terça-feira, 22 de novembro de 2011

Se você pudesse sentir esse vento



Se você pudesse sentir esse vento, ouvir o som das maresias revoltas e o espetáculo de mais um dia que se vai personificado no sol que desce por detrás das matas do outro lado da Baía do Guajará em Belém, o seu coração se encheria de paz, ternura e deslumbramento...

Walter Rodrigues, 2011. 

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

ATRAVESSANDO A BAÍA DO MARAJÓ


Foto: panoramio.com

por Walter Luiz Jardim Rodrigues

Atravessar a baía do Marajó além de ser demorado em embarcações de madeiras conhecidas na região como “navio-gaiolas”, era também um teste para o estômago do caboclo. O barco jogava para todos os lados e não raras vezes as águas invadiam o convés obrigando os passageiros a se levantar para acudir suas bolsas, que viajam ao chão, abaixo de suas redes. Algumas senhoras e até mesmo alguns senhores, às vezes, entram em pânico. Muitos choram e rezam para o divertimento dos demais passageiros acostumados com aquelas “pavulagens” da baía.
Naquela mesma embarcação viajavam dois primos. Uma nunca tinha encarado a travessia; já o outro, era macaco-velho. Felipe e Rogério, assim eram os nomes dos dois rapazes. Felipe, muito nervoso, estava prestes a se cagar nas calças.
- Rogério! – dizia Felipe ao outro. – Tu ainda tens aquela garrafa de cachaça?
- Tenho sim, primo! – respondeu o outro. – Tá lá dentro da minha valise.
- Vamos abrir pra tomar um pouco? Pra passar o frio, esquentar o corpo... hehe.
- Vou pegar lá e já volto.
- Valeu, primo!
A noite se fazia mais escura quando se atravessava a baía do Marajó, e os ventos não eram de brincadeira. Mas após alguns goles, Felipe já até estava se divertindo com todo aquele balanço e estrondo de ondas que faziam as estruturas do barco ranger.
Algum tempo depois, surgiu uma garota magra de cabelos lisos e louros. Todos os passageiros estavam em suas redes naquele horário da noite. Somente Felipe e seu primo Rogério estavam sentados naquela pequena área do barco, uma espécie de salão de festa, localizada na parte da popa da embarcação, reservada a lanchonete e ao bar simultaneamente. Só que naquele horário da noite já estava fechado. Bem, agora eles não estavam mais sozinhos. A garota parecia chateada com alguma coisa.
- Se um cara aparecer por aqui – disse a garota aos rapazes com gestos afobados - perguntando por mim, diga que eu já desci. Vou me esconder aqui no banheiro.
Logo em seguida um rapaz baixo e entroncado apareceu olhando ao redor.
- Passou alguma garota por aqui? – perguntou ele.
- Passou sim, cara – respondeu Rogério. – Mas ela desceu ainda pouco.
- Valeu, cara. Ela deve ter ido se deitar na rede dela. Boa noite.
- Boa – responderam os dois.
Assim que o rapaz desceu, a garota saiu de fininho de dentro do banheiro.
- Porra! – disse ela aos rapazes em seguida. – Pensei que aquele otário não fosse descer. Ele tava querendo ficar comigo. Tava insistindo, se humilhando... Eu não gosto dessas palhaçadas! Parece que o cara não tem orgulho próprio.
- Sente-se e beba com a gente – sugeriu Rogério.
- O que vocês estão bebendo? – perguntou ela.
- Cachaça – respondeu naturalmente Felipe, que estava deitado em um banco com os braços cruzados sobre sua face.
- Forte demais! – comentou ela a Rogério. - Que dizer que vocês são machões, então? Mas aquele ali já estar desbundado.
- Eu tô com muito sono… E minha cabeça tá doendo - se lamentou Felipe.
- Esse cara é um mala! Me passa logo um gole aí, seu veadinho! – respondeu ela, mas Felipe apenas ficou ali deitado, então Rogério pegou a garrafa e passou imediatamente a ela.
Ela deu dois goles dignos de um cachaceiro de esquina e passou a garrafa para Rogério, que deu os seus goles também sem tirar os olhos de cima daquela garota incomum como que querendo se convencer de que ela era real.
- Porra lá vem o cara de novo! – observou a garota indignada. - O fodido já me viu!
O rapaz estava sem camisa, apenas de bermuda. Era robusto e de expressões melancólicas. Um cara que nasceu com todos os atributos físicos e psicológicos para ser um corno manso. Ele a chamou de canto. Ela foi até ele irritadíssima. Sentaram-se num banco, um do lado do outro. Ele passava a mão sutilmente nos cabelos dourados e acariciava com as pontas dos dedos a face fina da garota dizendo suavemente a ela, quase que num sussurro: “Vamos descer, gata. Pare de beber essa bebida forte. Pode fazer mal pra ti.  Esses caras aí são uns cachaceiros. Não se misture com eles...”
- Eu vou ficar aqui! – respondeu ela quase gritando. – Estou bebendo e vou continuar bebendo com eles. Tu não mandas em mim!
O rapaz abaixou e coçou a cabeça. No entanto, os dois permaneciam sentados. Nenhum se ergueu. Rogério e Felipe observavam a certa distância.
- É cara – sussurrou Felipe a seu primo. – E lá se vai a nossa puta. Eu vou é procurar minha rede e dormir o que é.
