quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Confira a obra completa "Fausto" de Goethe em Português



Fausto é um poema trágico do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe e publicado no ano de 1808. A obra é dividida em duas partes. Está redigido como uma peça de teatro com diálogos rimados, pensado mais para ser lido que para ser encenado.  A obra disponibilizada para download é uma tradução feita por António Feliciano de Castilho (1800 - 1875) para o idioma português. Então a obra está totalmente em domínio público, tanto a publicação quanto sua tradução para o português.
 
Deve-se a Goethe a glória insigne de encarnar os anseios de uma universalização dos valores literários reconhecendo o espírito supranacional das maiores criações literárias patrimônio de toda a humanidade. Sua obra está eivada de trechos e intenções românticas e expressionistas como claramente comprova o Fausto que funde elementos românticos como a figura de Gretchen e expressionista como as bruxas e a Walpurgisnacht.

Disponível para download em Português a partir da tradução de António Feliciano de Castilho (1800 - 1875) .





Se preferir ter o livro em mãos, considere essa oferta:

domingo, 5 de outubro de 2014

Feira Literária do Pará (FLiPA) acontece em outubro de 2014


FLiPA, Feira Literária do Pará, é um encontro com escritores, editores e leitores paraenses, com a proposta de fomentar a produção literária do Pará, o lugar do escritor e sua escrita, assim como os canais de circulação e consumo dessas obras. A FLiPA é um evento que busca acima de tudo o congraçamento entre os autores da terra e uma maior exposição junto ao público de seus trabalhos.
Aproveitando esse encontro a Fox, em parceria com a Editora Empíreo e alguns autores, uniu esforços na realização do evento, e das ações que dele surgirão, sendo a primeira delas a reedição de obras relevantes e indisponíveis nas livrarias por estarem esgotadas. E, no outro extremo, possibilitar o surgimento de jovens autores com um novo olhar literário. Com esse intuito, a 1ª edição da FLiPA, lança dois Prêmios: Prêmio NOBRE de Literatura e o Prêmio FOX de Literatura.
Nesta edição a FliPA terá como Patrono o escritor Jaques Flores.
Durante o evento, além da exposição de vasto acervo de obras literárias paraenses e desconto exclusivo, o público que comparecer à Livraria da Fox poderá encontrar com os dez autores que se uniram para esta edição de 2014, a saber: Aline Brandão, Andrei Simões, Antônio Juraci Siqueira, Bella Pinto, Edgard Proença, Edyr Augusto, Amaury Braga Dantas, Ronaldo Franco, Salomão Larêdo e Walcyr Monteiro.

PROGRAMAÇÃO – FLIPA 2014

Manhã
09:00 -Sessão de Autógrafos / Exposição do material sobre Jaques Flores
10:00 -Lançamento do Livro ABAÚNA e outros poemas de Aline Brandão
Tarde
16:00 -Abertura Oficial
16:30 -Palestra sobre Jaques Flores
17:00 -Garapa Literária
19:00 -Entrega do Prêmio Nobre
Anúncio do Prêmio Fox 2015
Anúncio dos autores participantes da Flipa 2015
Sessão de Autógrafos
Encerramento


Maiores informações em: http://flipara.com.br/

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Quando os mortos saem para se embriagar



