terça-feira, 7 de junho de 2011

Programa da Faculdade de Geografia e Cartografia realiza oficinas em Resex Marinha do Pará


 


É com imensa satisfação que posto esta notícia hoje por aqui. Trata-se do Programa Educação Ambiental nas Reservas Extrativistas Marinhas de São João da Ponta e Mãe Grande de Curuçá, coordenação Profª Drª Márcia Aparecida da Silva Pimentel,  vinculado à Faculdade de Geografia e Cartografia da Universidade Federal do Pará (UFPA), do qual, atualmente, eu faço parte através do Grupo de Estudos Paisagem e Planejamento Ambiental – GEPPAM (PROEXT-UFPA-2010), coordenação Profª Drª Márcia Aparecida da Silva Pimentel, como bolsista estagiário do PROEXT-MEC, 2010. Estarei de viagem para o local a partir de quinta-feira. No mais, segue a notícia na integra extraída do site da UniversidadeFederal do Pará – UFPA. 

Programa da Faculdade de Geografia e Cartografia realiza oficinas em Resex Marinha do Pará

 por Dilermando Gadelha*

 


O Programa Educação Ambiental nas Reservas Extrativistas Marinhas de São João da Ponta e Mãe Grande de Curuçá, vinculado à Faculdade de Geografia e Cartografia da Universidade Federal do Pará (UFPA), realiza, nos próximos dias 10 e 11 de junho, o conjunto de oficinas Entre Marés, Compartilhando Saberes. O evento é voltado para professores e alunos de São João da Ponta, município da região nordeste do Pará. Os interessados em participar poderão se inscrever na Sede do Município.

A programação do evento será dividida em duas modalidades. A primeira, voltada para os professores do ensino básico do município, irá capacitá-los para uso de notebooks em sala de aula, a elaboração de projetos interdisciplinares e a alfabetização cartográfica. Já a segunda é para os alunos do ensino fundamental, com o tema Meio Ambiente. As oficinas acontecerão na sede municipal e em dez comunidades da zona rural.

As oficinas serão ministradas por professores de Geografia da UFPA, alunos de Graduação e Pós-Graduação em Geografia, alunos da Graduação de Turismo, Associação dos Usuários da Resex de São João da Ponta (Mocajuim), equipe de gestão local do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio), Prefeitura Municipal de São João da Ponta e a equipe do Programa Um Computador por Aluno (UCA/UFPA).

De acordo com a professora Márcia Pimentel, da Faculdade de Geografia e Cartografia, o Programa é uma oportunidade para que os alunos da UFPA extrapolem os muros da Universidade. “Ele possibilita a aproximação da Universidade com as diversas realidades amazônicas, a partir da extensão. Isso é fundamental não apenas para o desenvolvimento de pesquisas, mas também para garantir o respeito pela cultura das populações locais”, afirma.

    
Histórico – O Programa Educação Ambiental nas Reservas Extrativistas Marinhas de São João da Ponta e Mãe Grande de Curuçá iniciou em 2010, a partir de uma visita que a professora Márcia Pimentel fez às reservas.

“Fui convidada para participar da reunião do Conselho Deliberativo da Associação dos Usuários da Resex de São João da Ponta (Mocajuim) e, na ocasião, levei alguns alunos da graduação e pós-graduação que estavam sob a minha orientação, em monografias e dissertação. Conhecemos as demandas dos pescadores sobre questões ambientais, como o problema com o descarte incorreto de resíduos sólidos, principalmente de garrafas PET, o desmatamento das cabeceiras dos igarapés e o processo de assoreamento destes”, explica a professora Márcia, que também é coordenadora do Programa.

Na visita, os pescadores solicitaram a contribuição da Faculdade de Geografia e Cartografia nas discussões dos problemas relatados. Então, a professora Márcia, juntamente com sua equipe, iniciou um trabalho gradativo de oficinas e palestras na Resex. As atividades realizadas pelo Programa deram origem a seis Trabalhos de Conclusão de Curso na FGC, cujas temáticas atendiam as demandas da Associação Mocajuim. Em 2010, o Programa foi selecionado e contemplado pelo Edital Proext do Ministério da Educação (Mec), com recursos para 2011. Dessa forma, foi possível incluir a participação de outros professores da UFPA.

Segundo a professora Márcia Pimentel, “de forma gradativa, o Programa está atendendo, neste momento, as comunidades ribeirinhas localizadas na bacia do rio Mocajuba e do rio Mojuim, em São João da Ponta. As oficinas que realizamos com os pescadores, agentes ambientais da Associação Mocajuim, provocaram o debate sobre sociedade e natureza, sobre população tradicional e meio ambiente, sobre valorização do saber local.”

Perspectivas – O Programa atende hoje 18 comunidades da Resex de São João da Ponta, mas a intenção é que, a partir do segundo semestre, a Reserva de Mãe Grande, em Curuçá, também seja beneficiada pelas oficinas e palestras.