Mas Rogério não compartilhava da mesma opinião. Talvez, por isso, ele achou de se aproximar dos dois e parar quase em cima deles. O rapaz olhou para Rogério com receio e manteve-se alerta. Porém, Rogério simplesmente ofereceu sua garrafa de cachaça, no que o outro recusou imediatamente.
- Se ele não quer, eu quero!  - disse a garota tomando a garrafa das mãos de Rogério e a levando com paixão até seus lábios finos e vermelhos, sugando aquele líquido transparente como se fosse água de nascente.
Então Rogério tomou uma atitude instintiva, quase brutal. Puxou a garota pelo braço a colocando de pé para imediatamente envolver sua estreita cintura num abraço para lá de colado. E para finalizar sua abordagem cinematográfica: um belo beijo chupado de língua! O rapaz que assistiu o desenrolar da cena numa mescla de surpresa e vergonha, se levantou muito atordoado e sem dizer uma palavra, resolveu se retirar por fim.
Felipe estava sentado observando aquilo tudo com um ar de incredulidade e fascínio. Quem diria que Rogério com todo aquele seu jeitão tímido e calado fosse capaz de chegar numa mulher daquela maneira.
- Beija um pouco o meu primo – disse Rogério de repente para garota.
- O quê? – perguntou ela olhando na direção de Felipe.
- Quero que tu fiques também com ele – respondeu ele.
- Então eu quero que vocês me mostrem as picas – sentenciou ela.
- Por que tu queres ver nossos paus? – perguntou Felipe.
- Quero ver o tamanho deles – respondeu ela dando mais um gole na boca da garrafa, que já estava quase no final. – Quero ver se vale a pena.
Felipe se ergueu rapidamente do banco e quando já começava desabotoar a calça jeans, parou e a abotoou novamente dizendo:
- Tu és uma doida!
E deitou-se novamente com os braços cruzados sobre a sua face larga.  
      - Bom – respondeu ela, maliciosamente -, quando um cara tem medo de mostrar o pau é porque o pau é pequeno. O dele – e apontou na direção de Rogério - é médio. Sabe, a gente conhece o tamanho pelo monte que forma na frente da calça. E o teu é pequeninho mesmo. Nem precisa me mostrar.
- Não é que seja pequeno, sua puta! – reagiu Felipe bastante indignado – É que tá muito frio aqui!
Rogério e a garota sorriram bastante. Felipe ficou muito encabulado.
- Vou te mostrar o meu pau então! – disse ele avançando pra cima dela a abraçando e a beijando até seu pau ficar duro. Coisa que não demorou muito a acontecer.
Rogério estava esfregando seu pau mediano na bunda da garota e beijando seu pescoço, enquanto Felipe esfregava seu pau pequeno na parte da frente da garota a beijando na boca. Era um sanduíche de bêbados, sem dúvida.
- Chupa a minha pica! – ordenou Felipe no calor do momento.
- E a minha também, caralho! – disse Rogério.
Mas a garota queria algo em troca dos dois. Ela queria que eles se beijassem na boca.
- Bem que tu disseste que essa vagabunda era doida, Felipe – se irritou Rogério deixando se pau mediano amolecer na hora.
- Vocês dois estavam juntos desde que entraram no barco – continuou a garota se sentindo cheia de razões e visivelmente irritada por ver sua mísera vontade negada de maneira tão áspera. – Só pode ser um casal! Eu pensei. E não tem nada haver vocês se beijarem aí pra eu ver. Isso me dá muito tesão, sabiam?
- Foda-se, puta-escrota! A gente é primo!– gritou Rogério apontando o dedo na face da garota.  
- Primos também se casam e constituem até família, seu jegue. Um beijo não vai matar e nem fazer de vocês menos homens. Depois vocês podem me comer até enjoar.
Felipe que estava calado desde o início daquela negociação, talvez pensando no assunto de forma mais aberta e tranquila do que seu primo, resolveu finalmente opinar:
 - Que frescura é essa, Rogério – começou Felipe com um sorriso incomum. – A garota não tá pedindo nada demais, cara. Esse negócio de ficar bancando o machão já não tá com nada. Tu não te lembras de quando a gente era moleque?
- Primo, que papo de veado é esse? Tô começando a te estranhar?
- Temos que ter a mente aberta. Viver a vida louca! Beber em todas as fontes e cheirar todas as rosas! Tens que ser moderno, seu caboclo do mato! Sei que tu tens vontade de liberar o outro lado da moeda. Todo mundo tem pelo menos curiosidade.
- Eu já fiquei com várias primas e primos – ajuntou a garota. – E gostei muito.
Depois se fez um silêncio. Para deixar Rogério se decidir. Mas ele apenas olhava para o seu primo de forma assustada e decepcionada. Olhava para a garota e a odiava com todas as forças. Entretanto, Felipe acreditou que Rogério estivesse apenas sem coragem para se decidir, e por isso, se aproximou dele com muito ardor:
- Vem cá e vamos acabar logo com isso! – disse Felipe envolvendo Rogério pela cintura com a mão direita, e com a mão esquerda segurando com força a nuca de seu primo, enquanto seus lábios lançavam-se aos lábios do outro com uma velocidade voraz impressionante.

