segunda-feira, 10 de maio de 2021

Por que a literatura negra é importante



Por Dr. Maxine Thompson*


Quando publiquei meu primeiro romance, The Ebony Tree, nunca esquecerei como descobri depois que minha sobrinha então, de 23 anos, correu pela casa e gritou de tanto rir, depois de ler o livro. Agora, veja você, minha sobrinha sempre foi uma leitora ávida de romances brancos desde o início da adolescência, mas ler meu livro foi como pousar em Marte para ela. Ela teria perguntado à mãe: "Mamãe, a tia Maxine inventou isso? Vocês realmente 'jogaram branco'?" Minha cunhada disse a ela: "Não apenas jogamos branco, nós sonhamos em branco. Isso é tudo que já vimos nos livros ou na TV eram personagens brancos. Parecia que eles tinham toda a diversão. "



Normalmente, a maioria dos negros cresceu nos anos 50 com fotos na parede de Jesus branco, Papai Noel branco e até anjos brancos. Não havia nada na mídia ou nos livros que refletisse a beleza da escuridão. Desnecessário dizer que, se houvesse livros além da Bíblia em casa, não eram livros Negros. Enviou uma mensagem silenciosa de que Black era feio e branco era lindo. Essa foi uma experiência tão negativa quanto quando a leitura era proibida aos escravos.

Avanço rápido de quase meio século. Eu sei, por educação de meus filhos, que agora são todos adultos, que ter livros de negros em casa foi, e continua sendo, uma boa influência em sua auto-estima e confiança. Quando uma pessoa se vê refletida na literatura que lê, indiretamente ajuda a construir uma melhor autoimagem. Pois, na literatura, encontramos nossos modelos de comportamento, nossos arquétipos com os quais podemos aprender lições de vida. Mais especificamente, na literatura afro-americana, as histórias são relevantes para a experiência negra neste país. Essas experiências variam de pessoas vindas de diferentes classes socioeconômicas, de regiões urbanas a rurais, a diferentes profissões. Freqüentemente, levamos a história da pobreza à riqueza de Alger Horatio à sua reversão, a história da riqueza à pobreza.

"Escritores negros em ascensão", gritavam as manchetes. Eu acreditei neles. Afinal, vendo os diferentes gêneros de livros afro-americanos nas livrarias locais, predominantemente negras, quem não pensaria isso? As coisas não melhoraram para nós, escritores negros, desde o final dos anos 1980? No entanto, depois de participar da Book Expo of America (antiga American Book Association) realizada em Los Angeles, Califórnia, no final de abril de 1999, tive um rude despertar. Por ter visto todos os livros das livrarias predominantemente negras espalhadas por LA, eu fui levado a uma falsa sensação de complacência por nós, como escritores afro-americanos, estarmos sendo publicados na mesma taxa que os livros convencionais. Para dizer o mínimo, fiquei desiludido.

Sim, a Book Expo de 1999 foi uma grande revelação. A má notícia é esta: nossos problemas (como escritores afro-americanos) estão longe do fim. Quando comparei os livros representados pelas grandes editoras, vi que a porcentagem de livros negros é infinitesimalmente pequena em comparação com a de outras raças. Não quero ser um adivinho, mas sinto que o número de livros afro-americanos pode desaparecer como aconteceu após a Renascença do Harlem, após o final dos anos 40 e após a Revolução dos anos 60, se não assumirmos o controle de nossas próprias palavras escritas.

No entanto, a boa notícia é esta. O aumento que é testemunhado no número de livros afro-americanos pode ser atribuído, em geral, não apenas a mais editoras negras, editores negros, mas a livros autopublicados. Dado o advento da editoração eletrônica, da Internet e dos clubes de livros negros, muitos escritores estão assumindo o controle de nossos destinos e se fortalecendo publicando nossas próprias histórias.