“É importante ressaltar que toda programação das atividades é planejada com os pescadores da Associação e com a equipe do ICMbio. Nossa intenção, para o próximo semestre, é estender o Programa para a Resex Mãe Grande de Curuçá, dar continuidade às oficinas abrangendo outras faixas etárias das comunidades, fazer o levantamento de campo para elaboração de bancos de dados e de material cartográfico para apoio ao planejamento das atividades das Resex, realizar o mapeamento de trilhas interpretativas como recurso para educação ambienta e ampliar a participação dos alunos de Geografia”, enumera a professora Márcia. Além dessas metas, o Programa realizará, em 2012, uma programação voltada especialmente para as mulheres, chamada Capacitação de mulheres das Resex Marinhas de São João da Ponta e Mãe Grande, Curuçá, Pará, em agentes ambientais.

Outro desdobramento do Projeto foi a vinda, no ano passado, de um grupo de pescadores da Resex São João da Ponta à UFPA. “Organizamos um evento com o nome História de Pescador, que foi realizado em uma tarde no Auditório Setorial Básico I. Neste dia, eles narraram sobre o processo de criação da Resex e de suas outras conquistas, terminando com a apresentação de carimbó, com características daquele lugar”, finaliza a professora.

__________________________
*Assessoria de Comunicação da UFPA




PROGRAMAÇÃO
                                                                                                                         
REALIZAÇÃO: ASSOCIAÇÃO USUÁRIOS DA RESERVA EXTRATIVISTA MARINHA DE SÃO JOÃO DA PONTA (MOCAJUIM)
APOIO: Faculdade de Geografia e Cartografia/UFPA (PROEXT 2010), ICMBio  (Equipe de Gestão da Resex de São João da Ponta), Prefeitura Municipal de São João da Ponta, Secretaria de Educação e Cultura, Secretaria do Meio Ambiente, PROUCA.

PROGRAMAÇÃO:
Dia 10 de junho (sexta-feira)

ABERTURA
Horário: às 15 horas
Abertura: Associação dos Usuários da Resex de São João da Ponta, Faculdade de Geografia e Cartografia/UFPA (PROEXT 2010) ICMbio (Equipe de Gestão da Resex de São João da Ponta), Prefeitura Municipal de São João da Ponta, Secretaria de Educação e Cultura, SEMMA, Faculdade de Geografia e Cartografia.

Oficinas nas escolas da Sede do Município
Para professores da rede municipal e estadual:
Horário: das 16:00h  às 19:00h

Ø  Oficina 1: O uso do leptop educacional como recurso pedagógico
Vagas: 25
Ministrante: NTE, UCA/UFPA
Ø  Oficina 2:  Elaboração de projetos interdisciplinares
Vagas:25
Equipe: Faculdade de Geografia e Cartografia
Ministrante profª Carmena França
Apoio: Viviane
 
Ø  Oficina 3: Alfabetização Cartográfica  
Vagas: 25
Equipe: PROEX-UFPA (Prof. Walter)
Apoio: alunas de turismo

Para os alunos da Sede Municipal Horário da 15:00
Ø  Oficina 4- Onde está o Manguezal? (para alunos do 8º e 9º anos)
Vagas: 40
Objetivo: Trabalhar a percepção dos alunos sobre a Resex. Explorar os elementos da cartografia.
Equipe: Sr. Domingos (Agente Ambiental) e FGC
Ministrantes: Carlos; Daniel Sombra; Indiara; Nayrana
Apoio: Welington

Ø  Oficina 5- Aquilo deu nisso. (para alunos  de 6º e 7º ano)
Vagas: 40
Objetivo: Transformar garrafas Pet em outros objetos, ao mesmo tempo, discutir questões ambientais da cidade.
Equipe: Sr. João do PT (Agente Ambiental) e FGC
Ministrantes: Wellingtton 2; Walter; Ana Paula
Apoio: não precisa

Ø  Oficina 6- Meu mundo é... ( para os alunos do  4º e 5º ano)
Vagas: 40
Objetivo: Compreender a visão de mundo dos alunos através de imagens e sons, expressões corporais e desenhos.
Ministrantes: Amanda; Roberta Tabila e Elexandre
Luis Henrique; marco Antonio
Equipe: Sr. João Lima (Agente Ambiental) e FGC
Apoio:

Ø  Oficina 7- Se correr o bicho corre ( para alunos do 1º, 2º e 3º anos)
Vagas: 40
Objetivo: Valorizar a cultura popular que envolve as histórias sobre a fauna e flora do mangue e terra firme.
Equipe: Sr. Curió (Agente Ambiental) e FGC
Ministrante: Leandro; Adriane; Jr; France Jane
Apoio:

Ø  Oficina 8- Se correr o bicho corre ( para as crianças de Jacarequara)
Objetivo: Valorizar a cultura popular que envolve as histórias sobre a fauna e flora do mangue e terra firme.
Equipe: Agentes Ambientais e FGC
Ministrante: bloco de 2011
Apoio:

À NOITE
Sessão de Cinema: 21:00h
 SECULT
 Dia 11 de junho (sábado) 

Horário: 8:00h às 11:00h
NA SEDE DO MUNICÍPIO
Oficina 1:  Elaboração de projetos interdisciplinares
Vagas: 25
Equipe: Faculdade de Geografia e Cartografia
Ministrante:
Apoio:

Oficina 2: Alfabetização Cartográfica 
Vagas: 25
Equipe: PROEX-UFPA (Prof. Walter)
Ministrante:
Apoio: Viviane


OFICINAS NAS COMUNIDADES

Público Alvo: crianças das escolas municipais

1.       Açu :  Agentes Ambientais e FGC
- Agentes: Afonso, Elivaldo, Fidel
Ministrante: Adriane; Romilson; Jr (PET)
Apoio: Leandro

2.       2- Monte Alegre: Agentes Ambientais e FGC
- Agente: Elson
Ministrante: Maria Alice e Socorro (PARFOR)
Apoio: Elexandre

3.       3-Coqueiro: Agentes Ambientais e FGC
              - Agente: Vilma
Ministrante: Fidelis;
Apoio: Wanderson

4.       4-Bonfim: Agentes Ambientais e FGC
   -Agentes: Jossinei e Rosalino
Ministrante: Nayrana; Joana; Tamires;
Apoio: Amanda

5.       5-Deolândia, Novo Horizonte e Brasilândia: Agentes Ambientais e FGC
   - Agentes: Sr. Lázaro, Luciano, Raimundinho...
Ministrante: Carlos Daniel Indiara
Apoio: Welington

6.       6. Guarajuba e Guarajubinha e São Domingos: Agentes Ambientais e FGC
-Agentes: Mocajuim
Ministrante: Wellingtton; Walter; Ana Paula
Apoio: Madson-PAPIN

7.       7. Porto Grande, Baunilha e Santana: Agentes Ambientais e FGC (e turma 2011)
- Agentes: Paulo, Raimunda, Lero  
Ministrante: Flavia; Erivelton; Felipe; Helio; Natalia; Mayara; Stalin; Ana Carolina; Antonio; Alex; Marcio; Mailson
 Apoio: Roberta

8.       8. Santa Clara: Agentes Ambientais e FGC
                - Agente: Maria José
Ministrante: turma do Turismo
Apoio: Hemerson

9.       9. São Francisco: Agentes Ambientais e FGC
              -Agentes: Elma, Lazinho, Noemi, Manuel Edinelson
Ministrante: Ana Luiza; Luiz Henrique; Marcos Antonio
Apoio: Tabilla

terça-feira, 17 de maio de 2011

Uma Viagem a Vicente Cecim


Instituto de Artes do Pará

Conheci a pessoa Vicente Franz Cecim numas das minhas oficinas e cursos do Instituto de Artes do Pará - IAP. Seus passos leves e pausados, suas voz sensível e suave, seu jeito simples em contraste com a complexidade de seus pensamentos, que muito embora pudesse se expostos de maneira tão límpida e fluente, ainda sim, nos deixava com aquela sensação de que precisávamos ler, ler, ler e ler mais e muito mais para tentar compreender que não poderemos compreender tudo. Seus olhos eram duas bússolas perdidas em algum lugar onde poucos poderiam chegar, mas que queríamos alcançar a qualquer custo. Lembro-me da última vez que falei com Cecim lá no IAP. Ele estava trabalhando na Gerência Geral de Artes Literárias e Expressão de Identidades. Eu havia bebido durante toda a amanhã daquele dia e passei pelo Instituto para pegar um certificado de participação. Eu exalava a álcool e a suor, mas mesmo assim Cecim me atendeu com muito respeito e atenção. Eu havia acabado de entrar em contato com um pouco da obra dele e estava muito arrependido de não ter o feito antes. Ver e ouvir um talento daquele todas as semanas ali e nem sequer saber disso. Naquela última ocasião eu fiz elogios rasgados aos textos do livro que postarei aqui Viagem a Andara oO livro invisível, e como eu estava bastante bêbado, as palavras fluíram fáceis, embora com um leve sotaque cachacês. Ainda pude vê-lo numa certa tarde no banheiro do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Pará, em ocasião de um evento sobre mulheres escritoras paraenses. Mas não houve diálogo.

Segue alguns poemas e uma breve biografia de VICENTE FRANZ CECIM:


Fonte das constelações


Sem semear ossos no fim da tarde
e vindo ao encontro dos teus olhos nos Caminhos das espreitas,
eu busco
o segredo luminoso
da
Tua
Água
Soprando as cinzas,
mais humano que o Limo
Este é o Passo de Sombras
Esta é a Noite em que o céu virá beber nosso rumor de terra
Aqui
Eu espero


Como uma Construção erguida para baixo

rio em Silêncio, e serpentes: A Palavra
interminável
mente
calada
mente de Aves Profundas
e um Carrilhão de Luz
soando na Penumbra dos Seus Olhos,
dAquilo que escurece
as manhãs de cinzas
as pedras dos dedos da Oração
quando o mais Alto se ergue
e depõe o Muro Branco das Idades
como Transparência
no deserto Inundado
dos Teus sonhos: Cílio
da Carne,
e Rumor de Bosque Escuro
Curva dos Lábios
que não dizem - Rio
lá, onde
a Água Escura de um Abismo
Aquele que teve os olhos Selados
já não aguarda a Aurora das Virtudes: o Guardião de Sombras


