quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

VII Seminário Culturas e Memórias Amazônicas (CUMA) 2012: Avaliação e prospecção




Notícia enviada pelo Coletivo Kamikaze

O VII Seminário Culturas e Memórias Amazônicas (CUMA) 2012: Avaliação e prospecção, que se realizará no dia 13.12.2012, na UEPA-CCSE, objetiva apresentar, discutir e avaliar a produção intelectual do CUMA desenvolvida no ano de 2012, além de buscar construir perspectivas de ações para o ano de 2013, a fim de consolidar os esforços em estabelecer e efetivar o fazer acadêmico no que diz respeito ao ensino, pesquisa e extensão. Assim sendo, essa produção é constituída por trabalhos de extensão, ensino e pesquisa e envolve alunos da Iniciação Científica de Graduação e Ensino Médio e de Pós - Graduação strito e lato sensu e professores da instituição.

Convidamos a tod@s para participar, contribuir nas discussões, trocar experiências!

Inscrições Gratuitas!!! (De 09/12 a 12/12/2012)

Inscreva-se!

1. Preencha a ficha de inscrição e envie para o email: seminario.cuma@gmail.com 

2. A confirmação da inscrição e o certificado serão enviados por email.

Serviço:
VII SEMINÁRIO CUMA - 2012
CULTURAS E MEMÓRIAS AMAZÔNICAS: Avaliação e prospecção
Data: 13 de dezembro de 2012
Horário: 8:30 – 17:30
Local: Sala de Recitais – UEPA/CCSE
(Rua Djalma Dutra, s/n. Telégrafo. Belém-PA)

PROGRAMAÇÃO COMPLETA! 

                  

            UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ
PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO
                     PRÓ-REITORIA DE EXTENSÃO
       CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E EDUCAÇÃO
GRUPO DE PESQUISA CULTURAS E MEMÓRIAS AMAZÔNICAS

VI SEMINÁRIO CUMA - 2012
CULTURAS E MEMÓRIAS AMAZÔNICAS: Avaliação e prospecção
Data: 13 de dezembro de 2012
Horário: 8:30 – 17:30
Local: Sala de Recitais – UEPA/CCSE
PROGRAMAÇÃO

8:30 – Credenciamento

9:00 – Abertura

9:30 – Mesa 1: Educação e Cultura (20’ cada participante)
Coordenação: Profª. Ms. Jessiléia Guimarães Eiró

Memórias de mestre e história da educação - Profª. Drª. Josebel Akel Fares (UEPA) e Profª. Drª. Maria Helena Mena Barreto Abrahão (PUCRS)

Saberes do brincar na ilha de Colares - Profª. Drª. Nazaré Cristina Carvalho

Saberes poéticos em Colares/PA - Profª. Drª. Josebel Akel Fares e Danieli Pimentel;

 

Literatura Infanto-Juvenil e Escola - Prof. Dr. Marco Antônio da Costa Camelo; Profa. Ms. Vasti da Silva Araújo.


Observatório da Educação Escolar Indígena dos Territórios Etnoeducacionais Amazônicos - Profª. Drª. Joelma C. P. Monteiro Alencar

10:40 - Mesa 2: Arte, cultura e sociedades (20’ cada participante)
Coordenação: Prof. Dr. Marco Antônio da Costa Camelo

Vaqueiro marajoara: memórias de ofício, épica e ancestralidade. Profª. Drª. Josebel Akel Fares e Profª. Drª. Venize Nazaré Ramos Rodrigues

Tema e forma nos poemas de Age de Carvalho e Max Martins – Prof. Ms. Wenceslau Otero Alonso Junior

A Música do Cinema mudo: o sonho se faz real em Belém e Santarém - Prof. Ms. Urubatan Ferreira de Castro

Wilson Fonseca: choros-estudos para piano a quatro mãos - Profª. Ms. Eliana Camara Cutrim

Recepção das poéticas amazônicas - Profª. Drª. Josebel Akel Fares e Prof. Ms. José Denis de Oliveira Bezerra

11: 50 - Mesa 3: Arte e Língua em atividades extensionistas
Coordenação: Prof. Ms. Denis de Oliveira Bezerra