Portanto, considere essas questões. De que outras maneiras ter mais livros negros ajudou? É mais fácil ser publicado pelo mainstream como um escritor negro, em um mercado editorial apertado? Por que a autopublicação é tão importante, especialmente para escritores negros, se você não pode ter seus livros publicados pelo mainstream? Para encorajar outros escritores a escrever suas histórias, aqui estão algumas das coisas boas que a literatura negra trouxe para este país.

1. Salvação. Parafraseando Toni Cade Bambara, a ficção arrebata você do precipício como uma pessoa negra na América.

2. Continuidade com seus ancestrais. Parafraseando Toni Morrison, "Se você não está escrevendo sobre a Vila de onde você veio, não está escrevendo sobre nada."

3. Um público leitor que deseja ver histórias que reflitam sua realidade.

4. Uma forma de restaurar a história que não podia ser escrita no passado.

5. Uma forma de levantar a próxima geração através da palavra impressa, além da nossa tradição oral, que se reflete no rap, no hip hop e na poesia.

6. Uma forma de promover a compreensão racial para outros grupos étnicos. Aprendo muito sobre outras partes da Diáspora quando leio livros de haitiano-americanos, ou quando leio literatura sino-americana, ou qualquer outra literatura cultural.

Recentemente, uma professora me disse em uma sessão de autógrafos, que um estudo foi feito em sua escola. Verificou-se que todas as menininhas negras disseram que sua imagem de beleza ainda era uma criança loira de olhos azuis. Imagine! Isso foi em dezembro de 1999! Isso me lembra a história trágica do livro de Toni Morrison, The Bluest Eyes, em que a açoitada criança negra, Pecola, enlouqueceu, tudo porque ela queria olhos azuis. O cenário deste livro foi por volta de 1940.

Meu ponto é este. Se continuarmos escrevendo nossas histórias, nós, como escritores afro-americanos, talvez nunca tenhamos paridade no mundo dos livros. Mas, ao mesmo tempo, não teremos outra geração de garotinhas negras brincando de branco, como minhas amigas e eu fizemos, com lenços e toalhas cobrindo nossos cabelos, o que achamos que não era bonito o suficiente. Ou talvez, não vamos ter meninas enlouquecendo como a Pecola fictícia fez.



*A Dra. Maxine Thompson é autora, agente literária, treinadora literária, ghostwriter e apresentadora de programas de rádio na Internet. Você pode enviar um e-mail para ela em maxtho@sbcglobal.net. Você pode se inscrever para receber um boletim informativo gratuito em http://www.maxinethompson.com

Confira o preço e onde comprar o livro The Ebony Tree:


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Imagem de TréVoy Kelly por Pixabay

Tradução para o português: Versos Rascunhos.

Fonte consultada: ArticlesFactory.com


quinta-feira, 29 de abril de 2021

Conheça o Portal Domínio Público do Governo Federal

o que é o site domínio público

Página Inicial do Portal Domínio Público


 O "Portal Domínio Público", lançado em novembro de 2004 (com um acervo inicial de 500 obras), propõe o compartilhamento de conhecimentos de forma equânime, colocando à disposição de todos os usuários da rede mundial de computadores - Internet - uma biblioteca virtual que deverá se constituir em referência para professores, alunos, pesquisadores e para a população em geral.

Este portal constitui-se em um ambiente virtual que permite a coleta, a integração, a preservação e o compartilhamento de conhecimentos, sendo seu principal objetivo o de promover o amplo acesso às obras literárias, artísticas e científicas (na forma de textos, sons, imagens e vídeos), já em domínio público ou que tenham a sua divulgação devidamente autorizada, que constituem o patrimônio cultural brasileiro e universal.

Desta forma, também pretende contribuir para o desenvolvimento da educação e da cultura, assim como, possa aprimorar a construção da consciência social, da cidadania e da democracia no Brasil.

