tem conexões com uma casa, aparelhagem ou artista em especial e o especialista, ligado a clubes de fãs, galeras ou equipes.
"Em geral, os frequentadores de shows de brega são jovens que acompanham as aparelhagens não só em Belém, mas também no interior, portanto o seu universo de lazer está muito ancorado nos laços sociais que eles constroem com pessoas que frequentam o mesmo ambiente. Esse é um tipo de sociabilidade mediada pela festa. As pessoas vão não só para ouvir música e dançar, mas também para ver a multidão, que é um espetáculo à parte", diz Maurício Costa.
O livro do professor Maurício Costa é resultado de uma tese de doutorado defendida em 2004, no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade de São Paulo (USP). A primeira edição foi lançada em 2007, de forma independente; e a segunda, revista e ampliada pela Editora da Universidade do Estado do Pará (Eduepa), com recursos da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Pará (Fapespa).


Saiba mais sobre as aparelhagens

As aparelhagens têm um papel importante nas festas de brega, pois além de serem responsáveis pelo som, são, também, "o elo fundamental entre lazer e empreendimento nas festas", afirma o professor Maurício Costa. As primeiras aparelhagens surgiram na década de 40 e eram chamadas de sonoros, pois tocavam as músicas em shows de clubes da periferia de Belém.
No início, os sonoros tocavam todos os estilos de música. A identificação com o brega só surgiu na década de 80, em festas de galpão, nas quais o ritmo ficou popular. As festas eram chamadas de bregões.
Para o professor Maurício Costa, a aparelhagem vai além do centro de controle - conhecido como nave - e das caixas de alto-falantes de três metros. Aparelhagens, geralmente, são empresas familiares que envolvem vários tipos de serviços, como a supervisão e o fechamento de contratos, o qual é feito pelo chefe da família, dono do equipamento. Existem, também, os DJs, muitas vezes filhos ou genros do dono.Quando a aparelhagem é de grande porte, são envolvidos motoristas e carregadores para locomover do equipamento.

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Fonte: Jornal da Universidade Federal do Pará . Ano XXIV Nº 90, Janeiro de 2011. 

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Pitiú também é ser humano!


Entre boas acusações de não entender as imperfeições dos outros e de querer sempre enfeitar o boato do dia. Fui perseguida! É nessas horas que se diz com orgulho “O inferno São os outros” (Sartre)… Desconfio que pago por meus olhos que vivem uma patifaria literária.

Como é que pode perder de vista, um parágrafo bem pontuado e não se esquecer de ficar atento no universo do Ônibus?!

Para vencer o foco do pitiú, durante minhas coleções de caminhadas recomendo-me: eles procuram algo que não perderam.

O pit (mais intimamente) já se tornou uma atividade garantida, prazerosa e sem cerimônia. Obviamente que para obter uma boa cena, como a princesinha da América quebrando carros de paparazzo. É preciso perder a noção de eternidade e nunca hesitar, na hora de “roubar” um depoimento.

Simplificar a minha região conhecida por sua cultura e tradição de cheiro forte, seria conflitar com o meu bom mercado. Aí procuro negociar com o meu próprio espaço.

Giro a chave, ainda que signifique correr mais riscos, já existe que crie a minha história vigorosa e ate moderna. Passando por dez em dez gargalhadas, vejo o retrato de seus entes, que acusa uma saída para essa solidão absurda do Pitiú humano e logo condiciono que só os mortos fiquem de plantão nas ruas.

Caroline Chaves sobre o “EU”

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Vencedores III Prêmio Literário Canon de Poesia

III Prêmio Literário Canon de Poesia

Gostaria de terminar este ano de postagens com o post abaixo. 
Foi-me muito gratificante esta conquista na área da poesia. 
Dada a ampla concorrência do "Prêmio Literário Canon de Poesia”,  
meu poema “Nevoeiro”, escolhido entre mais de 3 mil poesias, 
encheu-me de satisfação e de motivação para com o gênero  poesia.  
Boas Festas a todos vocês que por aqui passam!
(Walter Rodrigues)


 13/12/2010
Canon divulga lista dos ganhadores da terceira edição do “Prêmio Literário Canon de Poesia”

Empresa elegeu os 50 melhores textos que serão publicados no livro de poesias feito em parceria com a Fábrica de Livros
A Canon, empresa japonesa especializada no desenvolvimento de tecnologias de gerenciamento de documentos e de imagem, anuncia os vencedores do “III Prêmio Literário Canon de Poesia”, realizado em parceria com a Fábrica de Livros e a Editora Scortecci. Foram escolhidos os 50 melhores textos, que serão reunidos em um livro a ser lançado nos primeiros meses de 2011.  