Seus familiares não acreditavam que Rogério fosse capaz de tomar uma atitude daquelas. Quebrar a cabeça do próprio primo com uma garrafa de vidro e ainda por cima ter o sangue frio para atirá-lo no meio da baía. Por sorte a garota havia corrido até a cabine do capitão para avisar que uma briga entre dois jovens alcoolizados estava ocorrendo na parte de trás do barco por sua causa. Briga por ciúmes. Mas ela garantiu que não tinha dado confiança para nenhum dos dois. Apenas parou para pedir uma informação, mas foi obrigada a aceitar um gole da bebida que eles muito forçadamente haviam lhe oferecido. Mais por medo do que por outra coisa ela ficou por ali, fingindo que bebia. Depois veio a confusão.
- Mas até eu faria a maior confusão pra ficar contigo, minha filha – gracejou o capital dando um leve beliscão na perna da garota após terem embarcado o pobre Felipe e trancafiado Rogério, muito custosamente, dentro de um camarote.
- Te enxergar, velho tarado! – respondeu ela com desprezo. – Tens idade pra ser meu avô. Vou é dormir o que é antes que me estuprem! Nessa viajem só embarcou maníacos!
 O capitão apenas sorriu observando a bela bunda da garota que se distanciava num requebrado excitante, provocativo. Depois voltou para o seu timão. A viagem atrasaria em uma hora.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Olhos Refúgios



Eu pronuncio  teu nome,
nesta noite escura,
e teu nome  me soa
mais distante que  nunca.
Mais distante que as estrelas
e mais dolente que a  mansa chuva. 
(García Lorca)
-->

Quando a noite mais escura fugiu da paixão do dia mais claro,
ela se refugiou em seus olhos.
E assim, todo mistério fascinante que a noite exala nos espíritos mais ousados,
em seus olhos ficou guardado.
Aventurar-se nesses olhos de noite escura é irresponsável e perigoso.
O primeiro passo é um risco tão imenso quanto o seguinte.
Como avançar sobre terreno tão impreciso?
Como manter-se imóvel diante desse mistério?
Queremos avançar, descobrir o segredo dessa noite mais escura refugiada em seus olhos.
Mesmo que no final dessa empreitada insana a escuridão desses olhos refúgios
nos envolva e nos perca; nos acolha e nos dispersa.
Pois quando a noite mais escura fugiu da paixão do dia mais claro,
ela se refugiou em seus olhos e lá permaneceu. 
(Walter Rodrigues, 2011)



quinta-feira, 27 de outubro de 2011

GEPPAM E LABENGEO: 8 dias entre rios e florestas (Expedição no Médio Amazonas)




