sábado, 19 de fevereiro de 2011

O fazer literário de Bukowski


Charles Bukowski
(1920-2004)


Conheci Bukowski em 2007 através de um comentário feito a um conto meu no ano de 2005. Não entrei em contato de primeira com o texto. Perdi muito tempo procurando o nome Bukowski nas prateleiras da biblioteca relacionada aos russos; na internet, na época, sequer existiam citações bibliográficas do autor, então o esqueci por completo me concentrando nas minhas leituras de Machado de Assis e Clarisse Lispector, também bons demais, diga-se de passagem.
Numa das minhas idas rotineiras a biblioteca para devolver livros e pega mais, vi o título de um filme no cartaz de um cinema com uma foto que me chamou muita atenção: um homem sentado junto a uma mesa mais um imenso copo de cerveja, escrevendo de forma compenetrada num bloco de papel a sua frente enquanto uma stripper banhada de luz vermelha pousava ao fundo do cartaz em cima de um palco junto a um poste. Achei a cena bastante familiar e me aproximei para ler as informações do filme, e para minha surpresa, lá estava um trecho: "baseado na obra homônimo de Charles Bukowski". O fodido era um escritor americano a final de contas, eu pensei. Foi amor à primeira cena que se incendiaria quando os primeiros parágrafos do romance “Misto-quente” fossem devorados com a sede de um náufrago. “Misto-quente” se junto à “On the Road”, Kerouac, “Por quem os sino dobram”, Hemingway, “O apanhador no campo de centeio”, Salinger, “Suave é a noite” Fitzgerald entre tantos outros que vieram como um banquete à minha apetite voraz por algo completamente diferente daquilo que eu já tinha lido da literatura nacional e muito da internacional (exceto a dos EUA, por puro preconceito meu na época) mudou minha percepção de literatura pra sempre.
Bom, falar de Bukowski é falar de muitas coisas profundas em relação a nossa condição com ser social, moral e humana. Junto a Nietzsche tenho Bukowski como os maiores sondadores da alma humana. É melhor eu colocar um ponto final nesta nota e deixá-los com um cara que realmente manja bem o autor, o tradutor Pedro Gonzaga.

Boa leitura,

Walter Rodrigues. 



PREFÁCIO PARA O ROMANCE MISTO QUENTE DE CHARLES BUKOWSKI*



Bukowski é, atualmente, autor bastante conhecido do público brasileiro. Pelo menos uma dezena de obras suas estão traduzidas, e boa parte dos títulos disponíveis no mercado faz parte do catálogo da Coleção L&PM Pocket. Ao mesmo tempo, porém, Bukowski ainda não conseguiu se livrar do estigma de autor de segunda linha, de segundo time, um autor cujo mérito só poderia ser encontrado por leitores desajustados, inexperientes ou por jovens que vêem na literatura do autor de A mais linda mulher da cidade, direta e sem pejos, a oportunidade de encontrar situações e descrições que, em certo aspecto, parecem próximas da realidade em que vivem. E assim se estabeleceu um equívoco perdoado ao leitor comum, mas que muitas vezes é mantido pelos próprios críticos literários.
Em primeiro lugar, Charles Bukowski não é personagem-narrador de seus textos. Seus personagens são criações literárias, invenções elaboradas e não simples colagens da vida do autor. O forte caráter autobiográfico que pode, com certeza, ser encontrado ao longo de toda obra é somente meio e nunca fim. Tanto o velho safado como Henry Chinaski são alter egos ficcionais.
Em segundo lugar, a simplicidade aparente do texto, a narração direta dos eventos (tão cara a ficção americana) é ardilosamente arquitetada por um autor que domina perfeitamente as técnicas de um fazer literário. Ou seja, toda a fluência pregada pelos personagens de escritor criados por Bukowski, ainda que espelhos dele próprio – e não há reflexo mais enganoso -, é uma construção elaborada, dissimulada pelo louvor à bebida e a escrita não-convencional. Os palavrões, a escatologia, os porres homéricos são mentiras que nos convencem da verdade, mentiras que nos fazem acreditar, mentiras que tornam nossas próprias misérias suportáveis, mentiras que são a base primeira da literatura, lembrando a vigorosa idéia de Vargas Llosa.

Pedro Gonzaga

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* Texto extraído da tradução de Pedro Gonzaga da obra de Bukowski intitulada, no original, "Ham on rye" e traduzida para o nosso idioma "Misto Quente" pela editora L&PM Pocket.