Com tema livre, o concurso, que teve sua abertura na 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo e aconteceu entre 13 de agosto e 30 de setembro, recebeu mais de 3 mil inscrições. Os finalistas foram escolhidos por uma comissão julgadora, composta por profissionais de renomado prestígio literário e cada vencedor receberá dez exemplares da obra e contará ainda com a divulgação e promoção da antologia pela Canon nas suas ações de Marketing e Propaganda, no período de um ano.

“O objetivo desse concurso é revelar talentos, promover a literatura e difundir a impressão digital de livros no país e a cada ano estamos conseguindo movimentar muitas pessoas e desenvolver neles o interesse cultural”, afirma Jun Otsuka, presidente da empresa no Brasil.

Confira os nomes dos poetas vencedores do III Prêmio Canon de Poesia:

Alam Cristian Arezi – Porto União/SC
Allan Pitz Ribeiro de Souza - Rio de Janeiro/RJ
Almir Guilhermino da Silva - Marechal Deodoro/AL
Altair dos Santos Paim - Salvador/BA
Ana Karina Pereira dos Santos Soares - Recife/PE
Ana Laura Dimas de Freitas Rabelo - Belo Horizonte/MG
Arthur Rodrigues Clemente - São Paulo/SP
Augusto Barros Mendes - Niterói/RJ
Augusto de Oliveira Junior - Macapá/AP
Benedito Cirilo dos Santos Filho - S. G. do Sapucaí/MG
Bruna Souza de Oliveira - Novo Hamburgo/RS
Carlos Eduardo Marcos Bonfá - Socorro/SP
Carlos Oliveira Rodrigues - Sobral/CE
Carlos Roberto da Rosa Rangel - Santa Maria/RS
Eduardo Francisco Jaques Neto - Torres/ RS
Eduardo Humberto Ferreira - Uberlândia/MG
Elaine Vincenzi Silveira - São Paulo/SP
Eleni Carvalho - Diadema/SP
Francisco Carlos Pereira - Araçatuba/SP
Gabriele Nunes Moraes - Uberaba/MG
Haydée Schlichting Hostin Lima - Santa Maria/RS
João Carlos de Oliveira - Teixeira de Freitas/BA
Jonatan Gracioli do Amarante - Cianorte/PR
José Guaicurus Mendes dos Santos - Guapimirim/RJ
Leila Maria Rodrigues Daibs Cabral - Mogi das Cruzes/SP
Luciana Slongo - Herval d’Oeste/SC
Luiz Carlos da Silva - Campo Mourão/PR
Luzia Stocco - Piracicaba/SP
Manoel Vinícius da Mata Souza - Ourinhos/SP
Márcia Cristina Lio Magalhães - Fortaleza/CE
Maria Anabel Siqueira Sampaio - São Paulo/SP
Mario Donizete Massari - Sertãozinho/SP
Mariza Baur - São Paulo/SP
Marlene Edir Severino - Itajaí/SC
Marlene Rozina Feltrin - Farroupilha/RS
Matheus Jacob Barreto - Cuiabá/MT
Nielson Torres Costa - Taguatinga/DF
Paulo da Mata-Machado Jr. - Brasília/ DF
Priscila Costa Lopes - Florianópolis/SC
Raimundo de Moraes - Recife/PE
Rosane Catarina de Castro - Belo Horizonte/MG
Roselaine Dias da Cruz - São Paulo/SP
Sergio Luiz Moreira - Rio de Janeiro/RJ
Tatiana Oliveira Druck - Porto Alegre/RS
Terezinha Bertazzi Costa - Campinas/SP
Varidiana Ribeiro Mercatelli - São Paulo/SP
Vilmar Ferreira Rangel - C. dos Goytacazes/RJ
Walter Luiz Jardim Rodrigues - Belém/PA
William Lima Glins - Rio de Janeiro/RJ
Zanny Adairalba Dantas de Góes - Boa Vista/RR