Era mais um daqueles dias de pensamentos pastosos. Para onde seguir em situações semelhantes? Não havia para onde escapar. O vento que vinha do Rio Guamá caía sobre minha face eternamente fadigada me levando para bem longe daquele ambiente academicista. Foi quando Luiz encontrou-me sentando sobre o muro de arrimo que tentava em vão conter a fúria daquele gigantesco rio. O sol já começava a declinar e a brisa da noite já se mostrava apetitosa e cheia de segundas intenções.
- Álvares, parceiro – falou-me ele. – Que bebes aí?
- Uma garrafa de cachaça – respondi passando um gole pra ele.
- Puta-que-pariu! Não sei como tu consegues beber isso sem nem mesmo fazer cara feia.
- Minha cara já é feia naturalmente.
Assim aquela garrafa começou a secar mais rápido do que refrigerante em copo de criança. Sabíamos que as coisas não estavam fácies para nenhum de nós dois e para quase todo o mundo. Por que se insisti tanto em vencer na vida? Por que as coisas que não precisamos precisam ser alcançadas? Um carro do ano, um mestrado, uma viagem para Europa, um celular de última geração, um computador porrada... Alguma coisa me fazia senti tanta raiva disso tudo que, não diferente do meu amigo Luiz, eu também gostaria que tivesse um novo começo e que essa sociedade na qual vivemos jamais tivesse acontecido.
- Nós já não somos mais nós e talvez nunca venhamos a ser nós mesmos, cara – falou-me Luiz depois de longos goles com seus olhos perdidos no verde rubro daquele crepúsculo sensacional.
Parecia que as coisas caminhavam para uma irremediável destruição. Os conceitos estabelecidos, as verdades que nos enfiavam goela abaixo pareciam desprovidas de autenticidade. Tudo soava estranhamente falso e as coisas não estavam caminhando para lugar algum aparentemente agradável. Era como se alguém tivesse derramado vinho sobre o script recém-impresso em uma impressora de jato de tinta. Tudo estava borrado e as cenas seguintes se mesclavam numa macha indecifrável.
- Luiz – retruquei – vai tomar no cu, camarada.
E rimos feitos dois dementes.
Estava havendo uma feira anarquista na Praça do Carmo e Luiz me lançou o convite para irmos lá enquanto ainda restava aqueles goles de cachaça vagabunda no fundo da garrafa. Aceitei de pronto, afinal, pensei que deveria ser algo bastante interessante uma feira do livro anarquista.
Chegando lá o que vi foram diversos jovens, quase todos tão barbudos quanto eu. Diferente do que eu imaginei, os livros estavam sendo comercializados. A feira anarquista não era diferente de qualquer outra feira regida pelo sistema capitalista. Os livros mais procurados eram os que custavam mais, obviamente. Aquilo me deixou frustrado e senti vontade de beber mais ainda. Assim fiz e comprei um imenso copo de cerveja. Luiz bebeu comigo e seguimos para tomarmos umas no Ver-o-Peso.
A noite já ia alta e as putas e bandidinhos de merdas que ocupam quase todo centro histórico de Belém vinham se chegando e nos pedindo dinheiro ou, no caso das putas, nos propondo sexo. Queríamos apenas beber, mas numa esquina qualquer com a Presidente Vargas, alguém nos levou o dinheiro e os cartões de meia passagem. Estamos fodidos e não havia como voltar para nossas casas e o pior de tudo, não havia mais dinheiro para bebidas.
Mesmo assim, subimos em um ônibus. Ao notar nossa situação embriagada, o cobrador mandou que nós pagássemos a passagem. E como estávamos totalmente duros, Luiz resolveu pagar nossas passagens oferecendo um mouse para o irritadíssimo cobrador. O cobrador não aceito a proposta e mandou o motorista parar o ônibus. Recusamo-nos a descer, estão fomos empurrados até a porta de saída e lá ficamos no meio da viagem.
Sem dinheiro e humilhados em público, resolvemos voltar andando. Nossas casas eram longe demais dali para que fossemos bem sucedidos nessa empreitada. Caminhamos por quase uma hora e ainda ali na Avenida Nazaré, despencamos numa calçada e lá nos rendemos. Não havia como seguir e nem como voltar. Era como se fosse nossas vidas aquela situação. Não havia como seguir em frente e não havia como retornar. Toda a nossa vida se resumia aquele instante.
Então eu apalpei meus bolsos e para minha surpresa meu celular ainda estava lá. Liguei para um amigo e expliquei a história. Eram quase duas horas da madrugada quando consegui falar com ele. Então ele veio nos resgatar. Luiz, jogado na sarjeta, não conseguia nem se erguer sozinho. Fui até ele, cambaleando e o ajudei a se por de pé e a entrar no carro.
Seguimos para casa do Naldo. Nosso salvador.
- Álvares que porra de cachaça foi essa que vocês beberam – falou-me Naldo com ar de risos.
- Foiii aaaa daaas meeelhores, caaara! – tentou responder Luiz.
Eu resolvi ficar calado, pois minha memória não conseguia esquecer aquela cena da expulsão do ônibus e de toda aquela arrogância daquele cobrador. Ele não era apenas um simples cobrador, ele era todo um sistema de governo sustentado na coesão, na exploração e na humilhação dos que não possuem dinheiro suficiente para passar a roleta. Eu estava terrivelmente puto e angustiado. 