UM POUCO DE BUKOWSKI


Nasceu em Andernach, na Alemanha, a 16 de agosto de 1920, filho de um soldado americano e de uma jovem alemã. Aos três anos de idade, foi levado aos Estados Unidos pelos pais. Criou-se em meio à pobreza de Los Angeles, cidade onde morou por cinqüenta anos, escrevendo e embriagando-se. Publicou seu primeiro conto em 1944, aos 24 anos de idade. Só aos 35 anos é que começou a publicar poesias. Foi internado diversas vezes com crises de hemorragia e outras disfunções geradas pelo abuso do álcool e do cigarro. Durante a vida, ganhou certa notoriedade com contos publicados pelos jornais alternativos Open City e Nola Express, mas precisou buscar outros meios de sustento: trabalhou 14 anos nos Correios. Casou, se separou e teve uma filha. É considerado o último escritor “maldito” da literatura norte-americana, uma espécie de autor beat honorário, embora nunca tenha se associado com outros representantes beat, como Jack Kerouac e Allen Ginsberg.
Bukowski morreu de pneumonia, decorrente de um tratamento de leucemia, na cidade de San Pedro, Califórnia, no dia 9 de março de 1994, aos 73 anos de idade, pouco depois de terminar Pulp.




Alguns livros do autor disponíveis na Amazon:

     


     


     





ALGUNS ESTOCADAS DO VELHO SAFADO



roll the dice

if you’re going to try, go all the
way.
otherwise, don’t even start.
if you’re going to try, go all the
way.
this could mean losing girlfriends,
wives, relatives, jobs and
maybe your mind.
go all the way.
it could mean not eating for 3 or 4 days.
it could mean freezing on a
park bench.
it could mean jail,
it could mean derision,
mockery,
isolation.
isolation is the gift,
all the others are a test of your
endurance, of
how much you really want to
do it.
and you’ll do it
despite rejection and the worst odds
and it will be better than
anything else
you can imagine.
if you’re going to try,
go all the way.
there is no other feeling like
that.
you will be alone with the gods
and the nights will flame with
fire.
do it, do it, do it.
do it.
all the way
all the way.
you will ride life straight to
perfect laughter, its
the only good fight
there is.
TRADUÇÃO...


role o dado


Se você vai tentar, tente
do contrário, nem comece.

Se você vai tentar, vá com tudo.
Mesmo que isso signifique perder namoradas,
esposas, parentes, trabalhos e
até mesmo a cabeça.
Mas siga em frente de qualquer maneira.
Mesmo que isso signifique ficar sem comer durante 3 ou 4 dias.
Mesmo que isso signifique congelar em um banco de praça.
Mesmo que signifique prisão,
Mesmo que signifique derrisão,
escárnio,
isolamento.
O isolamento é o presente,
o resto é o teste de sua resistência,
de quanto você realmente quer fazer.
E você fará
apesar da rejeição e das piores chances
E será melhor que
qualquer outra coisa
que você pode imaginar.
Se você vai tentar,
vá com tudo.
Não existe nenhum outro sentindo como
esse.
Você estará a sós com os deuses
e as noites incendiarão como fogo.
Faça, faça, faça.
Faça isso.
Empenhe-se nisso,
Empenhe-se nisso.
Então você encaminhará sua vida para
um riso perfeito, essa é a única boa
briga que existe.
Tradução: Walter Rodrigues.

nobody can save you but yourself


nobody can save you but
yourself.
you will be put again and again
into nearly impossible
situations.
they will attempt again and again
through subterfuge, guise and
force
to make you submit, quit and/or die quietly
inside.
nobody can save you but
yourself
and it will be easy enough to fail
so very easily
but don’t, don’t, don’t.
just watch them.
listen to them.
do you want to be like that?
a faceless, mindless, heartless
being?
do you want to experience
death before death?
nobody can save you but
yourself
and you’re worth saving.
it’s a war not easily won
but if anything is worth winning then
this is it.
think about it.
think about saving your self.

Tradução...
ninguém pode salvá-lo, a não ser você mesmo


ninguém pode salvá-lo,
a não ser você mesmo.
será colocado, por vezes e vezes,
em situações quase impossíveis.
tentarão, por vezes e vezes,
todos os subterfúgios, forma e
força
que façam-no ceder, desistir e/ou morrer por dentro,
calmamente.
ninguém pode salvá-lo,
a não ser você mesmo.
e será fácil suficiente cair,
muito fácil.
mas não caia, não caia, não.
apenas assista-os.
escute-os.
você quer ser como eles?
seres sem face, sem mente,
sem coração?
quer saber o que é morrer
antes de morrer?
ninguém pode salvá-lo,
a não ser você mesmo.
e você merece ser salvo.
é guerra que não se ganha facilmente
mas, se é que haja vitória merecida,
então esta é.
pense sobre isso.
pense sobre salvar sua alma.
traduzido por Hilam A na Grama