Inspirando-nos no espírito ousado e aventureiro dos primeiros geógrafos como, por exemplo, Alexandrer von Humboldt e sua memorável expedição científica entre os anos de 1799 a 1804 pela região equinocial do Novo Mundo, iniciamos esta postagem a respeito das descrições dos resultados dessa experiência de campo realizada pelo projeto “O Imaginário nas Formas Narrativas Orais Populares da Amazônia” coordenado pela Profª. Drª. Maria do Perpétuo Socorro Galvão Simões no XV Encontro Internacional IFNOPAP/ V Campus Flutuante 2011.
A presente postagem não se pretende - nesse momento - estritamente científica, e sim, descritiva dos principais acontecimentos ocorridos nessa pioneira participação de alunos do curso de Geografia e Cartografia da UFPA através do Grupo de Estudos Paisagem e Planejamento Ambiental – GEPPAM e do Laboratório de Ensino de Geografia – LABENGEO, neste grande evento que abarca diversos cursos da Universidade Federal do Pará – UFPA, somando forças na busca e na consolidação da interdisciplinaridade no meio acadêmico assim como na valorização do trabalho de campo.


SAÍDA DE BELÉM (13/10/11)


No dia 13 de outubro de 2011, uma equipe composta por Amanda Gonçalves, Walter Rodrigues, Wellingtton Fernandes e coordenada pela professora Carmena França da Faculdade de Geografia da UFPA embarcou no N/C Rondônia rumo ao médio Amazonas, mas precisamente a Monte Alegre, Santarém, Óbidos, Alenquer e Oriximiná, no XV Encontro Internacional IFNOPAP/ V Campus Flutuante. Com um grande número de atividades que ocuparam 5 dias de profícua difusão de informações, com foco particular em “Cultura e Biodiversidade, com o título “Revisitando Cultura e Biodiversidade: entre o Rio e a Floresta”, pretende-se reunir representantes da comunidade científica sintonizada com esses temas, tanto com vistas à reflexão de caráter científico e conceitual, quanto de questões mais empíricas de interesse das comunidades, sem desmerecimento à informação e à discussão acerca dos processos biofísicos e biogeoquímicos de ecossistemas do Médio Amazonas; biologia de recursos da biodiversidade e interações entre o homem e o ambiente.
Às 9 horas houve a abertura oficial com vice-reitor da UFPA, reitores da UEPA e UFOPA.  Depois houve a conferência de abertura: O histórico das expedições IFNOPAP e o Programa Universidades Flutuantes com a professora Maria do Socorro Simões, procedidas de palestras e mesa-redonda.

RECEBIDOS COM FOGOS E MÚSICA AO VIVO EM MONTE ALEGRE (15/10/11)

A chegada em Monte Alegre deu-se por volta das 6h do dia 15/10, após quase dois dias navegando por uma complexa e deslumbrante rede fluvial de baías, deltas e furos, incluindo o próprio gigante Amazonas, que passa em frente à cidade. O desembarque do Catamarã Rondônia aconteceu em frente ao terminal hidroviário, com direito a fogos de artifício e música regional ao vivo tocada por um grupo local.
O objetivo de uma parte do grupo era chegar até a Serra do Ererê, para onde seguimos de ônibus. A serra localiza-se no Parque Estadual da Serra do Ererê, o qual é cercado pela APA Paituna. A palavra Ererê corresponde a uma saudação indígena, um adeus. A palavra Paituna tem o seguinte significado: PAI (água), TUNA (escuro); este nome, portanto, retrata um lago de água escura existente na localidade.