Sobre a Canon
Com marca registrada em mais de 140 países e faturamento na ordem dos US$ 34 bilhões, a CANON se destaca pelo desenvolvimento de tecnologias de gerenciamento de documentos e de imagem, e pela fabricação de uma ampla variedade de produtos que vão desde câmeras, copiadoras e impressoras, até equipamentos ópticos para a indústria de semicondutores e lentes profissionais para broadcasting. A empresa é a segunda maior dos Estados Unidos em número de patentes e sustenta um investimento diário de 6 milhões em pesquisa e desenvolvimento. No Brasil desde 1974, a Canon conta com infra-estrutura própria com mais de 200 colaboradores e uma rede de revendas responsável pela distribuição de toda a linha de soluções corporativas. A empresa oferece ao mercado brasileiro um portfólio com mais de 50 produtos entre multifuncionais, copiadoras, fax e scanners. Hoje, mais de 67% do faturamento mundial da companhia provém dessas soluções.

Sobre a Fábrica de Livros
Nascida em janeiro de 2008, a Fábrica de Livros oferece ao mercado editorial soluções para captura, manuseio, impressão, acabamento, logística e comercialização de serviços gráficos. É uma empresa direcionada exclusivamente ao mundo do livro, voltada ao mercado editorial brasileiro e aos autores que queiram publicar seus livros de forma independente. Sob a premissa de ter foco no “foco do cliente”, a Fábrica de Livros tem sua atuação posicionada em produções de livros em pequenas tiragens e sob demanda. Para editoras, a Fábrica de Livros prepara, produz e comercializa em baixas tiragens ou um único livro se necessário, viabilizando a produção e a comercialização de livros do fundo de catálogo, on demand, sob o conceito da “cauda longa”. O objetivo da Fábrica de Livros é ser líder no segmento em que atua, com crescimento sustentável por meio do compartilhamento de esforços e resultados com parceiros de negócios, do constante desenvolvimento tecnológico e do capital humano.

Mais informações em: http://www.fabricadelivros.com.br.

(FONTE: http://www.canon.com.br/ )

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O PÁSSARO TRANSPARENTE de Osman Lins (Ensaio)



Pode até parecer coincidência, mas entrar em contato com a obra de Osman Lins quase um ano depois de ler pela primeira vez o nome do grande autor pernambucano em uma crítica feita pelo jornalista Oswaldo Coimbra “O desafio de falar da aldeia e ser universal” a respeito do meu primeiro romance “Correndo atrás” Ed. Multifoco, Rio de Janeiro, 2009 no site GarulhosWeb, é sem dúvida, além de emocionante, uma ótima oportunidade de ler, pela primeira vez, algo de Osman Lins, e assim, nessa ocasião oportuna, me atrever a ensaiar algumas considerações decorrente da leitura do conto “O pássaro transparente”.   
Escrita executada com perfeição, o texto “O pássaro transparente” de Osman Lins, nos prende por sua singular harmonia e construção. Um texto para ser degustado lentamente como se não quiséssemos que ele chegasse ao fim. Frases curtas, pontuações exatas, alternância entre o externo e o interno, passado e presente e as mudanças de focos narrativos nos permitem ler o conto tanto pela visão indireta do narrador como pela visão direta da personagem. Como se fosse um jogo de imagens sobrepostas num mapa sem deformação mostrando sempre a mesma face. A face do menino e do homem que obstaculizando sua altivez desenfreada, uma resignação intransponível. Daí o fascínio por esse menino, que observa o gato sobre muro, com uma “colérica e abafada” vontade de ultrapassá-lo, mas sem a firmeza para o tal; por esse homem que observa a vida numa mescla de resignação e altivez sem firmeza. Vencedor segundo os moldes de sua sociedade, fracassado pessoalmente. Um homem que aceita a vida que lhe é imposta pelo pai autoritário, não sem tentar fazer frente ao mesmo em seus ímpetos juvenis, mas que de algum modo acaba por tornar-se à imagem e semelhança de seu progenitor. Embora detestando tudo isso, o homem, depois se percebe envolvido e conformado, até mesmo gostando da vida que ele detestava.
Ontem, sua amiga de adolescência e ele junto ao cais, dois paradoxos sob as luzes febris dos postes filtradas pelos ramos do fícus, aguardando o tempo em que ambos vão atravessar a barreira de seus sonhos… 
Hoje é o navio que aguarda enquanto a nitidez dos rumos dado às suas vidas se torna mais e mais evidente. Ela havia conseguido apossar-se de sua juventude, a amestrou e agora conquistaria o mundo de seus sonhos; todavia, ele, o homem, não sabia em que armário do tempo, em que espessa noite  de interrogações ele perdeu a dele.
Não há razão para lutar mais, pois ele já não é ele, e sim o pai, que agora trás dentro dele. Um pássaro transparente, sem cores, sem vida própria trazendo dentro de si um coração que não é o dele, que o apagou deixando apenas os traços do que ele foi e os olhos assustadoramente humanos. Um ser humano forjado, criado para ser alguém, um ser fictício, inexistente na realidade.
- Isso mesmo. Era assustador. 
- Existe, aquele pássaro?
- Não.