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O vôo de Fernando


por Walter Rodrigues 


Sentado sobre um banco de concreto, isolado e compenetrado, seus grandes olhos fitavam  o vazio. Era nosso colega de classe Fernando. A noite seguia sem estrelas e sem lua. A grama estava seca. Resultado do sol intenso daquela tarde calorenta. A parca iluminação do campus nos deixava numa mescla de perplexidade e desespero. Não haveria a primeira aula, somente a segunda. Talvez a imagem daquele rapaz sentado sozinho de olhos tão grandes e brilhantes  fixados no vazio nos inserisse esse desespero e perplexidade. Talvez a ausência das estrelas, da lua e a fraca iluminação do campus. Talvez tudo isso combinado a uma voraz insatisfação pelo curso que eu levava ali.
Enquanto isso, aguardávamos por ali. Fernando também aguardava. Sem dúvida alguma ele tinha os olhos maiores e mais estranhos que eu já tinha visto. Aqueles dilatados olhos castanhos  tinham um brilho enigmático, quase diabólico. E quando ele começou a sorrir silenciosamente durante as aulas, seu sorriso não era o dos piores: dentes líneos, claros. No entanto, seu sorriso perdia em graça ao notarmos para quem ele era direcionado. E eu hei de concordar que as paredes de nossa sala, monótonas e austeras como qualquer outra parede do mundo, não tinha nada de engraçado. As garotas e os rapazes começaram a ter receios de Fernando. Talvez por isso não se aproximassem dele e não o convidassem para seus grupos de apresentação de trabalhos em classe. Mas até aí tudo bem, pois eles também não me convidavam.
No entanto, fazia alguns dias que nosso colega estava vendo alguma coisa que nos era invisível. Por certo era algo bastante engraçado e interessante dado seu sorriso cada dia mais constante. Vendo Fernando agora sentado sobre aquele banco, com os olhos fixos no nada, o sorriso na face redonda e a conversa interminável com coisa-alguma, me era impossível não ser tocado por um sentimento de compaixão. Eu sabia muito bem como era frustrado não ser aceito.
Então avancei em sua direção e sentei ao seu lado naquele rígido banco em concreto. Fernando olhou-me por alguns segundos com seus surpreendentes olhos, balançou a cabeça, lentamente, de cima para baixo e de baixo para cima, depois deu uma tragada e seu cigarro e voltou a olhar fixamente para frente.
Tentei puxar assunto, mas suas respostas eram evasivas. Eu não era um fumante, mas pedi um cigarro para ele. Ele me passou um, me olhando como se eu fosse irreal. Eu não poderia atingi-lo. Fernando estava numa outra dimensão e observava as coisas para além do convencional. Ele estava perdido dentro de si. Os outros colegas de classe nos olhavam curiosos. Deviam estar pensando: “A dupla perfeita”. E assim como Fernando, eu também estava cagando para eles. Mas Fernando estava numa dimensão superior. Eu não podia alcançá-lo. Ele estava em vôo alto.
- O que tu achas deles? – perguntei a Fernando apontando na direção dos nossos colegas, que juntos estavam conversando junto a porta da sala.
Ele não me respondeu. Apenas continuou olhando fixamente para o nada.
- Eu os acho muito imaturos – disse eu por fim achando que ele se encorajaria.
Mas ele não se encorajou, contudo.
Seu olhar estava tão desprovido de vida, embora tão brilhantes e acessos. Ele não estava drogado, era algo além disso.
Seu olhar parecia atravessar tudo, mas se você olhasse por alguns segundos que fosse dentro daqueles olhos imensos, você encontraria uma avassaladora tristeza, no entanto, não havia pedido de socorro. Ele parecia tranquilo e distante.
- O que tu estás achando do curso? – continuei insistindo. – Por que tu escolheu Geografia?
Ele respirou fundo. Seus olhos me apanharam por alguns segundos. Eram, se dúvida, olhos muito tristes e exaustos.
Então resolvi ficar calado. Não sabia mais o que dizer e nem o que fazer. Talvez eu devesse me erguer e deixá-lo ali com seus fantasmas. Mas não o fiz. Fernando e eu permanecíamos ali sentados como dois dementes a olhar fixamente e de forma perplexa o nada em absoluto. E o nada me parecia agora tão grandioso e insignificantemente significante. Eu estava me perdendo em meus pensamentos, cada vez mais abstratos e dispersos, enquanto o meu colega ao lado já esta por completo nos seus.      
Então o professor entrou na sala. Os demais colegas entraram em seguida.
- Vamos entrar? – sugerir ao meu parceiro.
- Vá lá – responde-me ele dando mais duas tragadas no cigarro que se findava. – Eu vou depois…
Nosso colega não voltou naquela noite, nem nas noites seguintes à sala de aula. A turma sentiu sua falta. Eu também senti. Até que numa certa noite o professor de Geografia Física entrou em sala de aula com a expressão pesada, olhando fixamente para sua mesa, se acomodando por fim atrás da mesma para depois nos encarar e dizer:
-  Tenho uma notícia triste para passar. O colega de vocês, o Fernando, infelizmente, ontem à noite, cometeu suicídio.  A mãe dele informou à direção que seu filho sofria de depressão profunda. Já tinha até sido internado algumas vezes.
Silêncio geral.
As garotas e os rapazes olhavam uns aos outros, boquiabertos deixando transparecer em seus olhos um estranho espanto misturado com descrença. Enquanto eu só conseguia pensar no fato de que Fernando havia conseguido voar mais alto do que qualquer um de nós. Ele voou para além das estrelas e se perdeu no vazio.