Grupo de Estudos sobre Tradução - Profª Ms. Jessiléia Guimarães Eiró (Coordenadora); Camila Luciana Alves Costa; Eloísa Dall’Bello; Matheus Batista Massias; Maycon Sulyvan Brito;  Said Amim Smith Moraes; Thayson Bruno Alves de Lima

Grupo Griot II - Profª. Drª. Renilda Rodrigues Bastos

Intervalo: 12h:30 às 14h:00

14:00 Mesa 4: Poéticas nas letras, gesto e traço
Coordenação: Profª. Drª. Renilda Rodrigues Bastos

Projetos de doutorado: concluídos em 2012 e em andamento

Que Design é este? - Profª. Drª. Maria Roseli Sousa Santos (PPGED/UFPA)
Poéticas teatrais modernas na cidade de Belém (1957-1990) - Prof. Ms. José Denis de Oliveira Bezerra (PPHIST/UFPA- UEPA); Orientadores: Prof. Dr. Antônio Maurício da Costa (PPHIST/UFPA); Profª. Drª. Anna Karine Jansen de Amorim (ICA/UFPA)
Projetos de mestrado: concluídos em 2012

Cartografias poéticas em narrativas da Amazônia: educação, oralidades, escrituras e saberes em diálogo.  Profª. Ms. Danieli dos Santos Pimentel (PPGED/UEPA); Orientadora: Profª. Drª. Josebel Akel Fares (concluído).
                                                                               

Sinalizações de um professor surdo: a interpretação de libras como processo de retextualização. Prof. Ms. Ozivan Perdigão Santos (PPGED/UEPA). Orientadores: Profª. Drª. Maria do Perpétuo Socorro Cardoso da Silva; Prof. Dr. José Anchieta de Oliveira Bentes (concluído).


15: 00 - Mesa 5: Arte, educação e ludicidade
Coordenação: Profª. Drª. Nazaré Cristina Carvalho
Brinquedos de miriti: identidade e saberes cotidianos - Claudete do Socorro Quaresma da Silva (PPGED/UEPA); Orientadora: Profª. Drª. Nazaré Cristina Carvalho (finalizado).

Na roda da inclusão: práticas educacionais do grupo União Capoeira- Albert Alan de Sousa Cordeiro (mestrando PPGED/UEPA). Orientadora: Profª. Drª. Nazaré Cristina Carvalho
A mitopoética em Paulo Nunes: ensaio sobre Literatura e Educação na Amazônia. Nathália da Costa Cruz (PPGED/UEPA). Orientadora: Profª. Drª. Josebel Akel Fares

Tradução e criação literária em Gran Sertón: Veredas: análise de processos neológicos da versão espanhola. Leomir Silva de Carvalho. Prof. Dr. Sílvio Augusto de Oliveira Holanda (Orientador)

A Amazônia paraense nas telas do cinema - Advaldo Castro Neto (mestrando PPGARTE/UFPA). Orientador: Joel Cardoso

16:00 - Mesa 6: Diversidade linguística, mito e brincadeira
Coordenação: Profª. Drª. Maria do Perpétuo Socorro Cardoso da Silva

Pelos caminhos da cartografia linguística paraense: um estudo semântico lexical do distrito Mosqueiro numa perspectiva sócio-educacional - Talita Rodrigues de Sá (mestranda PPGED/UEPA). Orientadora: Prof. Dr. Maria do Perpetuo Socorro Cardoso da Silva
Cartografia linguística da microrregião de Marapanim/Pa: uma análise semântico-lexical. Thamy Saraiva Alves (mestranda PPGED/UEPA). Orientadora: Prof. Drª Maria do Perpétuo Socorro Cardoso da Silva

Educação, memórias e saberes amazônicos: vozes dos vaqueiros marajoaras. Délcia Pereira Pombo (PPGED/ UEPA). Orientadora: Profª. Drª. Josebel Akel Fares

O "era uma vez" na poética de tradição oral de pequenos contadores de histórias cametaenses - Kezya Thalita Cordovil Lima (Mestranda PPGED/UEPA). Profª. Drª. Josebel Akel Fares (Orientadora)

Representação da sexualidade e mito amazônico: saberes locais nas narrativas de comunidades ribeirinhas. Zaline do Carmo dos Santos Wanzeler (Mestranda PPGED/UEPA). Profª. Drª. Josebel Akel Fares (Orientadora)

Os saberes culturais lúdicos: criança, brinquedo e brincadeira na comunidade remanescente de quilombo Campo Verde-Concórdia/PA - Shirley Silva do Nascimento (Mestranda PPGED/ UEPA). Orientadora: Nazaré Cristina Carvalho.