(Walter Luiz  Jardim Rodrigues)


MAS QUEM FOI OSMAN LINS?


Osman Lins

Osman Lins nasceu em Vitória do Santo Antão, filho de um alfaiate e de uma dona de casa, que morreu logo depois de seu nascimento. A ausência da mãe foi compensada por um círculo familiar de grande afetividade, liderado por sua avó paterna. Aos 16 anos de idade mudou-se para o Recife, onde ingressou no curso de finanças. Nesta época começou a trabalhar no Banco do Brasil. Posteriormente estudou dramaturgia na Universidade do Recife.

Em fins dos anos 1940, Osman Lins casou-se com Maria do Carmo, com quem teria três filhas. Em 1950 ganhou um concurso literário com o conto "O Eco", mas sua estréia na ficção se deu com a publicação de seu primeiro romance, "O Visitante", em 1955. Dois anos depois publicou "Os Gestos" e em seguida "O Fiel e a Pedra".

Sua primeira peça teatral a ser encenada foi "Lisbela e o prisioneiro", adaptada com sucesso para o cinema em 2003.

No início dos anos 1960, Osman Lins viveu na Europa, como bolsista da Aliança Francesa. De volta ao Brasil, transferiu-se para São Paulo. Em 1964, já separado de sua primeira mulher, casou-se com a escritora Julieta de Godoy Ladeira. Publicou, em 1966, "Nove, Novena" (contos), "Um Mundo Estagnado" (ensaios) e mais uma peça de teatro, "Guerra do Cansa-Cavalo".

Em 1970 tornou-se professor universitário, ensinando literatura brasileira. Obteve também o grau de doutor em Letras, com uma tese sobre o escritor Lima Barreto. Em 1973 Lins publicou o enigmático romance "Avalovara", considerado uma de suas principais obras e traduzido para diversas línguas. Poucos anos depois, pediu exoneração da Universidade, desencantado com a qualidade do ensino brasileiro.

É também autor de "Guerras sem Testemunhas", livro-tese, onde discorre sobre as atividades e os problemas enfrentados pelo escritor.

Seu último romance foi "A Rainha dos Cárceres da Grécia", publicado em 1976. Osman Lins colaborou com diversos órgãos de imprensa e escreveu roteiros para televisão. Autor de uma vasta obra reconhecida pela crítica, recebeu diversos prêmios, entre eles o prêmio Monteiro Lobato e o prêmio Coelho Neto, da Academia Brasileira de Letras. 

(FONTE: http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u593.jhtm)

Conhecendo-nos a partir do outro



O presente texto foi retirado dos rascunhos de minhas considerações finais do artigo “Conhecendo-me a partir do outro”, referente à avaliação final da disciplina Antropologia cultural do curso de Geografia e Cartografia da Universidade Federal do Pará, baseado nas bibliografias propostas pela professora e a partir do documentário “Diário de bordo” do DVD “Leoni &Ashaninkas – Outro Futuro Ao Vivo em Paris”.