Aurora das virtudes

Quando a terra se abre aos nossos pés,
quando a terra se abriu aos nossos pés
e vindo a ausência da Ausente, veio a Ausência
do ausente
e A que devorávamos na Sombra estava atrasada, e vindo
a que esperávamos estava atrasada
Caminho lento
que a terra ainda não abrira aos nossos pés
ainda Tantas vezes O teu silêncio e a Pálpebra
que não quis nos ver
Tantas vezes o Conselho: Soluça sem espreitas
Tu me nutriste de Escombros,
como uma construção erguida para baixo
não era os passos
Vocação de Olhos mais Escuros
quando a mão se abriu
para tocar O céu
Não eram os Passos dos que vieram antes


O que passou na Noite e não foi visto

Nada,
e Mais Além
Uma Esperança de Murmúrios




pequena BIOGRAFIA


Vicente Cecim se diz marcado pela obra de Kafka (Foto: Anderson Coelho)
   
VICENTE FRANZ CECIM nasceu e vive em Belém do Pará, na Amazônia, Brasil.Desde que iniciou em 1979 a invenção de Viagem a Andara oO livro invisível, se devota unicamente a essa obra imaginária, que chama de literatura fantasma e diz escrever com tinta invisível. Os livros visíveis que escreve emergem dessa Viagem, ou, segundo o autor, não-livro, ambientados no território metafísico e físico de Andara, transfiguração da Amazônia em região-metáfora da vida. Em 1980, recebeu o prêmio Revelação de Autor da APCA – Associação Paulista de Críticos de Arte, por sua segunda obra, Os animais da terra. Ao longo dos sete primeiros livros de Andara prosseguiu abolindo as fronteiras entre prosa e poesia. Publicados inicialmente pela Iluminuras no volume Viagem a Andara, receberam, em 1988, o Grande Prêmio da Crítica da APCA, nessa década somente atribuído também a Hilda Hilst, Cora Coralina, Mario Quintana e, na seguinte, a Manoel de Barros. Em novas versões, transcriados pelo autor e reunidos nos volumes A asa e a serpente e Terra da sombra e do não, foram reeditados em edição comemorativa, pela Cejup, em 2004. Em 1994, Silencioso como o Paraíso, lançado pela Iluminuras com mais quatro livros de Andara, em que o autor reafirma sua disposição de converter a literatura em pura escritura, foi aclamado por Leo Gilson Ribeiro como “um dos mais perfeitos livros surgidos no Brasil nos últimos dez anos.” Desde então, suas novas obras passaram a ser publicados apenas em Portugal.
Em 2001, a Íman lançou Ó Serdespanto, livro duplo, em que a palavra cada vez mais aprofunda o seu dialogo com o silêncio, aqui reeditado em 2006 pela Bertrand Brasil. Apontado pela crítica portuguesa, no jornal Público, como o segundo melhor lançamento do ano, Cecim foi saudado por Eduardo Prado Coelho como “Uma revelação extraordinária!” K O escuro da semente, que saiu em Portugal pela Ver o Verso em 2005 e tem lançamento previsto, no Brasil, pela Bertrand, inaugurou uma outra fase em sua linguagem, que o autor denomina Iconescritura. Fase que se prolonga em seu livro mais recente, lançado em 2008 pela Tessitura, de 22 Minas Gerais: oÓ: Desnutrir a pedra. Nesta obra, o autor aprofunda sua demanda de uma nova escritura, mesclando palavra, silêncio da página em branco e imagem. Diz que durante esses anos todos, Andara lhe desvelou que “o natural é sobrenatural, o sobrenatural é natural.” Em 2009, a invenção de Andara atingiu 30 anos de criação.


Veja alguns livros do autor Vicente Cecim


 


___________________________ 

FONTE: VIAGEM A ANDARA O LIVRO INVISÍVEL, FONTE DOS QUE DORMEM, Vicente Franz Cecim. E-book (PDF). DOL - Diário Online. "Vicente Cecim fala sobre a relação com a Amazônia". ttp://www.diarioonline.com.br/noticias-interna.php?nIdNoticia=116330. Acessado em: 17/05/2011.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

IV Prêmio Literário Canon de Poesia 2011





O concurso cultural denominado IV Prêmio Literário Canon de Poesia 2011 é promovido pela Canon do Brasil Ind. e Com. Ltda, pessoa jurídica estabelecida na Cidade de São Paulo, inscrita no CNPJ sob o nº 046.266.771/0001-26, pela Fábrica de Livros, selo editorial do Grupo Editorial Scortecci, para autores brasileiros, maiores de 16 anos, residentes no Brasil. 
Tem por objetivo descobrir novos talentos, promover a literatura e difundir a impressão digital de livros no Brasil. Este concurso é exclusivamente de cunho cultural, sem qualquer modalidade de sorte ou pagamento pelos concorrentes, estando aberto à participação de todos que assim o desejarem, sendo promovido pela empresa de acordo com a Lei n. 5768/71 e Decreto 70.951/72.  