17:00 - Mesa 5: Literatura: oral e escrita

Trabalhos de graduação: concluídos em 2012 e em andamento.
Coordenação: Profª. Ms. Danieli dos Santos Pimentel

Faustino, Barata e Plínio: educação e recepção da poesia amazônica - Paloma Silva da Costa. Orientadores: Profª. Drª. Josebel Akel Fares; Prof. Ms. José Denis de Oliveira Bezerra

O processo de formação do narrador na Amazônia: tradição e contemporaneidade - Angélica Lopes (UEPA); Orientadora: Profª. Drª. Josebel Akel Fares (UEPA)
O Erótico em H’era, de Max Martins - Afonso Rian Moreira da Costa (UEPA). Orientadora: Profª. Ma. Vasti da Silva Araújo- UEPA
17:20 - Mesa 6: Avaliação e prospecção
Coordenação: Profª. Drª. Venize Nazaré Ramos Rodrigues

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

DE VOLTA A ESCRITA ORGASMÍSCA

por Álvares Rocha

A motivação voltou com as chuvas de dezembro.
Onde eu havia enterrado meu dizer desenfreado?
Onde eu havia enfiado o meu teclado?
Certamente não foi no meu rabo.
Durante tanto tempo a escrita foi a minha mais intima companheira.
Amante, casta e fiel verdadeira.
Volto a escrever furiosamente.
Volto a respirar o bom ar da liberdade de criação.
Novo sangue corre nas minhas veias, bombeando o meu coração.
Ritmo dissonante, vontade louca de gritar:
Quero trepar! Quero trepar! Quero trepar!
Com letras, parágrafos, frases, períodos, oração, pontuação.
Quero gozar com o ato da criação!
Se por caso causo asco a sua refinada erudição
Vá tomar no cu e leve de mim essa versada saudação.

Belém, 02 de dezembro de 2012.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Análise do filme "Ensaio sobre a cegueira" dirigido por Fernando Meirelles



Uma inédita e inexplicável epidemia de cegueira atinge uma cidade. Chamada de "cegueira branca", já que as pessoas atingidas apenas passam a ver uma superfície leitosa, a doença surge inicialmente em um homem no trânsito e, pouco a pouco, se espalha pelo país. À medida que os afetados são colocados em quarentena e os serviços oferecidos pelo Estado começam a falhar as pessoas passam a lutar por suas necessidades básicas, expondo seus instintos primários. Nesta situação a única pessoa que ainda consegue enxergar é a mulher de um médico (Julianne Moore), que juntamente com um grupo de internos tenta encontrar a humanidade perdida.

Título Original: Blindness
Gênero: Drama
Fernando Meirelles
Roteiro: Don McKellar (Roteiro)
José Saramago (Romance)

Elenco:
• Mark Ruffalo  Doutor
•Julianne Moore  Esposa do doutor
• Danny Glover  Velho / Narrador
• Alice Braga  Garota com óculos escuros
• Gael García Bernal  Rei da Camarata 3
• Don McKellarO ladrão
• Sandra Oh  Ministra da Saúde
• Yusuke Iseya  Primeiro homem cego
• Yoshino Kimura  Mulher do primeiro homem cego
• Maury Chaykin  O contador
• Douglas Silva  Espectador #1

Baseado no Romance de José Saramago, consegue ser bem fiel ao livro, principalmente por na época Saramago estar acompanhando de perto a produção. Onde uma epidemia de cegueira branca ataca a humanidade, que ao invés de zumbis o ser humano acaba agindo como tal, e ponto alto da obra é mostrar oque se é capaz de proteger seu grupo, não tendo vilão ou mocinho, todos estão acima do bem e do mal, em pró de sua sobrevivência.