sábado, 5 de fevereiro de 2011

kamikASES lançados contra a perpetuação de uma escrita caduca





- Machado de Assis – continuou Samantha -, escreveu sobre a sociedade de sua época de forma irônica, e se aprofundou no psicológico de suas personagens sem precisar ser vulgar e baixo. 
- O problema, Samantha – reagi bastante ofendido. – É que a mentalidade desse país ainda acredita que para um texto ser verdadeiro, profundo e sério, ele precisa antes de tudo ser enfeitado pela obscuridade. Quando que na verdade uma idéia sincera e profunda tende a ser clara e compreensível. Minhas narrativas têm um propósito, mensagens a ser passadas. Não me venha com essa conversa de escrever com um Português fiel aos princípios porque nem eu, nem tu e nem Machado de Assis usamos essa droga. Se o Português fosse tão fiel aos seus princípios, Samantha, com certeza ele continuaria Latim. E eu já estou de saco-cheio de Machado de Assis! (RODRIGUES, 2009, p.220-221)


O conto que vocês estão prestes a ler é de autoria de Charles Alves, estudante do curso de Letras da UFPA. O texto em questão faz parte da revista literária kamikASES -ISSN 2178-1559 – Ano I, Edição n° 1, que juntamente com mais 18 textos de diferentes gêneros formam a revista dos alunos do curso de Letras da UFPA. Ainda pretendo disponibilizar os demais textos aqui.
Por tanto, começo com o primeiro texto da revista: O conto A CARONISTA de Charles Alves. Texto porrada, que prende a gente à página da primeira a última letra. Pauline e Paulo eis o encontro mais engraçado que eu já tive a oportunidade de ler. Dois personagens que de tão bem construídos suspeitamos se não andam por aí mesmo. Em carne e osso. Pauline, “a bicha mais feia dessas bandas do mundo” pedindo carona às duas da madrugada, e Paulo dirigindo o seu caminhão em alta velocidade pelas BRs da vida, embriagado, mas sem cigarros e sem uma foda para confortar sua alma.
Em minha opinião, este texto de Charles Alves, deixa transparecer a essência e o brado libertário que a revista transborda desde sua capa curiosa (retirada da propaganda do xarope São João, 1912, onde se observa um sujeito oprimido por força maior, embora tentado lutar, e as palavras em caixa alta como se saindo aos berros de sua cabeça, pois de sua boca não podia “LARGA-ME… DEIXA-ME GRITAR!”), passando pelo editorial Torpedos”, aqui postado, que eu considero um verdadeiro Manifesto contra toda forma de tentativa de subjugação à escrita a padrões estilísticos retroativos, criando desse modo uma literatura de fundo falso, ou de fachada, onde se vêem as coisas aparentemente bonitas e bem pintadas, o que se quer que se veja, mas que no fundo é desprovida de conteúdo, realidade real. Ignorando que: a arte transcende, a arte se [sub]verte e se [re]cria numa seqüência histórica [auto]remissiva de signos interpretantes… a arte é perigosa   (SANTOS e SANTANA, 2010, p.04).
     
Seja com for, agora, finalmente, peguem carona com A CARONISTA.