Adicionalmente, o "Portal Domínio Público", ao disponibilizar informações e conhecimentos de forma livre e gratuita, busca incentivar o aprendizado, a inovação e a cooperação entre os geradores de conteúdo e seus usuários, ao mesmo tempo em que também pretende induzir uma ampla discussão sobre as legislações relacionadas aos direitos autorais - de modo que a "preservação de certos direitos incentive outros usos" -, e haja uma adequação aos novos paradigmas de mudança tecnológica, da produção e do uso de conhecimentos.

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sábado, 24 de abril de 2021

Como abreviar palavras – regras e exemplos

 

A regra básica para abreviar palavras é escrever a primeira sílaba + a primeira letra da segunda sílaba + ponto abreviativo. Se a primeira letra da segunda sílaba for uma Volga, escreve-se até a consoante. Porém, as palavras abreviadas devem ter a metade ou menos da metade da palavra original.

Exemplos:
Adjetivo – adj.
Numeral – num.

Veja outras regras de abreviação de palavras:

- Caso a segunda sílaba tiver 2 consoantes, elas farão parte da abreviatura.

Exemplos:
Secretário – secr.
Pessoa – pess.

- Palavras com acento gráfico serão conservadas se cair na primeira sílaba.

Exemplos:
Médico – méd.
Número – num.

- Abreviaturas internacionais não são colocadas o ponto abreviativo.

Exemplo:
Quilometro – km
Metro – m
Quilolitro – kl
Quilowatt – kW

- Existem palavras que não seguem regra geral de abreviatura.

Exemplos:
Apartamento – ap. ou apto.
Companhia – Cia.
Caixa – cx.
Folha – f. ou fl. ou fol.
Idem – id.
Ilustríssimo – Ilmo.
Limitada – Ltda.
Página – p. ou pág.

Caso precise estudar abreviaturas para prova procure todas as palavras que se enquadram nas exceções, pois a lista é grande.

Obs:
Evitar usar abreviaturas em provas, trabalhos, redação ou artigos.

sexta-feira, 23 de abril de 2021

Ortoépia e Prosódia no dia a dia


No dia a dia, é comum observarmos que muitas pessoas se confundem ao empregar certos termos da língua. A ortoépia trata da pronúncia correta das palavras enquanto a prosódia trata da correta acentuação tônica das palavras. Essas duas palavras são estranhas e confundem bastante os estudantes na hora da avaliação. No entanto, vamos verificar como a ortoépia e prosódia estão presentes no nosso linguajar diário.

ortoépia trata da pronúncia correta das palavras, então quando as palavras são pronunciadas incorretamente, comete-se cacoépia. Digamos que ao invés de você pronunciar a palavra estupro, você pronuncie “estrupo”.  Cometeu-se uma cacoépia, ou seja, um erro de pronúncia de uma palavra.

Outros exemplos:

– “adevogado” em vez de advogado.
– “estrupo” em vez de estupro.
– “cardeneta” em vez de caderneta.
– “peneu” em vez de pneu.
– “abóbra” em vez de abóbora.
– “prostar” em vez de prostrar.

A prosódia trata da correta acentuação tônica das palavras. Cometer erro de prosódia é transformar uma palavra paroxítona em oxítona, ou uma proparoxítona em paroxítona etc. Veja os exemplos a seguir. Esses erros são muito comuns em redação.

– “rúbrica” em vez de rubrica.
– “sútil” em vez de sutil.
– “côndor” em vez de condor.

Como vocês perceberam a Ortoépia e Prosódia estão bastante presente no dia a dia.

Fonte: https://curiosidadesinteressantes.com.br/ortoepia-e-prosodia-no-dia-a-dia/