Aproximar-se destes espaços montanhosos requer passar por um caminho de aproximadamente 40 quilômetros adentrando a área rural, a qual corresponde a 60% do município de Monte Alegre. No caminho, observando a paisagem e com as informações dadas pelo guia, descobrem-se algumas especificidades geológicas da área, como a presença de fendas de água sulfurosa, um solo rico em calcário e ferro, além de uma mina de urânio já pesquisada no local, mas com pouca capacidade radioativa. A vegetação mostra-se com algumas áreas de campos, com árvores secas, e capoeiras; a mata fechada dista da margem das estradas. Observaram-se também áreas com solo preto decorrente da queimada feita pelos moradores como parte do processo de plantio. A temperatura deveria estar entre 35° a 38°C, até a volta do percurso, aproximadamente às 12:30 horas.
A Vila do Ererê é uma pequena localidade próxima ao Parque Estadual. A população é predominantemente agrícola e pesca em menor escala. Na Serra do Ererê, alcançamos uma parte de sua altura, 250 m de subida bastante íngreme com solo pedregoso. 



Ainda observou-se figuras rupestres pintadas nos paredões de rochas por antigos povos que habitaram o continente americano a milhões de anos atrás. 
 

Próximo a Serra, uns 10 minutos, existe uma caverna chamada Itatupaoca, que significa “casa de deus de pedra”. Havia ali uma tradição de o padre rezar a missa de natal nesta caverna, mas com afluxo de muitos fiéis, a caverna passou a receber muito lixo; além disso, muitos acreditavam que a caverna era sagrada e levavam um pedaço dela. Estes fatos fizeram com que a tradição religiosa fosse extinta.
No município de Monte Alegre, em sua parte rural, localiza-se a primeira colônia agrícola nacional, implantada na década de 1950, no governo de Getúlio Vargas.
Deixamos a cidade de Monte Alegre por volta das 20:00 horas sob um céu limpo de ventos calmos e mornos, enquanto mais uma palestra era iniciada no auditório do Catamarã Rondônia. Nosso destino agora seria Santarém.


APORTANDO EM SANTARÉM (16/10/11)


Santarém - PA

A primeira paisagem que observamos ao acordarmos na manhã do dia 16 de outubro de 2011 foi a extensa orla da cidade de Santarém. A manhã estava nublada como ainda não havia estado desde nossa saída de Belém. Logo em seguida a rádio Muiraquitã (rádio interna do evento dentro do navio) nos alertou para descermos para o café da manhã, já que às 8:00 horas deveríamos estar nos dirigindo para uma palestrar com o reitor da Universidade Federal do Oeste do Pará – UFOPA seguido de mesa redonda.
Por volta das 14:00 horas a professora Carmena França sugeriu a coordenação do evento um passeio sobre o encontro das águas dos rios Tapajós e Amazonas convocando pela rádio Muiraquitã os participantes do evento que se dirigiram para o andar superior da embarcação. O catamarã Rondônia navegou sob o confronto das águas barrentas e pesadas dos rios Amazonas e das águas claras e leves do rio Tapajós. A professora Carmena explicava o processo para os participantes enquanto os mesmo tiravam fotos.
E assim, o navio prosseguiu tornando cada vez menos visível à luta dos rios e a orla de Santarém no rumo da Ponta do Cururú, onde tomamos banho no rio Tapajós e escutamos e perguntamos para professora Carmena o processo de formação dos morros que vigiavam a praia de areias branquíssimas.


ESCOLA DA FLORESTA EM ALTER DO CHÃO E VISITA À PRAIA DO JUÁ (17/10/11)

Escola da Floresta
Na manhã do dia 17/10/11 partimos em dois grupos para a Vila de Alter do Chão em Santarém para conhecermos a Escola da Floresta. Ali presenciamos, com o acompanhamento de guias, o trabalho desenvolvido pela Escola da Floresta.
Com uma área de 33 hectares de floresta, a Escola da Floresta atende às demais escolas da rede municipal de ensino, oferecendo atividades diversificadas para os alunos que terão contato com casa de farinha, casa de seringueiro, viveiro de peixe, marcenaria, canteiros, mudas de plantas, trilhas na área da escola, além de uma visão privilegiada do Lago da Recordação. A proposta da Escola da Floresta é estimular mudanças de práticas e valores quanto à preservação e conservação do meio ambiente, através de um espaço de troca de experiências e ações de educação ambiental junto à comunidade escolar do município e sociedade civil organizada. Tem a finalidade de promover atividades que suscitem indagações, desafios e informações para uma nova consciência e postura, assim como uma visão ampla e participativa do lugar onde vivemos.
A Escola da Floresta é um projeto da Prefeitura de Santarém desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação e Desporto (SEMED).
Depois fizemos uma rápida parada na famosa praia de Alter do Chão, onde podemos tirar algumas fotos e molhar os pés. Logo em seguida, seguimos para nossa embarcação.
À tarde, a professora Carmena e os discentes Amanda Gonçalves, Walter Rodrigues e Wellingtton Fernandes fizeram um passeio em um barco particular para conhecer a praia do Juá, onde presenciamos uma quantidade enorme de resíduos sólidos e dejetos de animais e humanos, tornando a bela paisagem do local suja e minimizadora de atratividade turística.