A CARONISTA
por Charles Alves*


Dirigia a 90 km por hora, completamente embriagado pela estrada a qual apenas seus faróis altos iluminavam. A garrafa de whisky vagabundo já ia pela metade e estava depositada no banco do passageiro. Não tinha medo de dormir, já haviam cochilado no volante antes e isso nunca o impediu de chagar onde queria. Seu caminhão ia sempre retilíneo pela estrada que parecia uma lança cravada no meio da mata, no meio do nada. Do lado direito, mato, e do esquerdo, mato.
Já era duas da manhã, há duas horas ele havia fumado o último cigarro e desde então não passou por lugar nenhum que tivesse uma carteira de qualquer merda para vender, e ainda faltava pelo menos duas até chegar a qualquer lugar onde pudesse encontrar alguém. Não que quisesse alguém em especial, mas naquela noite havia decidido que não dormiria no banco do caminhão de novo, e sim com uma putinha requenguela qualquer cuja companhia não passe de 30 reais.
Viu algo estranho mais a frente, foi diminuindo a velocidade, se atropelasse algum bicho desgraçado que amassasse seu pára-choque, a noite estaria realmente arruinada. Mas não era bicho, pelo menos não parecia enquanto o caminhão se aproximava a 40 por hora, era… era… Alguém? Que diabos alguém estaria fazendo nessa BR do diabo às duas da manhã pedindo caroba? Ah, foda-se, já estava bêbado mesmo, parou o caminhão, a porta se abriu e o caronista entrou.
Rapaz de seus vinte e poucos anos, vestido de uma mini-saia rosa gritante e um bustiê verde, sorriu um sorriso de quatro dentes ao entrar no caminhão.
“Boa noite senhor?” disse de modo afetado “estás indo para lá?” apontou pra única direção possível. O motorista pensou: “além de bicha ainda é burra”.
Acenando positivamente com a cabeça, ligou o motor enquanto analisava a recém adquirida carga. Estava realmente chocado com a aparência do caronista. O que lhe chocava não era a pouca idade, ele podia ser seu filho (e de fato, seu filho mais velho deveria ter essa idade). O que lhe incomodava no rapaz era pura e simplesmente sua feiúra, sim, sua feiúra, pois era feio de doer. Seu rosto moreno estava coberto por marcas de espinhas mal espremidas e inflamadas, seu cabelo maltratado estava pintado de uma cor que de tão desbotada lhe lembrou do que cagou pela manhã, e percebeu assim que este entrou sorrindo no caminhão que só possuía 4 dentes na parte superior da boca, seu corpo era magro e cheio de marcas velhas do que pareciam ser antigas piras, sem dúvida era a bicha mais feia que ele já tinha visto, tão feia que ele ficou sóbrio na hora, e foi com grande surpresa que percebeu que estava de pau duro.
Tentou perguntar alguma coisa, mas de tanta consternação as palavras morreram em sua boca, em seus 44 anos de idade nunca havia tido qualquer tipo de atração por indivíduos do mesmo sexo, em bares, dizia em alto e bom tom o quanto achava ridículo esse tipo de comportamento e repetia sempre que o único remédio pra curar viadagem era aplicado com umas boas porradas. Mas agora estava ali, sentado do lado de uma bichinha fulêra e não conseguia disfarçar que estava de pau duro. PAU DURO!!! gritava silenciosamente para si mesmo, “tenha vergonha seu velho, pelo amor de Deus, estás de pau duro!! Velho, pelo amor de Deus, estás de pau duro!!”.
Controlou-se dando profundas inalações de ar, olhou de soslaio para o caronista e percebeu que este havia percebido a vergonhosa situação na qual estava. Teve vontade de encher aquele moleque sem-vergonha de porrada, mas ignorou tudo ao redor e começou a pensar em milhares de coisas, câncer no estômago, a megera de sua sogra, ferida com pus, e assim conseguiu se controlar até que sentiu o volume da calça diminuir gradativamente. Quando se sentiu mais à vontade, virou para bichinha pra dizer alguma coisa, mas assim que viu aquela face horrenda olhando de volta para ele, a tensão em sua barriga aumentou e seu pau ficou duro de novo.
“Não tem jeito” pensou ele “vou ter que comer esse viado”.
“Hummmm…” começou ele em tom grave  “se vamos acompanhar um ao outro, poderíamos ao menos nos apresentar, não é? Meu nome é Paulo e o seu?”
A bichinha olhou para ele com um olhar estrábico de alegria contida “nossa, que coincidência, o meu também!” um silêncio incômodo pairou sobre os dois e se seguiu por mais dois ou três kilômetros , até que o ambiente se tornou tão denso que o caronista arriscou “Senhor, Paulo, o senhor se incomoda se eu acender um cigarro?”
“Só se você tiver um para me dar, Paulo?”
A tensão sumiu no ar como malandro que é pego pela polícia rodoviária.
“Pode me chamar de Pauline.” Foi a resposta do caronista seguido por um “Mas esse é o meu último.” antes que qualquer pensamento se instalasse na cabeça do motorista as palavras saíram mais rápidas que sua vontade “Então bora deixar pra depois da foda!”.

Silêncio.

Pauline momentaneamente tensa, mas isso não durou muito, como macaca velha de estrada anunciou de supetão “300 reais!” o caminhão quase saiu da estrada, acompanhado por um estrondoso “FILHO DA PUTA!!!” mas logo o volante estava sob controle.
Com a cara fechada de raiva, Paulo parou o caminhão e logo disse “sua bichinha de merda, tá achando que esse teu rabo escroto é de ouro? Ou tu me dá essa merda ou te encho de paulada  e te jogo aqui mesmo na estrada!” era o fim das negociações.
Pauline fez um biquinho de magoada que só serviu para piorar as feições já admoestadas de seu rosto e para aumentar a raiva do motorista, que a essa altura já estava com a calça para explodir  “O que vai ser?” era o ultimato.

Interlúdio

O mundo da estrada possui leis e mandamentos que só são entendidos pelos seus habitantes, é ambiente novo e perigoso para aqueles que não estão acostumados aos seus caprichos e devaneios. Habitado por motoristas de ônibus intermunicipais, caminhoneiros, traficantes, salteadores, vagabundos, putas e caronistas, possui seus próprios códigos de condutas que não estão escritos em nenhum códex de leis, mas que é de acordo comum entre todos seus habitantes.
Um dos principais e inabaláveis códigos é o que diz respeito à carona, e é mais ou menos assim:
Não importa se o motorista está indo para o mesmo lugar que o caronista, nada vem de graça nesse mundo, nem o pão, nem a cachaça, portanto, há a necessidade de uma troca, pode ser uma graninha, uma informação valiosa ou no mínimo, um boquetinho. Quem não respeita esse código está à mercê dos caprichos da estrada, e não se engane, nem a mais reles criatura se encontra á prova dessa troca, nem mesmo Pauline, a bicha mais feia dessas bandas do mundo.