REGULAMENTO


Inscrições: até 15 de junho de 2011.
Ao fazer a inscrição, o Autor estará concordando com as regras do concurso, inclusive autorizando a publicação da obra em antologia e responderá por plágio, cópia indevida e demais crimes previstos na Lei do Direito Autoral.
O Autor poderá participar com 1 (uma) POESIA, de no máximo 5 (cinco) mil caracteres. Os trabalhos deverão estar em língua portuguesa, o que não impede o uso de termos estrangeiros no texto.
O tema é livre e a inscrição grátis. A POESIA deverá ter obrigatoriamente um título. Não há necessidade de pseudônimo. Não há obrigatoriedade de ser inédita.
Inscrições somente pela Internet através do Portal Concursos e Prêmios Literários.
A Parceria Canon do Brasil e Grupo Editorial Scortecci escolherão umaComissão Julgadora composta de três membros de renomado prestígio literário e uma Comissão Organizadora que resolverá os casos omissos deste regulamento, se houver.
PRÊMIO:
Publicação da obra em antologia do IV Prêmio Literário Canon de Poesia 2011, selo editorial Fábrica de Livros / Scortecci, reunindo por ordem alfabética, 50(cinquenta) POESIAS e seus AUTORES (minibiografia), conforme seleção e escolha irrevogável da Comissão Julgadora.
Características da obra: 1500 (mil e quinhentos) exemplares, formato 14 x 20,7 cm, com aproximadamente 100 páginas, ISBN e Ficha Catalográfica.
A obra NÃO será comercializada e sua venda proibida.
Os 50 (cinquenta) participantes escolhidos com as melhores POESIAS receberão como prêmio e a título de Direito Autoral, 10 (dez) exemplares da obra, além da divulgação e promoção da poesia pela Canon do Brasil pelo período de um ano em ações de Marketing e Propaganda.

Os livros de direito dos Autores Vencedores serão entregues no dia do lançamento da Antologia, em data e local a ser definido, posteriormente, pelaCanon do Brasil. Os Autores Vencedores que não puderem comparecer ao evento receberão seus livros pelo correio.
CRONOGRAMA:
Inscrições: Até 15 de junho de 2011.
Período de seleção: Julho e Agosto de 2011.
Resultado: Setembro de 2011.
Edição e Impressão da obra: Outubro de 2011.
Lançamento da Antologia, em São Paulo, Capital: Dezembro de 2011.
INFORMAÇÕES:
Telefones: (11) 3032.1179 ou (11) 3032.6501

--------------------------
FONTE


sexta-feira, 6 de maio de 2011

53° Prêmio Jabuti 2011. Agora com 29 categorias!



No ano passado, o prêmio Jabuti foi centro de uma discussão nada bem-vinda que acabou gerando de boicotes e protestos que atingiram não apenas a organização, mas principalmente os vencedores e o público leitor.
Agindo com velocidade, a organização do Jabuti alterou as suas regras se adaptando aos novos tempos. A partir de agora, não serão mais 3 vencedores por categoria, mas apenas um. Essa mudança, por si só, já elimina pela raiz problemas como os que ocorreram na edição passada.
Mas há mais coisas. O valor do prêmio subiu, indo de R$ 123 mil para R$ 147 mil, e 8 novas categorias foram inseridas, incluindo “ilustração”, “Gastronomia” e “Turismo & Hotelaria”.
Para se inscrever, basta que o autor tenha uma obra publicada no ano de 2010, seguindo o regulamento e preenchendo o formulário no próprio site.
As inscrições vão até o dia 31 de maio e você pode concorrer!
Quem quiser participar e competir pelo maior prêmio da literatura nacional pode saber mais informações acessando o endereço http://cbl.org.br/jabuti/
Boa sorte a todos!



-----------------------------------------

FONTE: Time agBook <www.agbook.com.br>


VÍDEO PRÊMIO JABUTI 2010





quinta-feira, 5 de maio de 2011

pegajosas horas















restam-me as horas que ainda
vão me consumir.          

             pegajosas horas.
             tempo que não
             cicatriza coisa
             alguma.

dores adiadas para logo em seguida
serem degustadas.
dolorosamente paciente.

fico com o sabor do café nos lábios,
enquanto as horas passam,
devorando-me paulatinamente.

(walter rodrigues) 
belém-pa, 2006  

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Almoçando no Restaurante Popular




Era um enorme espaço. Na entrada e na saída, portas de vidro. Uma rampa dava acesso aos deficientes de cadeira de rodas e um jovem funcionário guiava os cegos. Inúmeras e idênticas cadeiras e mesas de plásticos ocupavam todo o imenso salão. Um enorme e branco forro PVC, além das habituais lâmpadas florescentes, abrigavam câmeras quase imperceptíveis. Duas grandes televisões exibiam o noticiário local, enquanto vinte ventiladores de parede lentamente negavam algo. E uma fila enorme se estendia da entrada a copa.
- Dois almoços – pediu Raimundo no caixa informatizado.
A impressora imprimiu duas notas amarelas. Passamos em uma catraca eletrônica e continuamos na fila.
- Parece que estão dando comida de graça - comentei.