Muitos resíduos sólidos na Praia do Juá
ENFRENTANDO A CHUVA FORTE, PRÓXIMO DESTINO: ÓBIDOS (17/10 e 18/10/11)

Na noite do dia 17 de outubro de 2011 vários grupos se formaram para deixar a cidade de Santarém em direção aos municípios de Alenquer, Óbidos e Oriximiná. Saímos do Navio Catamarã Rondônia debaixo de chuva forte às 19 horas e nos acomodamos em um micro-ônibus que distribuiu as equipes de palestrantes e oficineiros nos barcos aportados em frente da cidade. A equipe de discentes da Faculdade de Geografia composta por Amanda Gonçalves, Walter Rodrigues e Wellingtton Fernandes embarcaram no navio “Príncipe de Óbidos” acompanhados por outras equipes que realizariam oficinas, palestras, mesas redondas entre outras atividades no município em questão. O navio saiu em direção ao município de Óbidos às 20 horas tendo sua chegada às 2h35min do dia 18 de outubro. A viagem foi tranquila, embora realizada em uma embarcação da linha Santarém-Óbidos, que transporta semanalmente muitas pessoas e bastantes cargas no porão.
Nesse dia fizemos city tur pelos principais pontos históricos e culturais do município de Óbidos. Nesse passeio tivemos a oportunidade de visitar o Forte Pauxis, que fica defronte com a “garganta do Amazonas”, o Mercado Municipal, o Museu de Óbidos e a Praça Frei Rogério. Pela parte da tarde ocorreu a solenidade de abertura das atividades que ocorreriam no dia seguinte no município, também contou com uma mesa redonda com representantes da UFOPA, da Prefeitura Municipal de Óbidos e da representante do Evento XV IFNOPAP e V CAMPUS FLUTUANTE em Óbidos.

GEPPAM E LABENGEO PROMEVEM A OFICINA “ECO BRINQUEDOS: UMA ALTERNATIVA DE REAPROVEITAMENTO DE GARRAFAS PET” PARA ALUNOS DA REDE PÚBLICA DE ÓBIDOS (19/10/2011)



A oficina “Eco Brinquedos: uma alternativa de reaproveitamento de garrafas PET” ocorreu conforme a programação do evento no dia 19 de outubro de 20111 na Escola Municipal de Ensino Fundamental “São Francisco” no município paraense de Óbidos, tendo início a partir das 14:00 horas, a oficina foi ministrada e organizada pelos bolsistas do GEPPAM Wellingtton Fernandes e Walter Rodrigues ambos da graduação do Curso de Geografia e Cartografia da UFPA e pela mestranda Amanda Gonçalves PPGEO/UFPA.




A oficina foi ofertada para vinte crianças do 6° ano (antiga 5° série), entretanto, devido a ausência de oficineiros e palestrantes responsáveis pelas demais oficinas que aconteceriam na citada escola, ocorreu por parte dos responsáveis pela escola unir os participantes das demais atividades que viriam acontecer junto com as oficinas e palestras que estavam ocorrendo naquele momento como, por exemplo, a oficina “Eco Brinquedos: uma alternativa de reaproveitamento de garrafas PET”. E assim sendo, acabamos por estimar um público de aproximadamente sessenta crianças e jovens de várias faixas etárias além de professores interessados em aprender a confecção de brinquedos a partir do reaproveitamento de resíduos sólidos. Em virtude do grande público presente a oficina, tivemos que adaptá-la com dinâmicas de grupo, onde a turma foi dividida em seis equipes logo após as explicações sobre educação ambiental e reaproveitamento de matérias sólidos, amostra de vídeos e finalmente a prática.