Imagem e fonte consultada: https://pt.wikipedia.org/

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Entre Marés: Saberes, Cidadania e Responsabilidade Social


Participe do "Entre Marés: Saberes, Cidadania e Responsabilidade Social".
Palestras, Oficinas, Mostras de Painéis, Festivais.
Dias 15, 16 e 17 de novembro de 2012 em São João da Ponta (PA)
Realização: Associação dos Usuários da RESEX Marinha de São João da Ponta - MOCAJUIM. 

Organização: Grupo de Estudos Paisagem e Planejamento Ambiental - GEPPAM. 
Apoio: Faculdade de Geografia e Cartografia da Universidade Federal do Pará, Prefeitura de São João da Ponta, ICMBio, PROEX-UFPA, SEPAq.

Mais informações em:

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Programa Petrobras Cultural. As inscrições foram prorrogadas!


Programa Petrobras Cultural

As inscrições para a Seleção Pública de Projetos 2012 do Programa Petrobras Cultural, que se encerravam esta semana (de 29/10 a 01/11), foram prorrogadas. Se você ainda não inscreveu seu projeto, oferecemos uma outra oportunidade. Confira abaixo as novas datas de encerramento. Atenção ao horário do encerramento das inscrições, que vai até as 18:00.

05/11 - Apoio a museus, arquivos e bibliotecas, Memória das artes e Patrimônio Imaterial.

06/11 - Manutenção de grupos e companhias de teatro, Manutenção de grupos e companhias de dança, Circulação de exposições.

07/11 - Produção de filmes de longa-metragem para salas de cinema, Produção literária: ficção e poesia.

08/11 - Apoio a artistas, grupos ou redes musicais.

Foi criado um ambiente exclusivo que permite o acesso a todo o material necessário para que você possa tirar suas dúvidas e efetivar a sua inscrição em tempo hábil.
Não deixe de participar! Cadastre o seu projeto!

MAIS INFORMAÇÕES


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Matéria enviada por e-mail.

Os múltiplos eus de Fernando Pessoa



Fernando Pessoa foi uma das vozes mais importantes da poesia universal. Seus textos refletem o “histeroneurastênico”, como o poeta se autodefinia, apaixonado por ocultismo, filosofia, por estudos de psiquiatria e psicanálise. Autodidata de grande erudição, Fernando Pessoa constituiu um caso único de desdobramento de si mesmo em outras personalidades poéticas. Este fenômeno é conhecido como heteronímia, ou seja, a capacidade de desdobrar-se em poetas imaginários.
Fernando Pessoa nasceu em 1888, em Lisboa, vindo a falecer na mesma cidade, em 1935, com apenas 47 anos. Embora tenha participado intensamente das publicações do Modernismo português, seu único livro publicado em vida foi Mensagem, (baixe a obra Mensagem de Fernando Pessoa aqui!)  obra com a qual participou de um concurso de poesia do Secretariado de Propaganda Nacional, em Lisboa, em 1934, pouco antes de morrer.
Dentre esses heterônimos de Fernando Pessoa, que são diversos, estão os mais conhecidos da obra do autor: Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro.

Álvaro de Campos: o poeta das sensações do homem moderno.

Multipliquei-me, para sentir,
Para sentir, precisei sentir tudo,
Transbordei, não fiz senão extravasar-me,
Despir-me, entreguei-me,
E há em cada canto da minha alma um altar erguido a um deus diferente.
(Trecho do poema “Passagem das horas”)

Ricardo Reis: o poeta neoclássico

Fragmento 1
Para ser grande, sê inteiro: nada.
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alva vive.

Alberto Caeiro: o poeta-pastor

O rebanho é os meus pensamentos
 E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
(trecho do poema “Sou um guardador de rebanhos”)

Além de Mensagem o poeta escreveu: “Poemas completos de Alberto Caeiro”, “Odes de Ricardo Reis”, “Poesias de Álvaro de Campos”, “Poemas dramáticos”, “Poesias coligidas”, “Quadras ao gosto popular”, “Novas poesias inéditas” entre outras obras, incluindo, textos em prosa.