(Walter Rodrigues).

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

RASCUNHOS DE VERSOS A LONGA DISTÂNCIA



O vento gira as folhas sobre a calçada quente.
Alguma coisa de solidão me atravessa.
Perco-me nas horas paradas.
Sem avançar e nem retroceder.
Meu presente está envolvido por pretéritos que me assumem e me consomem em dias infinitos de olhos, sorrisos, beijos, abraços e cheiros...
O que poderia ser se fosse ao invés de não ser?
Mais de quinhentos quilômetros me separam de você.
Seus olhos e seus carinhos me elevam para além do que sou.
O que diabos eu poderia ser eu não sei.
Só sei que você me elevar para além do que eu sou,
do que eu imagino que sou, do que eu um dia possa ser.
Você, você, você que chegou de repente, me envolveu e me fez olhar pra frente.
Onde os anjos esconderam seus segredos, eu encontrei em seus olhos oblíquos castanhos.
Você me atinge a alma de forma intensamente singular.
Só quero lhe amar, amar, amar até que me falte o ar e mesmo assim continuar a amar, amar, amar.
Beethoven bate em meus sentidos aflorando a sua imagem, amor meu, e essa noite já não parece mais tão solitária e vazia.
Quero você aqui comigo.
Ser seu amante, ser seu amigo.
Perder-me dentro de você, ser você até que venha o amanhecer e me faça perceber que o tempo é tudo que nos resta. 
E o que mais nos interessa?
Todos os dias são os meus únicos dias quando acordo.
Será possível viver pensando no amanhã?
O que haverá depois de amanhã?
Nosso amor permanecerá.
Nessa noite de nona sinfonia quero mandar meus abraços
mais apertados e raptar todo o calor que seu corpo exala movimentando toda minha vida para ser junto com sua vida a nossa vida.
Os versos correm soltos a procura de seus beijos.
Como poderia seguir de outra forma?
Onde estiver, amor meu, aqui estou entranhado de você.

(Texto do livro Versos Rascunhos: poemas reunidos de Walter Rodrigues disponível para comprar no site: http://www.isbnfacil.com.br/2014/09/versos-rascunhos-poemas-reunidos-de.html )


domingo, 14 de setembro de 2014

Volta Pra Casa




Volto pra casa depois de um dia de trabalho
Fui obrigado a acordar cedo para ir trabalhar
E agora estou sendo forçado voltar pra casa
Ônibus lotado!
A poucos passos de onde estou
Há uma morena gostosa
Não vejo seu rosto
Ela está de costas pra mim
Suas belas curvas insinuantes
Me deixam petrificado
Não a conhecerei
Nem ao menos verei seu rosto
Nem fingirei que a escuto
Nem direi que a amo
Em troca de sexo
A volta pra casa por esses motivos

Acaba sendo menos entediante.


Imagem: https://pixabay.com/

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Você já leu "Ensaio sobre a lucidez" de José Saramago?




"Imaginem uma eleição em que ninguém fosse eleito
Já estou vendo a cara do futuro prefeito
Vamos lá chapa, seja franco
Use o poder do seu voto, vote em branco
Vote em branco!
Seja alguém, vote em ninguém!".


Trecho inicial da música: Voto em branco do Plebe Rude, quem ouvir ou já ouviu sabe da semelhança no tema central do livro com a música, que é o voto.
Os eleitores exercem seu direito de cidadania votando em branco, votando em nenhum político (cerca de 80% da população).
Dando continuidade aos acontecimentos vistos em Ensaio Sobre a Cegueira.
Não por acaso o "branco" reaparece. É só lembrarmos da cegueira branca. Do livro anterior. A diferença aqui neste livro a política, a democracia e cidadania são tratados de forma magistral por Saramago. Enquanto que o outro trata do "amor ao próximo e a lei do mais forte".
Livro por demais perigoso, vai ver por isso, dificilmente figura numa leitura de vestibular, até pela ideia de desobediência civil. leitura recomendadíssima! Ainda mais em ano de eleição no país.
(Deividy Edson)


Confira o livro em oferta na Amazon e adquira.
 