sábado, 20 de outubro de 2018

Conheça a Editora Itacaiúnas



A Editora Itacaiúnas, fundada no ano de 2014, é voltada principalmente para publicação de livros, prestação de serviços editoriais e gráficos. Nosso foco editorial prioriza publicações de autores que tenham como base teórica uma abordagem interdisciplinar, voltada para as questões das áreas das ciências humanas, tecnológicas e ambientais. 
Missão
Prestar serviços e oferecer produtos destinados a atender às demandas de seus clientes com qualidade, comprometimento, respeito, confiabilidade e agilidade para sanar dúvidas. Além de promover eventos que valorizem a cultura e a arte nacional através de seletivas e concursos para compor a publicação de títulos inéditos.
VisãoSer uma opção viável, inovadora e acessível a todas as pessoas que desejam publicar, divulgar e comercializar os seus trabalhos acadêmicos, literários, técnicos e etc com suporte impresso e/ou virtual.
ValoresCompromisso, ética, dedicação, confiabilidade, inovação e respeito.
Conselho editorial
Contamos com Conselho Editorial formado por doutores e mestres atuantes em diferentes Instituições de Ensino Superior do Brasil e do mundo.
Sobre a palavra/ nome itacaiúnas
Itacaiúnas é um rio brasileiro, que nasce no estado do Pará na Serra da Seringa no município de Água Azul do Norte, e é formado pela junção de dois rios, o Rio da Água Preta e o Rio Azul. Desemboca na margem esquerda do Rio Tocantins, na sede da cidade de Marabá.


Para conhecer nosso trabalho basta acessar:
http://www.editoraitacaiunas.com.br


quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Talvez tudo isso seja sobre ir em frente até não poder mais...




A noite gira devaneios obtusos em espirais nicotinadas.
O meu copo se recusa a esvaziar nessas idas e vindas de recordações fragmentadas.
É retrocedendo que se avança com saltos e piruetas espiraladas.
O mesmo caminho que vai  não é o mesmo que volta.
O que vai sempre retornará, mas sempre retornará diferente.
O que foi, o que é e o que ainda será são faces de uma mesma moeda que gira no vácuo,
Infinitamente, duas faces mescladas pela velocidade centrípeta.
Quem nós somos de fato? Um amontoado de antecedentes, cravados de incertos posteriores inefáveis. Queremos e achamos ser mais do que realmente somos. E o que somos? E que diferença isso faz?
Talvez tudo isso seja sobre ir em frente até não poder mais...

(Walter Rodrigues)

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Era mais uma daquelas tarde de chuva na cidade