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Fonte consultada para esta postagem:                  
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação / Emília Amaral [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
Foto: http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Pessoa

E MAIS


terça-feira, 30 de outubro de 2012

Conheça obra "Mensagem" de Fernando Pessoa



Mensagem foi único livro de poesias de Fernando Pessoa publicados em vida. Nele encontramos versos que ao mesmo tempo em que são líricos também são épicos. Neles o autor recria a História de Portugal, a partir de “Os lusíadas” de Luís Vaz de Camões. A obra encontra-se disponível em Domínio Público e pode ser baixada a partir do link a seguir,

Trecho da obra:

Mar portuguez

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mãos choraram,
Quantos filhos em vão resaram!
Quantas noivas ficaram sem casar
Para que fosse nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem querer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor;
Deus ao mar o perigo e o abysmo deu,
Mas nelle é que espelhou o céu.






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Fontes consultadas para esta postagem: Português: novas palavras: literatura, gramática, redação / Emília Amaral [et al.]. – São Paulo: FTD,  2000.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

O dia do meu "desaniversário"




Dia 29 de setembro. Levanto da cama. Abro a janela do quarto. Vejo que o dia está cinzento e chuvoso. Hoje é meu aniversário, lembro-me então dos anos anteriores de lugares onde morei e passei essa data, ou pelo menos tento, pois, como diria Renato Russo – “já morei em tanta casa que nem me lembro mais, eu moro com meus pais”... Então é meu “desaniversário”. Recordo também das pessoas que passaram pela minha vida e que hoje se as visse na rua nem as reconheceria e vice-versa, amigos, amigas namoradas, parentes e etc. Olho a hora no celular e também vejo algumas mensagens dando-me os parabéns, todas com quase as mesmas palavras – feliz aniversário!... E todas essas bobagens que dizem para quem está completando mais um ano de vida e um a menos também. Dentre as mensagens tinha uma que valia a pena – feliz aniversário e muitos anos de cachaça! E convidando-me para beber... Era um colega dos tempos rasos e sem profundidade do cursinho, Marcio era o nome dele. Não respondi naquele momento, pensei em manter-me sóbrio nesse dia, queria ir  ver um filme no cinema, claro que não qualquer filme e nem em um cinema comercial, onde só se passa filmes comerciais feitos somente para serem vendidos, tendo como resultado filmes sem conteúdo que nada acrescentarão na minha vida. Tudo bem que há algumas exceções que sempre acabam poucos dias em cartaz. 
E enquanto as lembranças vinham em minha mente com intensidade sem que eu pudesse escolhê-las, eu entrava e saia do banho, tomava meu café e voltava para o quarto. Deitado novamente eu tinha nas mãos um livro que não demorou a ser posto de lado (Já faltavam poucas páginas). O livro era uma leitura de um escritor bem reconhecido no meio acadêmico, falo de Marques de Carvalho que tinha uma linguagem defasada e valores sociais da época ultrapassados também, de difícil compressão a um primeiro contato. Tendo como objetivo um auxílio ao leitor iniciante, que na maioria dos casos era quem estava estudando para o vestibular da UFPA (Universidade Federal do Pará), onde o candidato tinha que ser treinado para passar. Sempre me perguntava o porquê de não colocar leituras de livros que, mostrassem a sociedade atual, a resposta era simples: a consciência do povo é o medo do governo.
Decido então assistir a um filme no qual os personagens viviam em uma realidade alternativa ou futura, em que eram postos numa espécie de jogo voraz de sobrevivência, baseado num Best-seller, não demora muito para se notar a infantilidade do roteiro e conjunto ruim de atores na tela. Dou-me o luxo de ser crítico, pois, para quem já viu filmes com a direção de diretores como: Copola, Hitchcock, Ingmar Bergman, Felini, Chaplin... Com certeza tem um censo crítico para sétima arte. Mas continuo assistindo, então subitamente começo a pensar,  que grande filho da puta que sou? Não vou mesmo beber nada nesse dia? Porra é meu aniversário! (Que mais parece meu desaniversário).