CRÔNICA DE UMA TARDE CHUVOSA



Então ele foi atender o telefonema.  Era a mulher que ele estava já fazia alguns anos. Se ele a amava? Na verdade era difícil acreditar. O que ele esperava dela?  Alguma coisa que ela demonstrasse que lhe fazia falta. Daniel não sabia onde ele estava. E ele queria que alguma boceta com cérebro lhe encontrasse. Ela jamais saberia onde ele estava... Ele estava perdido onde ele não saberia. Os recônditos da alma é algo difícil de sondar. Pois não há mar, não há desertos infinitos e universos idem que nos levem a total compreensão da personalidade humana. 
Uma boceta com cérebro nos faz repensar todo um projeto de vida.  Daniel havia conhecido umas bocetas dessas. Onde ir em situações semelhantes? Um namoro malfadado jamais dará conta disso. Para onde ir e o que fazer? O desespero se instala...
Nem a máquina de escrever com sua presença ilustre ao abrir da porta jamais resumirá o outono desses dias sem sol.
Beethoven com seus dó, ré, mi, fá, só, lá, si jamais reproduzirá a sinfonia de todo um dia como esse...
- Álvares as coisas andam meio fora do lugar – falou-me Daniel com um tom zombeteiro.
- Elas costumam andar sempre assim... – respondi muito calmamente.
- Tu não bebeste todo o vinho, né?
- Ainda tem aqui.
- Acho que vamos precisar de um pouco mais.
- É fato.

E assim avançamos pelas ruas daquele município onde agora eu estava morando. Zona Metropolitana da cidade de Belém. Foda-se! Tudo parecia tão e infinitamente distante do nosso bairro de origem, o Jurunas. Tudo aquilo parecia uma prolongada piada de muito mal gosto. Mas precisávamos tomar umas pela ordem social vigente, pelas crianças que morriam de fome na África, pelo Messias aguardado pelos cristões e judeus, por toda merda que está no início do reto aguardando para se liberta fossa abaixo! A vida era muito gozada. Vivia fodendo e gozando de tudo e de todos. Queria ser uma foda menos fodida às vezes. Mas sempre a maldita acabava gozando de mim. O que Daniel estava querendo naquela noite? Bancar o comedor e inflar mais e mais seu maldito superego? Haveria bebida? Haveria saída? As músicas em espanhol continuavam a tocar eternamente...

(Walter Rodrigues)

sábado, 18 de janeiro de 2014

NOTAS DE UM VETERANO – O começo do fim

De todos os vestibulares quando você está dentro da Universidade, o que mais te afeta, sem dúvida, é o vestibular do seu último ano de curso. Você tem a consciência de que os calouros que estão entrando cheios de expectativas, sonhos e ilusões; estão também, lhe convidando para desocupar as cadeiras. É o ciclo natural das coisas. E você sabe que irá sair com mais perguntas do que respostas. Entenderá que a Universidade é um universo de possibilidades que poderá ampliar seus horizontes da mesma forma que poderá limitá-lo em absoluto. Resta saber o que você está querendo saber. A Universidade tem a presunção de querer “formar” pessoas. Desejo que a fôrma que a Universidade forma esteja sempre rachada! Para que ideias e pessoas não possam ser corrompidas e escapem pela rachadura em busca de infinitos espaços cognitivos. Que a bagagem de conhecimento nunca se restrinja as aulas e as ideias de nossos “formadores”. Que a Universidade um dia deixe suas metodologias de ensino pautadas em palavras de ordens como: Disciplinas e Provas. O prazer do conhecimento sendo medido e regrado por fórmulas matemáticas e conteúdos direcionados. Resta-me apenas um escarro: nojo! Suspeito que cada aluno seja um peça para o mercado. Nesse sentido somos realmente “formados”. Esta será a primeira das notas referentes ao último ano de curso de graduação. Pretendo escrever minhas últimas impressões desse universo louco e contraditório que é a Universidade partindo sempre da minha percepção.  Não deixe de ler as Notas de um calouro 2010. Ali narrei minhas primeiras impressões da Universidade quando ainda calouro do curso de Geografia da UFPA.

(Nota referente ao mês 01 do ano de 2014. Último ano de graduação do curso de Geografia da Universidade Federal do Pará.)