Fim do interlúdio

Os dois seguiram para trás do caminhão, para a área de carga, a qual Paulo abriu e Pauline adentrou primeiramente. A área de carga fedia a cocô de cabra e serragem molhada. Lá dentro, no escuro, meia dúzia de cabras se acotovelavam e berravam assustadas quando a aberração humana adentrou o recinto fazendo uma cara de nojo que, pasmem, a deixava ainda mais horrenda. Paulo entrou logo em seguida gritando imprecações para os quadrúpedes idiotas, segurou Pauline por trás, pela cintura e com um gesto violento a derrubou no chão e lhe deferiu um chute nas costelas que a fez encolher-se de dor, logo em seguida debruçou-se sobre a bichinha depositando todos os seus 87 quilos em suas costas.
Foram 3 horas de berros e gritinhos de dor e prazer no final. O sol se levantava no horizonte iluminado o caminhão inerte á beira da estrada. Paulo foi o primeiro a sair da traseira do caminhão, com uma expressão impassível deixou a porta aberta e foi seguindo para a cabine, onde se sentou no volante e ficou olhando o sol nascer. Pauline saiu logo depois, toda escabelada, mas com um sorriso de mona lisa com malária no rosto, saiu ajeitando a saia curtinha, trancou a porta da traseira e seguiu para boléia, sentando-se ao lado de seu amante.
Os dois seguiram juntos pela estrada por duas horas sem dizer uma palavra, até chegar à cidadezinha de Santa Inês, onde fatalmente se separariam. Paulo parou no posto, Pauline abriu a porta olhou para ele “Adeus meu Ursão” e assim desapareceu às 7 da manhã naquele fim de mundo.
Paulo abaixou a cabeça, sentindo um estranho aperto no peito, encheu o tanque e seguiu viagem. Percebeu que Pauline esquecera (ou deixara de presente) uma carteira amassada de cigarro no banco. Paulo pegou o último cigarro estropiado e sem tirar a mão do volante o acendeu, relembrando da noite passada, deu uma tragada e depois jogou o cigarro pela janela.
“Filho da merda! Cigarro mentolado é pra bicha!”
Deixando poeira para trás, seguiu na estrada até sumir onde a vista não alcança.



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* [dez’ 1983], criança magrela e cabeçuda, chorava por tudo. Aos 2 anos gostava de jogar cocô nos seus primos, aos 4 anos já sabia fazer chantagem emocional, aos 7 seu pai lhe ensinou o que era a mentira, aos 10 anos descobriu a amizade e aos 11 a traição. Aos 14 anos viu uma mulher nua (que não fosse sua parenta) pela primeira vez. A bebida descobriu aos 16 e a caneta aos 17. Desde então dedica seu tempo a ler e escrever e em horas forçadas estuda Letras na UFPA.


kamikASES revista literária: é uma publicação do coletivo KamiKaze em parceria com Centro Acadêmico de Letras – CAL/UFPA. Os textos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem, necessariamente, opinião da revista, sendo permitida a reprodução parcial ou total de textos, fotos e ilustrações, por quaisquer meios, sem autorização, desde que citada a autoria.
contatos: coletivokamikaze@hotmail.com





Publicado também no Portal Literal!




CONSULTAS BIBLIOGRÁFICAS


RODRIGUES, Walter. Correndo atrás. Ed. Multifoco. Rio de Janeiro: 2009, p.220-221. 

SANTOS, Francisco Ewerton dos; SANTANA, Reinaldo “guaxe”. “Torpedos”. Belém: Revista Kamikases, Universidade Federal do Pará, n.01, 2010, p.03-04.

ALVES, Charles. “A caronista”. Belém: Revista Kamikases, Universidade Federal do Pará, n.01, 2010, p.05-07.


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

COMÉRCIO


by Walter Rodrigues






Os passos se atropelam.
LIQUIDAÇÃO!                                
Vozes diversas chamam
para si a presa apressada
que depressa se desintegra
fundindo-se ao mingau comercial.  