A oficina teve como objetivo despertar o interesse nos alunos a respeito das questões ambientais, principalmente a assuntos ligados a educação e conscientização ambiental, onde foi sugerido a criação de  brinquedos, reaproveitando garrafas PET (coletadas na Praça Frei Rogério e às proximidades) e tendo consciência da contribuição que se faz ao meio ambiente retirando garrafas das ruas, rios, praças, praias e transformando-as em diversos brinquedos como puxa-puxa, porta trecos, lixeirinha, tampa no copinho, carrinhos, entre outras muitas possibilidades de criação a partir do reaproveitamento.



OFICINAS EM SANTARÉM SEM PÚBLICO (18/10 a 19/10/11)


Enquanto nos demais municípios como Óbidos faltou profissionais para atender a grande demanda de participantes, em Santarém, se deu o contrário. Desse modo, as oficinas "Elaboração de projetos didáticos interdisciplinares" e "Conteúdos de Geografia Física no ENEM" a serem realizadas pela professora Carmena França neste município, não contou com o público esperado, sendo obrigado a organização do evento a cancelar diversas oficinas destinadas aos professores e alunos de Santarém.

DEIXANDO ÓBIDOS E SANTARÉM (19/10 a 20/10/11)



Após a oficina em Óbidos atravessamos de lancha para Santarém num intervalo de duas a três horas. Encontramos com a professora Carmena no navio e arrumamos nossas malas seguindo direto para o aeroporto de Santarém para voarmos em direção a Belém às 2:40 horas da madrugada. E assim foi feito. Chegamos em Belém às 4:00 horas da manhã. A equipe se desfez. Cada um para suas casas com suas malas. Wellingtton Fernandes e eu (Walter Rodrigues) ainda enfrentaríamos às 6:30 horas daquele mesmo dia mais uma longa viagem promovida pelo GEPPAM para Floresta Nacional de Carajás.


=========================
Texto e imagens: Walter Rodrigues, Wellingtton Fernandes e Amanda Gonçalves.




Fonte complementar consultada

Instituto de Desenvolvimento Florestal do Pará

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

X Prêmio Literário Livraria Asabeça 2011




Livraria Asabeça organiza anualmente o Prêmio Literário Livraria Asabeça, com o apoio da Scortecci Editora, para autores brasileiros, maiores de 18 anos, residentes no Brasil. O prêmio tem por objetivo descobrir novos talentos e promover a literatura brasileira e neste ano, em especial, sua edição será comemorativa ao aniversário de 30 anos da Scortecci em 2012. O concurso será dividido em 5 (cinco) prêmios regionais: norte, nordeste, sul, sudeste e centro-oeste. O prêmio para o vencedor de cada região será um contrato de edição e publicação de sua obra com a Scortecci Editora.

REGULAMENTO
Inscrições (grátis) até 30 de novembro de 2011.
Gênero: Poesia (Livro inédito).

Ao fazer a inscrição, o Autor concorda com as regras do concurso, autorizando, inclusive, a publicação da obra selecionada pela Scortecci Editora, e responderá por plágio, cópia indevida e demais crimes previstos na Lei do Direito Autoral.

Livraria Asabeça escolherá uma Comissão Julgadora, composta de três membros de renomado prestígio literário, e uma Comissão Organizadora, que resolverá os casos omissos deste regulamento, se houver.

O candidato poderá participar com 1 (um) livro, inédito, gênero POESIA, de 40 até 60 páginas, formato A4 (210 x 297 cm), texto digitado em Word, espaço 1,5, impresso de um só lado da folha, tamanho 12, fonte Times New Roman ou Arial.

Atenção:
1) Poesias publicadas em Blogs e Sites (menos e-books, com ISBN) são consideradas inéditas e poderão fazer parte da obra.
2) Poesias publicadas em antologias, coletâneas, jornais e revistas perdem a condição de inéditas e não poderão fazer parte da obra.
3) Não enviar capa, ilustrações, prefácios, dedicatórias e agradecimentos.
4) Os trabalhos deverão estar em língua portuguesa, o que não impede o uso de termos estrangeiros no texto.
5) A obra deverá ter obrigatoriamente um título. O autor poderá ou não usar pseudônimo (nome literário).