Raimundo sorriu.
Quando éramos crianças, Raimundo nos aterrorizava com seus porres. Eu devia ter por volta de meus quatorze anos quando Raimundo chegou em casa caindo de bêbado. Ele sempre fazia a maior confusão por besteira. Eu o odiava por isso.
- Carmem! – gritava ele atirando o prato de comida contra a parede. – Esta comida está uma porcaria! Parece que tu nem sabes cozinhar!
Durante meus onze, doze e até treze anos eu suportei os excessos de Raimundo. Eu sempre torci para que minha velha encontrasse alguém capaz de fazê-la esquecer meu pai. Então pareceu Raimundo. Ele não era um cara de todo mal, mas não podia colocar o primeiro copo de cachaça na boca. Depois disso se tornava insuportável e violento. Vovó Conceição já havia avisado que o deixaria com mais furos do que um crivo. Ela provavelmente teria coragem para isso.
Certa tarde Raimundo apareceu como de costume bêbado e valente. Disse ser o Satanás encarnado, e que estava sedento por sangue. O hijo de puta queria nada mais nada menos do que o meu sangue. Mamãe lhe deu uma cagada segura na cabeça, e ele respondeu lançando uma panela de pressão que fervia ao fogo em sua direção. Mamãe recolheu-se para dentro do banheiro e a panela se chocou com força na parede espalhando feijão para todo lado. Ele nos deixaria com fome naquele dia. Caminhei com passos firmes em sua direção e lhe apliquei uns socos seguros na cara. Ele ia recuando em direção a porta à medida que eu lhe aplicava uma série de chutes a altura do abdome. Eu naquela época tinha um chute alto e potente. Então eu o encurralei à porta e lhe apliquei um chute com a palma do pé bem no meio de sua cara bêbada, no que ele chocou-se contra a porta fechada a arrancando do lugar e caindo pesadamente sobre ela na calçada de casa. Certamente o Satanás que estava encarnado em seu corpo havia se transportado para o meu. Eu queria ver o crânio de Raimundo esmagado, e por isso cuidei de ajuntar uma enorme pedra e quando ia lançá-la em sua cabeça, fui impedido por um vizinho que me agarrou pela cintura e me lançou dentro de sua casa me trancando em seguida. E eu andava de um lado para outro gritando para me saltarem, dando chutes na grade que me impedia de liquidar Raimundo que me olhava com um sorriso de escárnio na cara.
Depois daquele episódio, minha velha resolveria mudar-se do bairro. Ela me explicava que Raimundo era um digno de pena, que a culpa não fora dele e sim de Tia Maria por ficar inventando fofocas a respeito dele. Que a panela de pressão ele não jogou para pegar nela, que deveríamos oferecer uma segunda chance para as pessoas, que Raimundo mudaria, ele estava arrependido e até estava freqüentando as reuniões do A.A. Quanto mais ela falava mais ódio eu sentia dele e mágoa dela. E numa manhã ela arrumou suas coisas e de Vitória num caminhão e partiu para nunca mais voltar a morar ali. 

Restaurante do Povo assim se chamava o lugar. O programa que visava erradicar a fome no país não obteve os resultados esperados, e ainda havia muita gente passando fome. Aquele restaurante popular fazia parte do programa. De qualquer forma, ele diariamente erradicava a fome de milhares de trabalhadores do comércio. Para todos os lados se via gente com seus uniformes. Uns usavam vermelho, outros amarelo, outros azuis. Enfim, cores demais para meus olhos.
Dois reais e alguns minutos na fila eram o preço. Com dez reais se dava pra comer cinco dias ali. Eu não gostei de ficar na fila.
E as pessoas comiam e conversavam, mais conversavam do que comiam. Vozes velozes vagamente decifráveis violentavam meus ouvidos. Por que as pessoas falavam tanto? Talvez para dar escape a alguma forma de pressão.
O lugar era terrivelmente asséptico. Você poderia beber água nos sanitários sem problema algum. Eu não estava com sede.
Então seguimos até a copa, vagarosamente. A fome aumentava, e eu observava. Entreguei minha nota e peguei uma bandeja de alumínio, os talheres e um copo plástico. Pousei minha bandeja num balcão de alumínio e caminhei de atendente a atendente.
Duas colheres de picadinho com batata, uma de macarrão e uma banana. Raimundo tentou pegar uma banana a mais. Não conseguiu.
- É uma pra cada – disse-lhe a atendente, rispidamente.
Raimundo trajava uma camisa branca de botões amarelados, calça jeans e um par de sapatos preto. A barba por fazer, os cabelos cortados rente ao couro cabeludo e sua pele escura tinha um aspecto patologicamente amarelada. Ele estava se recuperando de uma enfermidade. E eu não ia de forma alguma com sua cara. Na realidade eu não ia com a cara de quase ninguém. Mas, no caso dele eu tinha motivos de sobra para não ir. Encontramos-nos por acaso naquela manhã. Ele estava tentando uma indenização por acidente de trabalho, e eu estava tentando conseguir um emprego. Sim, um emprego. Uma amiga de Vovó Conceição trabalhava na casa do dono de uma empresa de informática como doméstica. E como eu tinha cursos relacionados, minha avó pediu para que sua amiga levasse o meu currículo e desse uma “forcinha” junto ao seu patrão. Ela garantiu que conseguiria alguma coisa ainda naquela semana. Pois, a esposa de seu patrão, era-lhe uma grande amiga, uma coração sem tamanho.
Então Raimundo convidou-me para almoçar. Eu aceitei.
Sentamos e comemos em silêncio, enquanto as vozes mescladas soavam como milhares de abelhas dentro de minha cabeça.
- Já vou, Raimundo – disse-lhe após a refeição.
- Já?!
- Já. Obrigado.
- E o emprego?
- Volto lá depois... o patrão não tava no escritório... Disseram-me que ele retornaria depois do almoço.
- Ainda é cedo.
- Eu sei... Vou matar o tempo na biblioteca.