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

OS ENCANTOS DO SOBRADO SOBERANO*



por Walter Rodrigues 

O sol estampava-se sobre os antigos prédios da Rua Siqueira Mendes – Cidade Velha. O sol queimava-me a pele. O sol refletia-se nos pára-brisas dos carros estacionados. O sol incendiava-se nos azulejos de estrelas menores, azuladas estrelas de oito pontas numa fachada austera e ampla.
Portas e janelas com detalhes em arcos plenos e com chanfros, um largo balcão em grade de ferro batido, faustosamente trabalhado, apoiado por bacia frisada em massa.  Dois andares decorados em relevo e com requinte, duas águias de ferro tentando bancar as ameaçadoras, no entanto, seus olhos inspiravam tristeza e melancolia. Suas asas amplamente abertas. Seus bicos pendiam a frente de forma insolente e, neles, traziam duas luminárias antigas. Tristes seres de ferro guardiões de algo deteriorado e perdido no esplendo de um tempo passado.
No topo do prédio, acima dos telhados coloniais, centralizado entre dois grandes pináculos, um medalhão em massa a trazer em si a ilustração em relevo de uma humana e graciosa face jovem rodeada pela inscrição:

“FABRICA SOBERANA HILARIO FERREIRA & CIA., LTDA”


Então, o tempo fechou-se. Nuvens cinza sufocaram e seqüestraram o sol. O céu desabou. Corri para o outro lado da rua e entrei num bar próximo.

- Uma dose de conhaque – pedi ao senhor do balcão.
- Que chuva, não? – comentou ele.
- Pois é – respondi.

Enquanto isso, eu aguardava a chuva passar, mas ela não passava. Onde estaria Dora Ruth? Com aquele aguaceiro duvidava muito que ela apareceria ali. Ficamos de nos encontrar para juntos conhecermos a Fábrica do Guaraná Soberano internamente e recolher alguns preciosos dados que pudessem nos servi de base para elaboração deste texto. Estava anoitecendo e provavelmente a fábrica fecharia daqui a alguns minutos. Então servir-me de mais doses e resolvi não pensar mais no assunto.
E a chuva escorria sobre os azulejos decorados da fábrica e sobre as faces das águias. Tive a impressão de que uma das águias me olhava. Senti um friozinho a percorrer-me a espinha e, tomado pela curiosidade sinistra que somente o medo é capaz de inspirar, resolvi corresponder aquele suposto olhar. Aquele olhar desequilibrou-me; lágrimas escorriam daqueles tristonhos olhos de ferro e desciam pelo seu bico espalhando-se sobre a luminária antiga.
Então, aquele sombrio início de noite fora clareado, instantaneamente, por um extenso e luminoso relâmpago e, quando os meus olhos novamente puderam definir contornos e profundidades, me deparei diante de uma “nova” e retrograda realidade.

… O rio Guamá aos fundos a exalar lembranças de antepassados aventureiros enquanto um crepuscular, resignado vento lasso lambia o calçamento em calcário de lioz da estreita e aportuguesada Rua Norte à Freguesia da Sé. As luminárias aguardavam mais uma arejada noite a fim de exercerem suas funções. E, de repente, a imagem daquele soberano sobrado datado do final do século XVIII. Suas medidas: 2.200m², fixado em um lote regular de aproximadamente 14 m de largura e imensa profundidade a fazer limite com o rio Guamá, uma imponente construção que se aproveita de cada milímetro do terreno, alinhando-se, impecavelmente, à via pública.
Propriedade primária de Engenheiro Olympio Leite Chermont, filho de Antônio Lacerda, o Barão e Visconde de Arary, o prédio é composto de três etapas distintas: a parte frontal, com fachada à Siqueira Mendes; a parte posterior, com fachada ao rio Guamá e a ala central, responsável pela união das duas citadas partes. A fachada principal desfila pomposa em um neoclassicismo que, apesar de tardio em Belém, fora bastante expressivo devido aos exorbitantes lucros obtidos pela borracha no mercado internacional. Inúmeros retoques foram feitos nessa fachada sem que esta perdesse sua configuração original, embora em maior escala tenhamos hoje o ecletismo. Já a fachada posterior, nos inspira sonhos de mil e uma noites com suas linhas rígidas e portas e janelas com vãos em arcos abatidos lanceolados. Observável influência mouristica.
E então, uma rica e ornamentada escada confeccionada em madeira de lei. Resolvi subi-la após alguma hesitação. Um estreito tapete velho deitava-se com luxo sobre os degraus. Já no segundo andar, no salão principal e no hall da escada, o assoalho trabalhado em madeira de acapú e pau-amerelo, dispostos de tal modo a formar figuras geométricas assim como estrelas de várias pontas. O forro, igualmente ornamentado com tais imagens, embora menores, entretanto, com maior variedade de cores: branco, amarelo, cinza.