Pareceu-me interessante narrar nestas considerações finais um episódio ocorrido há alguns dias atrás em que em companhia de minha mãe, irmã e meu sobrinho de um pouco mais de um ano fomos a um shopping da cidade. Muitas crianças na faixa etária de meu sobrinho e outras um pouco mais velhas aguardavam numa fila para sentar-se junto a um homem vestido de papai-noel para tirar uma simples foto que após vinte segundos estaria pronta e entregue no valor de dez reais para o interessado.
O movimento no ambiente era intenso, muito embora estivéssemos a três semanas do Natal.  Uma “árvore” imensa estava posta no meio do hall de entrada e ao redor da mesma fora montada um cenário com duendes, outras “árvores” menores, um trenzinho em verde e vermelho, com algumas crianças dentro, movimentando-se circularmente ao redor da dita “árvore” agigantada. Enquanto isso, muitos tiravam fotos de suas câmeras digitais e celulares, encantados tais como às crianças, com as pequenas lâmpadas coloridas, que piscavam em um jogo de luz programado e ritmado.
O papai-noel estava dentro de um cercado branco, sentado em uma imensa poltrona vermelha, auxiliado por belas assistentes, enquanto pais e filhos se acotovelando numa fila por uma foto de sua criança junto a um símbolo. O fotografo se posicionava da melhor forma possível para enquadrar a criança, que geralmente estava aos berros ou muito assustadas com tudo aquilo, numa fotografia que valesse os dez reais pagos e que de alguma forma perpetuasse aquela determinada cultura.
Aquilo tudo não era natural como as pessoas supunham. Não mesmo! Éramos de fato um amontoado de conceitos de culturas absorvidas no decorrer de nossa existência em determinada sociedade. Ah, como Laplantine estava correto!
Ninguém nasce consciente do significado do Natal, compras nas lojas enfeitadas de coisas aparentemente ilógicas, mas que só adquire lógica a partir do momento em que damos significados as mesmas. Esses significados são resultados de uma bagagem cultural que reproduzimos sem sequer nos questionarmos o porquê da coisa em si, incondicionalmente. As crianças pareciam saber disso, mas os pais não. Na essência não existe diferença entre os homens. O que existe são diferentes formas de cultura. 


“Ou seja, aquilo que os seres humanos têm em comum é sua capacidade para se diferenciar uns dos outros, para elaborar costumes, línguas, modos de conhecimento, instituições, jogos profundamente diversos; pois se há algo natural nessa espécie particular que é a espécie humana, é sua aptidão à variação cultural”. (LAPLANTINE, 2003, p.13).

Leoni demonstra ter entendido a si mesmo a partir do momento em que começa a entender a cultura, as diferentes concepções de mundo dos índios Ashaninkas em relação às suas. “De fato, presos a uma única cultura, somos não apenas cegos à dos outros, mas míopes quando se trata da nossa”. (LAPLANTINE, 2003).
O documentário nos leva a um questionamento quanto à maneira de como nossa sociedade (dita civilizada) estar tratando o homem relacionado à natureza. Dentre os pontos de vistas distintos das duas culturas apresentadas no documentário, qual melhor conseguiu estabelecer uma humana relação entre o homem X homem e o homem X natureza?

Ora, Lévi-Strauss considera que o estágio da partida jogada pelas sociedades ocidentais é hoje desastroso, enquanto que as que foram jogadas pelas sociedades que se insiste em qualificai de "primitivas" são infinitamente mais humanas (LAPLANTINE, 2003, p. 111-112).

Diante do catastrófico quadro atual do planeta decorrente dessas relações entre o homem-civilizado e a natureza, somos levados a nos perguntar: quem de fato era o “bárbaro”, “primitivo”, “atrasado”? Mais do que nunca, precisamos corrigir a cegueira de nossa “sociedade-civilizada” ocidental para enxergar e tentar reverter o esse quadro.