Na avenida Presidente Vargas o movimento era intenso. Muitas pessoas indo. Muitas pessoas vindo. Eu ia pra uma entrevista de emprego e vinha da Biblioteca Pública do Estado. O sol nos dissolvia e as mangueiras compensavam com suas frondosas sombras. Havia túneis de mangueiras em muitas vias de Belém. Para todos os lados havia olhos, olhos que não enxergavam. Olhos civilizados.
Então eu enxerguei um senhor sentado na frente de uma loja. Ele parecia absolutamente concentrado em uma caixinha de papelão pousada sobre suas pernas. Constantemente ele arrumava algo no fundo da caixa. Aproximei-me e vi dois cachorrinhos. Eram dois belos cachorrinhos: um branco e um bege. Ignorava a raça dos dois. Deviam ser da mesma raça.
- O jovem quer compra um? – perguntou-me o senhor moreno e grisalho de olhos amendoados.
- Estou liso – respondi.
- Hum...
- São lindos.
- E são mesmo. A mãe deles teve sete! Uma bela barrigada. Quase todos machos. Estes dois aqui são fêmeas... Ninguém quase compra as fêmeas.
- Dão trabalho.
- Mas é só vacinar e aí elas não embucham.
- De qualquer forma dão trabalho. Eu gosto muito de cachorros, mas não gosto de ter trabalho.
- E quem é que gosta?
- Até mais, senhor.
- Até.
E subi, lentamente, a Presidente Vargas rumo ao escritório para mais uma de minhas entrevistas de emprego. Dessa vez eu havia sido indicado e falaria direto com o patrão. Entretanto, eu não tinha a menor esperança de conseguir. Talvez por não querer conseguir.

--------------------------------------------------
Capítulo 24 extraído do romance "Correndo atrás", Walter Rodrigues. Ed. Multifoco, RJ, 2009 

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Congresso reúne especialistas em Letras


Centro de Convenções da UFPA abrigará parte da
programação do III CIELLA



por Jéssica Souza /Abril 2011
foto Alexandre Moraes



Cerca de mil pessoas do Brasil e do exterior são esperadas para a terceira edição do Congresso Internacional de Estudos Linguísticos e Literários na Amazônia (III CIELLA), o qual acontecerá na Universidade Federal do Pará (UFPA), entre os dias 18 e 20 de abril. Com o tema "Estudos Literários e Linguísticos, Histórias e Perspectivas", o evento tem como objetivo gerar uma grande interlocução sobre os rumos das pesquisas na área de Letras, para, com isso, formular um diagnóstico e um prognóstico acerca da produção científica em Linguística e Literatura na Amazônia, no Brasil e no mundo.

Mesas-redondas, conferências, palestras, minicursos e apresentações de trabalhos estão previstos na intensa programação, que ocorrerá, simultaneamente, no Centro de Eventos Benedito Nunes, nos auditórios setoriais e de institutos, como o Instituto de Letras e Comunicação (ILC) e o Instituto de Ciências Jurídicas (ICJ). O CIELLA é organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da UFPA, programa misto nas áreas de Linguística e Estudos Literários,  coordenado pelo professor Sílvio Augusto de Oliveira Holanda.
De acordo com o coordenador, o Congresso foi criado intencionalmente "na" e "para" a Amazônia. "Para Amazônia, porque a região precisava de um evento desse porte a fim de que alunos e professores da área pudessem contar com um canal para publicação e divulgação de suas pesquisas. Já a preposição 'na' foi escolhida de modo deliberado no lugar de 'da' Amazônia com o intuito de frisar que o CIELLA deve abordar temáticas que partem do enfoque amazônico, mas abarcam motivos mais amplos, de caráter inter e multidisciplinar", destaca Sílvio Holanda.
Áreas afins, como Cinema, Comunicação Social e Artes Plásticas, ou que dialogam com a Linguística e a Literatura, como Sociologia, Antropologia e História, também estarão representadas no evento, por meio dos eixos norteadores das diversas modalidades de apresentações. A Filosofia, por exemplo, será ressaltada durante homenagem, na mesa oficial de abertura do Congresso, ao saudoso professor emérito da UFPA, filósofo e crítico literário Benedito Nunes, falecido no dia 27 de fevereiro, em Belém, aos 81 anos.