Entre conversas animadas, lavavam-se e rotulavam-se garrafas. Um amplo e iluminado salão, divido em várias secções, exibiam, em fileira, o mais moderno maquinário de então. A presteza e a eficiência do trabalho e, a luz natural que emanava das imensas janelas de duas folhas, derramava-se sobre os semblantes de funcionários satisfeitos. E, presidindo tudo isso, lá estava ele, bem ao centro da fábrica, com suas mãos firmes a apoiar-se no gradil ornamentado e, daquela retangular abertura no segundo andar comunicava-se com o coração da fábrica, no primeiro andar. Era o Sr. Hilário Augusto Ferreira, pioneiro na exploração industrial do guaraná no Pará e fundador da Fábrica Soberano. Nascido em Melgaço do Minho, Portugal em 1898, Hilário mudou-se para o Pará quando contava com seus 14 anos. De garrafeiro a industrial de sucesso, a vida desse industrial fora dedicada a sua fábrica.
E o sucesso do Guaraná Soberano da Fábrica Soberana fora tão estrondoso que a mesma passou a ser chamada de a Fábrica do Guaraná Soberano. Embora ainda viesse contar com as marcas: Kola, Laranjada, Genebra Soberano, Vermouth, Água Soda, Água Tônica, Ginger-Ale e ainda: Cachaça, Vinagre e Álcool Soberano.

A voz que fala e canta para planície.
(…)
A sorte encontrou seu endereço.

Pude apanhar no ar estas frases numa esquina estreita. Era noite, entretanto, a rua estava movimentada. Moradores atentos diante dos rádios.

E a casa premiada é… 150!

Gritos histéricos vindo de uma casa próxima. Alguém havia faturado algo. Antônio Rocha a apresentar nas noites de Domingo o programa “A sorte encontrou seu endereço”. Um caminhão cedido pelo patrocinador a servir como palco, onde artistas da terra e até de outros estados apresentam seus shows. A Rádio Clube cuida da organização estrutural como a montagem da iluminação e aparelhagem.   
E lá estava a sorteada desse Domingo recebendo sua caixa de Guaraná Soberano e outros prêmios, agradecendo a PRC-5 e ao patrocinador do evento, o Guaraná Soberano.
 Era o guaraná na boca do povo. Os jornais paraenses e periódicos de outros estados a comentar a qualidade da bebida: sim! O único guaraná genuinamente “fabricado com o puro guaraná de Maués”, a tribo indígena do Alto Amazonas. Refrigerante saudável capaz de solucionar problemas cardíacos, digestivos além de funcionar como um excelente estimulante e afrodisíaco. Era o que ressaltava os versos de poetas como Bruno de Menezes e Jacques Flores.
De repente, década 70. As fábricas de refrigerantes paraenses tentam permanecer de pé frente à desigual força das transnacionais. Dificuldades financeiras, a morte de Hilário Ferreira em 1982, os grupos estrangeiros como a Coca-cola e a Pepsi a devorar com gula todo o mercado local, a inexperiência dos novos administradores, Hilário Filho e Jaime Ferreira, resultado, fecham-se as portas em 1986, da Fábrica Guaraná Soberano.

… 1996. Produção incipiente embora constante. 400 caixas da Kola Soberano por dia enquanto a concorrência produz 1000 por hora. As portas se abrem após 14 anos. A distribuição conta apenas com um caminhão e é feita pelos proprietários da fábrica que, com recursos próprios vão tocando a indústria de seu avô.

“A fábrica experimentou seus melhores momentos nos anos quarenta e cinqüenta, mas não resistiu à concorrência das multinacionais que se assenhorearam do mercado de refrigerantes. Agora, vai reagir.”
   
-… Rapaz, rapaz – uma voz distante me chamava – tu adormeceste aí?!
- O quê…? – levantei minha cabeça de cima do balcão.
- A bela adormecida acordou? – comentou jocoso um velho de aspecto zombeteiro que bebia ao meu lado.
- Por sorte tu não és meu príncipe encantado – disse eu em tom amistoso.
- O diabo que te carregue! Querer eu acordar macho com um beijinho?
Eu sorri sonolento. O cara do balcão também, enquanto o velho esvaziava sua dose de cachaça pura.

A instalação industrial da Empresa Soberano surpreende à primeira vista com seu maquinário moderno e importado. Entretanto, o sabor e a popularidade dos atuais refrigerantes e, principalmente do guaraná ainda deixam muito a desejar. No entanto, a importância dessa indústria para o Estado, tanto no aspecto social, econômico, cultural é inquestionável. No ano de 2007, Hilário Ferreira fora homenageado pela Assembléia Legislativa do Estado com o título “Cidadão do Pará Pós-mortem” em reconhecimento ao importante papel que exerceu a indústria local.


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* O texto foi inicialmente publicado no livro CIDADE VELHA - CIDADE VIVA, Belém-PA 2008. O livro foi editado pelo jornalista e professor Oswaldo Coimbra, responsável pelo Grupo de Memória da Universidade Federal do Pará – UFPA, ministrante da oficina e condutor dos trabalhos de preparação dos textos e das ilustrações.
 


OUTRAS INFORMAÇÕES A RESPEITO



  • SOBRE O LIVRO "CIDADE VELHA - CIDADE VIVA" leia o artigo  do Jornal Beira do Rio no link abaixo:    





  • SAIBA MAIS SOBRE A FÁBRICA NO SITE DA FUNDAÇÃO HILÁRIO FERREIRA