Referência

LAPLANTINE, François. “Aprender antropologia”. São Paulo: Brasiliense, 2003.
DVD “Leoni&Ashaninkas – Outro Futuro Ao Vivo em Paris”. Warner Music, 2006.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Os índios Tembé e eu na tradicional Festa do Mingau da Moça


Nos dias 27 e 28 de novembro de 2010 à convite de um amigo indígena desembarcamos mais outros amigos à aldeia Frasqueira e de lá caminhamos por cerca de 1 Km até à aldeia Itaputyr, dos índios Tembé, localizada no município de Santa Luzia do Pará.
"A festa, que dura uma semana, é um ritual de passagem que comemora a entrada das índias na adolescência. Um barracão construído num canto da aldeia era o local onde cantavam e dançavam o Caê Caê - dança tradicional daquele povo. As músicas falam dos animais da floresta, e apenas maracas são usadas para acompanhar as vozes. A dança é uma roda, que se faz aos pares em volta do centro do barracão. Algumas vezes se dançava do lado de fora, avançando de mãos dadas, formando uma longa barreira".

Uma das experiências mais marcantes da minha vida, sem dúvida. Disponibilizei dois vídeos feitos de uma câmera de celular, perdoe-me pela baixa qualidade de imagem e enquadramento. Um dia eu compro uma câmera digital.
Abraços...

Walter Rodrigues.




VÍDEOS DA FESTA DO MINGAU DA MOÇA, ALDEIA ITA PUTIR, TRIBO TEMBÉ, RESERVA INDÍGENA DO ALTO RIO GUAMÁ, SANTA LUZIA DO PARÁ







quinta-feira, 18 de novembro de 2010

OS VADIOS DO VADIÃO


 Este texto faz parte das Notas de um calouro – parte 9, postadas na comunidade do Orkut Geografia-ufpa e CAGE-UFPA.



O texto de Quaini não era para brincadeira. Impossibilidade de entendimento numa única leitura. Aquele monstro de conceitos ainda ia desgastar muito a minha já fodida visão (miopia).
Por sorte tínhamos o vadião* todas às quintas e sextas. Podíamos até não ter aula, mas o forró era garantido. Coisas de UFPA. E assim como no 1º semestre, o 2° semestre tornou-se repletos de forrós, que a bem da verdade forró é o que pouco se ouve ali. Mandamo-nos pra lá, meu “amigo” indígena e eu. Aniversário de não sei quem, amigo do meu “amigo”. Bebida farta. Som alto, melody escroto, um monte de gente se remexendo feitas cobra na areia quente e cachaça misturada com o sangue de satanás. Era preciso beber bastante para aguentar aquela farsa toda. Eu não gostava daquele amontoado de gente, no entanto, gostava das biritas, gostava do rio vizinho e do vento que vinha dele. Era bom para clarear as ideias, e de alguma forma se sentir parte de um todo que não fosse aquele todo de gente insuportavelmente pseudo-felizes, pseudo-intelectuais, mas de um todo que de alguma forma nos afastamos para torná-lo recursos naturais às necessidades do capital. Meia hora depois eu estava mais bêbedo do que todos os vadios do vadião, juntos. É claro que minha noite só poderia acabar em merda, ou melhor, eu na merda.
Resultado: meu “amigo” indígena, que só bebe cerveja, se mandou para uma festinha particular na casa do aniversariante. Enquanto a este calouro? Bom, ficou completamente doido, sem noção de espaço e tempo. Vagando pela UFPA sem saber quem era, enquanto os guardas davam um jeito de não deixá-lo se jogar dentro do rio. Eu havia bebido alguma coisa a mais que batida: eu havia bebido o meu juízo. Moral da história? Sugiro uma: nunca beba da batida de estranhos, você nunca sabe a mistura que pode haver ali. Mas você pode sugerir outras.

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* O Complexo do Vadião é o ambiente dentro da UFPA (Universidade Federal do Pará) destinado a realizações culturais e de recreação. Trata-se de um local aberto, onde os centros acadêmicos e/ou as comissões de formatura promovem os "forrós" visando angariar fundos. (Fonte: Universitários em Apuros!)


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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Diante de um grande amor


por Deividy Edson
d.edson_21@hotmail.com



tranquilo até o momento de encontrá-la


era chegado o momento


estava a dois passos


sabia que não do paraíso


queria dizer tudo a ela


mas não pude dizer nada


o meu silêncio talvez tenha dito a ela


o que eu sentia


já o silêncio dela mostrou que já


não me amava mais


saí de onde eu a encontrei


querendo chorar não só


por um dia


mas pelo ano inteiro

Belém, julho de 2008


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