Antes vou almoçar, tento sentar-me a mesa nela estão meus velhos, olho para meu pai, não consigo passar um minuto no mesmo lugar que ele. Às vezes não consigo acreditar que somos parentes, o cara jamais leu um livro. E ainda por cima é alienado pela televisão. Quando assisti um jornal, é só falando sobre crimes na cidade, o mesmo acontecendo no jornal impresso que ao folheá-lo só falta esguichar sangue no leitor.
Saio da mesa levando meu pequeno almoço, depois de acabar, marco pelo telefone com Marcio para tomar umas. Me visto e saio. No ônibus olhando pela janela vejo como um manto cinza de nuvens cobrindo a cidade, pois, em Belém é assim: não existe verão ou inverno, aqui se não chove o dia todo, chove todo dia.
Então cai a chuva. Quase que simultaneamente, vem-me a vontade de chorar, mas seguro, pois, falta pouco para que eu possa sentir como diria Bukowski o gosto do suco misturado com vida (álcool).
Ao saltar do ônibus a chuva não parece tão forte, decido então atravessar a rua. Todos correm dos pingos d’agua, e esquecem-se do quanto é bom sentir as gotas de chuva cair sobre o corpo. Chegando à praça da república o lugar parece sem vida e devastado diferente dos dias de domingo pela manhã aonde os pais de família vão com seus filhos sendo que, o sol e a criançada enche de alegria, aquela singela praça. Lugar onde se encontrava de todo tipo de pessoa, muitas do submundo, moradores de rua, hippies, roqueiros, góticos, homossexuais. Cada tipo deveria ter seu dia na praça, pois, parecia que esse era o dia do homo. Não tenho preconceito então sigo e encontro Marcio em um coreto rodeado. Ele fala ao telefone com Bruno que eu também conhecia das aulas de cursinho.
Não demora e Bruno aparece moreno mais forte fisicamente do que Marcio que, aliás, não dava para perceber pelas grandes camisas de roqueiro se Marcio era magro ou mais forte, o certo era sua cabeleira era escura e de estilo macarrão instantâneo.
- Bora pro bar tomar umas cachaças! – Diz Bruno ao chegar.
- Só se for agora! – responde Marcio
- Vamo então!
O bar era localizado perto da praça. Na rua... De esquina... De nome “meu garoto”. Faltavam poucos metros e já dava para ver que o bar estava fechado (lá se ia à oportunidade de tomar uma cachaça de jambu), mas ainda tinha outros bares, Marcio entra em um. Bruno e eu ficamos na calçada conversando.
 - E qual as novidades? – perguntou-me.
- Nada de mais! Só que faz uns dias que eu não bebo nada.
Essa reunião era só de amigos de copo. Então com certeza após uns goles o papo iria fluir... Marcio volta do bar com uma dose para o “teste”. Era uma cachaça de jenipapo com mel que ao descer pela minha garganta foi purificando a alma. Resolvemos experimentar outra, dessa vez nós três entramos no bar, o dono do bar nos deu então um gole de outra de jenipapo também, só que essa não tinha mel em sua mistura. Bruno bebeu a primeira dose, Marcio a segunda e eu logo em seguida. Nós já erámos experientes no quesito bebida, mas todos nós sentimos a cachaça descer com força goela abaixo fervilhando os órgãos internos, e como um acordo dos três optou por essa. Enquanto estávamos na degustação do álcool, um velho que estava bebendo no balcão se aproxima de nós. Era baixo de chapéu vermelho e camisa do fluminense, ao lado do chapéu percebia-se que os cabelos brancos já o abandonavam e não podendo faltar um bigode estilo português. Nem percebi quando ele já estava falando de sua vida para nós.
- Tenho sessenta anos já, dois filhos formados, trinta anos de casado, uma amante e ainda dou no coro. Quando não levantar mais e ainda tenho minha língua e meus dedos.
Enquanto fingíamos ouvir ele vinha e apertava nossas mãos. Eu não via a hora de saltar fora daquele bar decadente com a cachaça.