Participantes podem fazer inscrições até o dia 18

Até março de 2011, já havia 500 comunicações de alunos inscritas na programação. Língua portuguesa e questões do âmbito da fonologia, morfologia, semântica, como também línguas estrangeiras e línguas indígenas estarão entre os assuntos apresentados. A grande novidade deste ano é a discussão em torno da Linguagem em Libras, tema de trabalhos sobre ensino-aprendizagem a serem trazidos por especialistas da área de Linguística. "Hoje, o profissional de Letras é obrigado por lei a ter formação em Libras, discussão vital e oportuna para o CIELLA 2011", destaca Sílvio Holanda.
Em Literatura, há grande concentração de trabalhos na temática das narrativas orais, uma vez que o Congresso está sediado na Amazônia. "Além disso, há, ainda, trabalhos na área da Literatura Comparada, que traz para análise autores locais colocados em contraponto com autores e teorias mundiais, como a perspectiva latino-americana de literatura", complementa o coordenador.
As inscrições para apresentação de trabalhos estão encerradas. Para participar do evento como ouvinte, estudantes de pós-graduação, de graduação e do ensino médio podem se inscrever até o dia da abertura, 18 de abril, pelo site http://www.3CIELLA.ufpa.br. Profissionais de Letras ou de áreas afins também têm a opção de apresentar relatos de experiências em torno das temáticas do Congresso.
Pesquisadores da América do Norte, como dos Estados Unidos; e da Europa, como de Portugal, França e Itália, estão com conferências previstas na programação, além de professores colaboradores de universidades brasileiras.

Artigos estarão em revista

Na categoria sessões temáticas, foram definidos dez subtemas, entre eles: "Poéticas orais e saberes interculturais"; "Literatura, arte e educação em diálogo: mapeando o ato didático criador"; "Escrita de professores em formação";  "Classes de palavras e relações espaciais em línguas indígenas brasileiras e áreas adjacentes"; "A correspondência das artes" e "Produção, circulação e recepção de textos ficcionais no Brasil".
A palavra-chave é diversidade: de temas, de público, de sugestões sobre os rumos que a pesquisa na área pode seguir a partir desses debates. "São propostas bem ricas em temas e abordagens que possibilitarão aos participantes do evento uma radiografia das pesquisas em torno das Letras", afirma Sílvio Holanda. Até mesmo relações inusitadas, como a da Literatura com o futebol, estão no páreo das temáticas propostas por meio do minicurso a ser ministrado pelo professor Elcio Loureiro Cornelsen, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Há, no total, seis opções de minicursos. Além do "Futebol, Linguagem e Artes", são eles: "Tudo que você quer saber sobre documentação por meios digitais"; "Compreensão e produção oral em Línguas Estrangeiras"; "Gêneros da poesia popular nordestina"; "Tipologia e universais linguísticos" e "Técnicas de documentação linguística".  Os minicursos poderão ser escolhidos pelo participante no ato do credenciamento no Congresso, sem nenhum custo adicional. Há vagas para até 300 pessoas.
Segundo o professor Sílvio, o contato com pesquisadores de universidades nacionais e estrangeiras é o carro-chefe deste evento, uma vez que, a partir daí, podem surgir parcerias para publicações ou formação de grupos de pesquisas, colaboração bibliográfica e efetiva produção científica. Além disso, o Congresso servirá de canal para que o aluno da pós-graduação encontre um espaço propício para divulgar suas produções. A meta da coordenação é poder editar uma revista temática com a produção decorrente de todo o evento.

Cenário favorável à pesquisa

O CIELLA ocorre a cada dois anos e teve sua primeira edição realizada em 2007. O evento nasceu como desdobramento da Jornada de Estudos Linguísticos e Literários, promovida pelo Mestrado em Letras da UFPA, em nível local. A ideia era transformar esse encontro em que os alunos apresentavam suas pesquisas em um grande congresso, uma vez que o caráter internacional do evento traria maior apreço aos trabalhos dos mestrandos.
Desde então, todas as edições do evento têm contado com extensiva participação. "O Congresso já se consolidou no cenário científico das Letras, pois já tem público estável e propósito bem definido - oportunizar a publicação"-, sintetiza Sílvio Holanda, coordenador geral da terceira edição do evento.
O porfessor destaca que o cenário amazônico para as pesquisas em Letras é relativamente favorável, porque, apesar da grande assimetria com as demais regiões do Brasil, o Norte ainda conta com alguns privilégios, por exemplo, uma cota nas linhas de financiamento das agências de fomento, como Capes e CNPq.
"Isso permite ao professor da Amazônia ter maior acesso à linha de investimentos. Não basta somente ser um bom pesquisador, é preciso transformar o talento intelectual em produção efetiva, a qual, somada à produção dos alunos, poderá, a médio prazo, nos permitir oferecer um Doutorado em Letras na região, o qual seria o primeiro de todo o Norte", afirma o pesquisador.
A meta é obter, de imediato, o conceito 4 na avaliação da Capes, que, atualmente, avalia o Programa de Pós-Graduação em Letras com a nota 3, em uma escala de 0 a 7. "Os professores estão fazendo a sua parte, cabe, agora, aos alunos também produzirem artigos, sendo o CIELLA oportunidade ímpar neste sentido", conclui Sílvio Holanda.

Serviço: Para informações completas sobre programação, convidados confirmados, inscrições, passeios turísticos e hospedagens, acesse o site do evento: http://www.3CIELLA.ufpa.br.


-----------------------------------------

FONTE: Beira do Rio - Jornal da Universidade Federal do Pará. Ano XXV Nº 93, Abril de 2011 ISSN 1982-5994