Era mais uma daquelas tardes de chuva na cidade. O trânsito intenso e lento fazia com que as horas em contra gotas passassem. Tudo era uma mescla de apatia e resignação. Os ônibus passando lotado para os municípios de entorno a Belém. Seguíamos para Ananindeua, Marituba, Santa Bárbara, Benevides, Benfica... Era assim cotidianamente na Região Metropolitana de Belém. Um vai-e-vem enfadonho e banalizado.  Restava-nos olhar pela janela ou nos espremermos entre bundas, pernas e sovacos fedorentos nos ônibus lotados e abafados.  O olhar das pessoas era um deserto profundo de solidão, cansaço e conformidade. Havia apenas um desejo latente: chegar em casa.
Foi quando um senhor de meia idade sentou-se ao meu lado. Eu havia conseguido a sorte grande de pegar um ônibus quase vazio.
- Vou sentar aqui do seu lado, mas não vou incomodar seus estudos – falou-me o senhor sentando-se e arrumando suas sacolas de compras entre suas pernas.
Assenti com a cabeça e continuei rabiscando um texto que jamais conseguiria finalizar ali.
- Posso te fazer uma pergunta? – virou-se para o meu lado o senhor com gestos imperativos.
Novamente assenti com a cabeça e tentei batalhar mais algumas palavras no meu caderno de anotação.
- Acho isso que está acontecendo muito injusto! – enfatizava ele com profundo sentimento na entonação de sua voz arrastada. Ali comecei acreditar que aquele autêntico senhor estava um tanto quanto embriagado.  
Fechei meu caderno e olhei para ele com profunda compaixão e interesse na sua dor pessoal. Eu ainda continuava a ser uma maldita esponja de sentimentos alheios.
- Depois de tudo que o presidente Lula fez e toda essa coisa que tão falando dele ai. Não é justo. Minha filha vai se forma em Geologia esse ano e viajou pra fora do país graças ao governo dele. Nunca um filho de pobre teve essa chance que teve agora... Não é justo!
Ele realmente estava muito abalado com o cenário político do Brasil naquele momento. E tinha na figura do governo algo bastante positivo, paternalista e sua insatisfação era muito grande.
- Eu sou operário, ganho menos de um salário por mês – continuou ele agora aos berros – e mesmo assim minha filha vai se forma! O Fernando Henrique que é estudado não é chamado pra dar palestras na Europa, mas o Lula que é um quase analfabeto é convidado pelas melhores universidades do mundo pra falar. Isso que é a raiva deles! Isso que eles não engolem!
A situação era bastante inusitada. Meu caderno já estava fechado fazia alguns minutos. Eu sabia que ele não pararia de falar.
Apanhar esses ônibus que vem da Universidade Federal é bastante complicado. As pessoas pensam que porque estamos com o caderno aberto ou com um livro aberto ou com mochila somos um acadêmico de merda.  E o pior é quando passamos a viagem inteira ouvindo estudantes empolgados a falar rasteiramente o que leram em suas apostilas tiradas na cópia como se fossem coisas mais importantes do mundo e fruto de um intenso estudo sobre.
- Qual é o seu nome, rapaz – perguntou-me ele.
No que eu rapidamente respondi: - Álvares, senhor...
- Pois bem, Álvares. Você não concorda comigo? – fuzilou-me ele com essa pergunta e com o seu olhar bastante vidrado e cheio de certezas absolutas sobre o que falava.
Apenas olhei para ele e baixei a cabeça. Eu odiava todo o sistema político nacional e acreditava que somente uma radical estruturação desse sistema de governar poderia de fato dar em alguma mudança. Mas naquele momento eu só queria escrever sobre a lógica realista descritas pelas putas do centro da cidade de Belém e sobre a calmaria que é beber uma gelada às margens da Baía do Guajará na orla do Ver-o-Peso às 5:30 horas da tarde.
- Você nem parece que é da Universidade! – esbravejou ele – Não sabe discuti política! Qual é o seu problema, rapaz? Que olhar triste é esse? Você não é um derrotado.
- Acho que eu não estou em uma competição. Eu não busco ganhar algo, ser um vencedor na vida. Deixo isso para os outros. O senhor não acha que tem gente demais querendo vencer na vida?
- Você faz que curso na Universidade?
- Nenhum. Não confio no conhecimento universitário. Pois tudo que forma, forma alguma coisa num molde. Definir o que as pessoas são é nojento, injusto e imoral. Eu me recuso ser rotulado como produto e vendido no mercado de trabalho como peça para alavancar todo esse sistema podre que estamos vivendo hoje.
- Você não diz coisa com coisa. Eu até que tava meio que porre, mas já até fiquei bom. Você, Álvares, precisa de umas boas doses de cachaça e principalmente de uma boa trepada com uma boa boceta. Vou descer aqui antes que eu dei um pau nessa tua cara de lua cheia, seu doido.

E assim aquele nobre senhor desceu o coletivo sem olhar pra trás. Suas palavras finais mexeram comigo e eu só pensava seriamente que talvez eu estivesse realmente precisando de uma boa trepada...

(Walter Rodrigues)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Crônica de uma tarde sóbria

Falávamos de nossas aventuras memoráveis, de porres homéricos, das inúmeras vezes em que vimos a cara da morte e de quanto ela era viva.
Falávamos também das incontáveis vezes que íamos procurar empregos. De como era foda a vida de trabalhador assalariado.
Ríamos bastante de cada lembranças nostálgicas que eram nossas aventuras quixotescas. Enquanto a garrafa de refrigerante ia pelo final.

Victor então falou-me:

- Foram tempos inesquecíveis que nunca mais vão voltar...

Enquanto ouvia eu enxugava as lágrimas dos risos, olhando os raios de sol sumindo por detrás das nuvens daquele final de tarde sóbria.