Depois de pagarmos quinze reais pela garrafa, nos puxamos de volta para a praça da república, no caminho pela rua estreita, senti que com aquela garrafa nós iriámos ter um bom papo e eu conseguiria dispersar a catarse que se encontrava no meu subconsciente.
A chuva já tocava o solo e dessa vez parecia que seria forte o suficiente para encharcar nossas roupas. Voltamos ao coreto. Onde se encontravam os casais... Olhei em volta e vi duas gatinhas se beijando, eram morenas de uns dezesseis anos no máximo e exalavam sexo, enquanto que na direção oposta havia duas digo dois meninos adolescentes se... Brincando cheguei com as mãos na costa de Marcio quase que num abraço, tirei e nós três começamos a rir, eu ainda rindo, disse que era a influencia do meio. Com certeza todos ao redor ouviram. Márcio e Bruno começaram um papo, os dois já se conheciam de longa data, os dois moravam em Viseu...
Fiquei no lado, olhando para as gatinhas moreninhas do lado, uma delas não parava de olhar, a garrafa já ia mais da metade. Bruno então começou a fazer planos:
- Cara! To querendo ver se arrumo uma grana pro meu aniversário e fazer uma barca doida!
- Vai ter muita mulher lá? – Perguntei.
- Com certeza, mano!
- Mas não colando o velcro?
- Não lá, não!
Foi aí então que percebi que, os olhares se voltaram pra mim. Não disse por mal não, não sou um sujeito preconceituoso. Já me livrei disso quando quebrei as correntes e arranquei o que me cegava nos tempos obscuros e duvidosos de igreja. Falei só de brincadeira mesmo.
- Mas primeiro preciso fazer um arroz, bacana lá onde eu trabalho. – continuou Bruno -.
- E como é o esquema? – perguntou Marcio.
- A parada é o seguinte: lá onde eu trabalho é uma empresa fornecedora de materiais de construção. Eu fico na conferência, depois, por exemplo, que um caminhão de uma estancia qualquer faz o pedido, eu pego e coloco uma quantidade a menos do que está sendo vendida, sendo assim, o cliente paga pela mercadoria inteira, mas, na nota vai uma quantidade menor, então a diferença vai pro meu bolso. Que geralmente varia em torno de duzentos, trezentos reais, que eu divido com um camarada meu lá. Se não for dividido eu tenho que pelo menos fazer a cobertura pra ele fazer o esquema dele. Só que gente tem que tomar cuidado, que lá tem um “culhão” (todo lugar de trabalho tem essas porras!) que é doido pra alcaguetar quem tiver fazendo esquema, mas sei que ele também rouba lá.
Enquanto ouvia esse relato, fiquei analisando a situação, não só dele, mas do brasileiro que já tem a corrupção nas entranhas. Não querendo ser moralista, pois, quem garante que no lugar dele eu poderia fazer o mesmo? (mas eu mesmo não faria, eu tenho princípios) Mas é assim, no Brasil. Por exemplo, quando um cidadão pobre devolve uma maleta com dinheiro achada pelo mesmo, todo mundo xinga o cara dizendo que ele é burro e coisa tal... umas das heranças deixadas pelos nobres,  corruptos e literalmente filhos da puta estrangeiros que vieram foder com o Brasil colônia. E hoje só vemos os frutos dessa foda ruim para a plebe que ainda por cima é rude.
Marcio achou legal o esquema. E nossa garrafa já ia pelo fim, enchi o último copo, e traguei com decisão, e lembrei-me de quando acordei ensandecido para sentir aquele maravilhoso sabor, o sabor da vida!  Márcio pegou a garrafa já vazia e jogou, com o efeito do álcool em minha mente, vi a garrafa sem vida girando várias vezes em câmera lenta antes de cair sobre a grama. Enquanto no meu celular Guns N’ Roses tocava...
Acabou o álcool, acabou o encontro. Descendo pelas escadas rumando em direção à parada de ônibus, na direção contrária vinham duas bibas e ficaram encarando Bruno.
Tomei um susto, quando vi falando alto:
- Que foi veado escroto? Nunca viu não?
- Tão bonito, não!
- Vai-te fuder sua bicha!
Acelerei o passo e perguntei o que tinha sido aquilo. Bruno respondeu-me num tom colérico:
- Não gosto de veado me olhando.
Falei pra ele relaxar... Márcio só ria da situação. Era o fim do encontro.