Deverá enviar junto com a obra (apenas 1 cópia) as seguintes informações:
Nome completo
Pseudônimo (nome literário), se houver
Endereço / Cidade / Estado / CEP
DDD / Telefone
e-mail
Cópia do RG
Cópia do CPF
Cópia de comprovante de residência
Minibiografia de até 20 linhas
Atenção: O original deverá ser enviado por correio, encadernado em espiral, devendo trazer na primeira página os dados do autor conforme relação acima.

Enviar para:
X PRÊMIO LITERÁRIO LIVRARIA ASABEÇA 2011Caixa Postal 11481
São Paulo, SP
CEP 05422-970

PRÊMIOS
O vencedor de cada região será contemplado com um contrato de edição com a Scortecci Editora de 100 (cem) exemplares (sendo 50 exemplares para comercialização através da Livraria Asabeça e 50 exemplares inteiramente grátis para o autor), com até 60 (sessenta) páginas, formato 14 x 20,7 cm, miolo em preto e branco, com papel branco 75 gramas, Capa coloria com papel cartão 250 gramas, com orelhas e laminação brilhante.
Os livros terão ISBN, Ficha Catalográfica e selo Editorial Scortecci.

A título de Direito Autoral, cada autor receberá 10% (dez por cento) sobre o preço de capa de sua obra, comercializada através da Livraria Asabeça, pelo prazo de 1 (um) ano ou até o término da edição, o que acontecer primeiro.
Cada exemplar da obra será comercializado ao preço de R$ 20,00.
Após o término do contrato, o autor poderá adquirir o saldo dos livros com desconto de 80% sobre o preço de capa. Não havendo interesse por parte do autor, os livros serão distribuídos gratuitamente para bibliotecas e escolas públicas e utilizados para divulgação do próprio Prêmio Literário Livraria Asabeça.

OBSERVAÇÕES
- Os originais não serão devolvidos.
- Os autores vencedores autorizam o uso e veiculação de seu nome e obra pela Livraria Asabeça / Scortecci Editora para fins de divulgação, veiculação e comercialização.
 - O resultado do X Prêmio Literário Livraria Asabeça 2011 dar-se-á em fevereiro de 2012 e será publicado oficialmente no Portal Concursos e Prêmios Literários e nos demais sites do Grupo Editorial Scortecci.
- Os autores vencedores deverão entregar à Scortecci Editora o arquivo digital da obra rigorosamente igual ao selecionado pela comissão julgadora.
- É vetada a participação de autores que já tenham recebido prêmio de publicação ou menção honrosa nos concursos: Asabeça e UBE-SP.

CRONOGRAMA
- Inscrições: até 30 de novembro de 2011.
- Divulgação dos vencedores: fevereiro de 2012.
- Lançamento das obras: 22ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo 2012, no estande da Scortecci, durante o evento festivo de 30 anos da editora.

MAIS INFORMAÇÕES

==============================
Fonte consultada:
Site:

sábado, 1 de outubro de 2011

Celular que toca

Não atendi o celular
Era ela novamente
Cansei de ouvir sua voz,
Cansei de ouvir seus pensamentos.
Lá fora faz uma noite morna e ampla.
O celular toca mais uma vez...
O mesmo toque de anos.
Sento de frente para o computador,
Penso em tomar café, mas não me
Animo a fazer.
Eu só queria poder escrever um paragrafo,
Mas meu editor de texto continua intacto.
Sem café, sem texto, se ânimo para atender
O maldito celular, que toca mais uma vez
Antes de se aliar a noite num silêncio complexo
E simplório.



(Walter Rodrigues)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

MENINA-MULHERES


Seus negros, lisos e longos cabelos derramam-se iluminados
sobre toda paixão provocada por cada gesto seu. 
Sabe-se lá aonde se esconde a razão quando você está por perto. 
Nada mais além de sua presença importa.
Sua presença transmite força e ousadia.
Seu olhar atravessa-nos o corpo todo alcançando-nos a alma.
Então tudo se mobiliza para um espetáculo de cores exuberantes,
entramos em êxtase e desejamos tê-la conosco por toda uma eternidade. 
Como ficar indiferente ao seu olhar?
Como disfarça o fascínio provocado?
Pois diante de menina-mulheres o homem se perde em paixão e desespero,
os caminhos se cruzam e no final tudo se torna um caminho só.
O caminho que nos conduz até você e somente para você.  
Embora sabendo que já voa em outra direção.

(Walter Rodrigues)